EXCLUSIVO: Brexit causa alvoroço no parlamento britânico

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Paula Tooths
Paula Tooths – Jornalista, produtora de TV e escritora, autora de quatro títulos publicados no Reino Unido e repórter do Na Pauta Online.

Tentativas de manter o Reino Unido no mercado comum europeu após o Brexit, foram derrotadas no parlamento nesta tarde, após rebeldia do Labour Party (Partido dos Trabalhadores), a oposição.

A casa dos Lordes tentou impor uma emenda ao projeto de lei na saída da comunidade europeia, comprometendo o Reino Unido a manter-se parte do mercado comum europeu depois de deixar a comunidade europeia no próximo ano, que foi revertida com 327 votos a favor e 126 votos contra.

Jeremy Corbyn, líder da oposição, pediu aos seus ministros que se abstivessem, mas 75 votaram a favor e 15 contra. Cinco ministros deixaram seus empregos para desafiar o partido.

Os defensores da emenda argumentam que daria ao Reino Unido uma relação mais próxima com a comunidade europeia sem realmente ser um membro, uma vez que ofereceria acesso total ao mercado único.

Mas os críticos dizem que isso exigiria que o Reino Unido aderisse às regras da comunidade europeia sem ali ter voz ativa e não estaria de acordo com o resultado democrático do referendo de 2016.

Todos os membros da comunidade europeia também pertencem ao mercado comum europeu, juntamente com países não pertencentes à comunidade europeia, como a Noruega por exemplo.

Em troca do acesso ao mercado, estes países não membros são obrigados a fazer uma contribuição financeira e a aceitar a maioria das leis da comunidade europeia. A livre circulação de pessoas também se aplica na zona, como acontece na comunidade europeia.

O governo venceu a votação da mercado comum europeu confortavelmente depois que os ministros do Labour Party, a oposição, se abstiveram, embora três parlamentares conservadores, Ken Clarke, Anna Soubry e Dominic Grieve, se rebelaram e apoiaram a moção.

Laura Smith, parlamentar de Crewe e Nantwich, deixou o emprego de ministra da defesa para votar contra a EEA, enquanto Ged Killen, Tonia Antoniazzi, Anna McMorrin, Ellie Reeves e Rosie Duffield deixaram o cargo de secretários parlamentares para votar.

Em um comunicado, Jeremy Corbyn, líder da oposição, disse que entendia as dificuldades enfrentadas pelos parlamentares representantes dos eleitores que votaram fortemente em ‘deixar ou permanecer’ na questão do divorcio com a Europa e com o mercado comum europeu. Mas ele insistiu que o partido o qual lidera não poderia apoiar o modelo seguido pela Noruega, já que ele não acreditava que fosse a melhor opção para os britanicos.

“Isso nos deixaria praticamente sem regras a serem seguidas, não nos permite negociar uma nova união alfandegária abrangente entre o Reino Unido e a União Européia e não resolve a questão da fronteira irlandesa”, disse Corbyn.

Mais cedo, o Partido Trabalhista fracassou na tentativa de alterar o projeto de lei com sua própria alternativa para garantir “acesso total” aos mercados europeus após o Brexit, mesmo de fora da comunidade europeia. Este foi derrotado por 322 votos a 240.

Os ministros também anularam outras alterações feitas à lei pelos Lordes, incluindo a exigência de que os ministros estabeleçam medidas para negociar uma união aduaneira com a comunidade europeia.

O governo concordou com um compromisso conservador no início desta semana de trabalhar para um acordo alfandegário com a com a comunidade europeia, que ganhou a votação por 325 votos a 298.

Em resposta aos votos, o líder do partido LibDem, Sir Vince Cable, acusou Corbyn, líder da oposição, de conspirar com o Coservatives, partido de Theresa May, que atualmente governa o pais, para facilitar um Brexit rígido. Mas os ministros fizeram uma significativa concessão sobre a política de refugiados depois do Brexit. Eles aceitaram uma proposta da deputada da oposição, Yvette Cooper, de ampliar os termos sob os quais as crianças refugiadas desacompanhadas podem se reunir com os membros da família que vivem no Reino Unido.

O governo já havia concordado em permitir que crianças desacompanhadas reivindicassem asilo no Reino Unido, se fosse considerado como sendo de interesse superior. Mas, após a intervenção da Sra. Cooper, os ministros concordaram em deixar cair uma cláusula dizendo que isso só poderia acontecer se os membros de sua família já no Reino Unido tivessem mais de 18 anos de idade.

O procurador-geral Robert Buckland disse que os ministros haviam escutado as opiniões dos parlamentares de diferentes partidos e que emendariam o projeto na próxima semana.

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