Rede Sustentabilidade de Marina Silva, começa a perder filiadas e pré-candidatas

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A Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina Silva, pré-candidata a Presidência da República nas eleições deste ano, começou a ter um desfalque em suas principais bandeiras que são as mulheres.

No  dia 26 deste mês, próximo as prévias das convenções nacionais do partido, um grupo de mulheres que faziam parte da Rede Sustentabilidade e da executiva do partido, pediram sua desfiliação e declinaram de suas pré-candidaturas a deputadas federais e estaduais.

O Na Pauta Online entrou em contato com uma dessas ex-filiadas e ex-pré-candidata, a  Presidente do Fórum Permanente de Cultura de Campinas – SP, Maíra Schiavinato Massei.

Maíra é natural de Campinas-SP, tem 39 anos e é casada.

Segue abaixo entrevista com Maíra, onde ela esclarece suas opiniões políticas sobre o Brasil e o porque de sua desfiliação e desistência de disputar uma vaga a Assembléia Legislativa de São Paulo:

NPO: Maíra, em seu perfil no Facebook, você está como Presidente do Fórum Permanente de Cultura de Campinas – SP, isto tem alguma ligação com a Rede, ou é um trabalho independente de partido político?

Maíra Schiavinato: Independente de partido. O Fórum é uma instância que representa a sociedade Civil e os fazedores de cultura em Campinas.

NPO: Há quanto tempo você é filiada na Rede Sustentabilidade?

Maíra Schiavinato: Eu entrei na Rede Sustentabilidade como simpatizante, antes mesmo da Rede se tornar um CMP (Comissão Municipal Provisória), em 2016, e fiz minha filiação, mas não lançaram no sistema, e só este ano lançaram minha filiação no sistema, mas a ficha de filiação foi assinada por mim em 2016.

NPO: O que você pensa sobre o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC)?

Maíra Schiavinato: Acredito que ele (esta forma de divisão) dificulta o trabalho de muitos partidos.

NPO: Você é a favor do financiamento público para campanhas eleitorais?

Maíra Schiavinato: Sim.

NPO: O que achou da decisão recente em que os partidos políticos deverão destinar 30% da verba do Fundo Partidário e 30% do Fundo Eleitoral para as candidaturas femininas?

Maíra Schiavinato: Eu acho uma ideia super bacana, a lei que faz com que 30% dos recursos vá para campanhas femininas. Mas a gente tem que buscar paridade, a gente tem que querer 50%, a gente tem que incentivar mais ainda a participação das mulheres. Infelizmente existe uma brecha nesta lei, os 30% não necessariamente são divididos entre os 30% das candidatas, de tal maneira que estes 30% podem ser colocados na campanha de uma, duas, três pessoas apenas, mesmo que existam 100 candidatas. Então, a lei é muito bacana para incentivar a participação politica feminina, para incentivar as campanhas femininas, mas ela infelizmente ainda não resolve toda questão. O ideal seria a paridade, sempre. Gostaria de ver as candidaturas femininas em 50% e esta distribuição também, em 50% de forma homogênea.

NPO: Em sua opinião, faltou regulamentação da forma de distribuição desses 30% e dos outros 70% do Fundo Eleitoral, por parte dos presidentes regionais de partidos?

Maíra Schiavinato: Sim. A brecha na lei faz com que esta distribuição não seja homogênea, falta regulamentação, sim.

NPO: Na noite de quinta-feira, dia (26), você publicou uma nota no seu perfil pessoal do Facebook, onde deixa claro que estava se desfilando da Rede Sustentabilidade e declinando de sua pré-candidatura a deputada estadual, o que a levou a tomar esta decisão?

Maíra Schiavinato: O que me levou a tomar essa decisão foi a indignação com algumas posturas que eu tenho encontrado dentro do partido e alguns entraves. Eu não fazia parte da executiva estadual, era presidente, porta-voz, o pessoal da Rede chama de Porta-Voz, o municipal da Rede Sustentabilidade de Campinas, e há pouco tempo eu fui convidada para participar do ELO estadual, depois da executiva estadual e passei a participar das reuniões, e essas reuniões são regadas de comentários que eu considero machistas, elitistas, em alguns momentos preconceituosos, e foi isso que me levou a tomar essa decisão, eu não quero fazer parte disso.

NPO: Pode explicar o que é o ELO?

Maíra Schiavinato: O ELO é como se fosse um diretório e a executiva do diretório. O ELO faz o papel do diretório, mas nem todos os filiados fazem parte da executiva.

NPO: Sentiu-se decepcionada com a Rede Sustentabilidade?

Maíra Schiavinato: Muito, em diversos momentos.

NPO: Sentiu-se traída pelo partido?

Maíra Schiavinato: Neste momento me sinto. Justamente por me erguer para falar a verdade e ver que ao invés de assumirem os erros e buscarem fazer o que é certo, tentam intimidar. Eu diria que a palavra antes não era “traída” e sim “usada”.

NPO: Além de você, mais alguma filiada da Rede Sustentabilidade e pré-candidata tomou a mesma decisão de desfiliação e desistência da pré-candidatura?

Maíra Schiavinato: Sim. Algumas pessoas, entre elas a Simone (pré-candidata à Deputada Estadual e porta-voz/presidente) de Piracicaba e Surya Guimaraens (pré-candidata à Deputada Federal), de Campinas. Muitas mulheres desistiram das pré-candidatura por falta de apoio do Partido. Mas nem todas eram da Executiva.

NPO: Todas do Estado de São Paulo?

Maíra Schiavinato: As que mencionei acima são de São Paulo, mas pessoas de Minas e Goiás me relataram situações bem semelhantes.

NPO: Foi um sonho que ficou pelo caminho?

Maíra Schiavinato: Não, foi um sonho que entrou numa curva errada, mas não ficou pelo caminho. Ainda existe dentro de mim. O importante é que ele siga pelo caminho certo/honesto, sempre levando a verdade, não devemos nunca desistir de fazer o bem e o certo, mesmo que isso atrase um pouco os planos.

NPO: Ainda votaria em Marina Silva, depois dessa decepção?

Maíra Schiavinato: Nossa! Não esperava por esta pergunta! (risos).
Não. Não pretendo votar na Marina. Hoje vejo a Manuela, por exemplo, me representando muito mais. Mas como a Marina não se posicionou sobre o que houve, fica muito difícil dizer qualquer coisa sobre a postura dela, em relação ao que tem acontecido aqui em São Paulo ou nestes outros Estados.

NPO: Politicamente, qual o seu futuro?

Maíra Schiavinato: Eu sempre amei política. Sei que é muito difícil enfrentar tudo o que tem de errado por aí, mas ainda pretendo me filiar à algum partido que represente bem o povo. E pretendo sim, trabalhar para construir um país melhor, sempre.

NPO: Maíra, algo que deixamos de lhe perguntar e você gostaria de ter dito?

Maíra Schiavinato: Sim. Espero que toda esta repercussão sirva para mostrar às mulheres que não devem se deixar intimidar ou serem usadas. Espero que todos tiremos lições positivas disso e que no futuro ninguém precise sofrer com falta de apoio ou qualquer forma de preconceito.

NPO: Como você definiria Maíra Schiavinato Masse?

Maíra Schiavinato: Acredito que para servir ao povo a gente deva ouvi-lo e se esforçar ao máximo para representá-lo. No Fórum de Cultura, por exemplo, sempre seguimos a voz da maioria. Eu me defino assim: alguém que tem como objetivo levar adiante a voz da maioria. Apenas uma pessoa que acredita que é possível, sim, melhorar o mundo.

OPINIÃO

O Na Pauta Online, ouviu a opinião de dois advogados eleitoralistas sobre o que pensam a respeito do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, e sobre as decisões recentes do STF e TSE em que os partidos políticos devem destinar 30% do Fundo Partidário e 30% do Fundo Eleitoral as candidaturas femininas:

Sheirla Cássio de Moraes – Advogada Especialista em Direito Eleitoral.

“Primeiro ponto – A Lei foi mal elaborada, falta critérios pra tudo, apenas abriu os cofres públicos para os grandes partidos realizarem as suas campanhas. As pessoas vêm o financiamento público como medida para redução e até mesmo eliminar a corrupção e intervenção das empresas no resultado eleitoral. Infelizmente, o corrupto não aceita a propina por lhe faltar recursos para a sua campanha ele aceita a propina pra se enriquecer mesmo. Isso foi constatado na operação lava-jato. Penso que os recursos do  financiamento público vão ser utilizados para que os candidatos corruptos tenham  dinheiro legalizado  para declarar nas prestações de contas, para disfarçar o caixa 2. A última eleição para  Presidente do PT custou mais de 350 milhões, não existe isso de da noite para o dia  reduzir as despesas para 70 milhões. Segundo ponto – O MDB pela sua ideologia e estatuto é um partido que não me representa e ele está recebendo mais de 200 milhões para a realização das suas campanhas, o meu dinheiro está financiando as candidaturas do MDB, que com certeza pelo montante de recursos tem maiores chances de eleger seus candidatos. Temos vários exemplos de financiamento público bem sucedido,como por exemplo o Alemão, essa lei precisa ser regulamentada não pode ficar como está.

Quanto a decisão do STF e TSE sobre o emprego dos 30% dos Fundos para a participação feminina, acredito que nossos Tribunais Superiores buscaram a evolução política do Brasil, fizeram o que o congresso se recusou a fazer.  A cota de gênero de 30%  e 70% é o começo da transformação que o Brasil necessita, mas sabemos que a realidade só vai mudar quando for adotado a cota de cadeiras, isso que foi denunciado no partido Rede acontece na maioria dos partidos do Brasil, precisa aumentar a fiscalização e precisa punir os partidos que insistem em descumprir a lei”


Luiz Fernando Neto Silva – Advogado Especialista em Direito Eleitoral.

O fundo eleitoral, na teoria, em conjunto com as demais mudanças ocorridas nos últimos anos na legislação eleitoral deveria representar um avanço na redução de custos de campanha e oportunidade para democratizar as disputas eleitorais, com candidaturas que privilegiassem o debate de ideias e projetos e não os recursos financeiros dos candidatos. Ocorre que, ao contrário do que se pensava, com a ausência de regras claras para a divisão dos recursos do fundo, tem-se que são privilegiadas candidaturas de candidatos já detentores de mandato eletivo, restringindo a tão buscada renovação política,  diante da desigualdade de condições nas disputas eleitorais”.

“Quanto a decisão do STF e TSE sobre o emprego dos 30% dos Fundos para a participação feminina, trata-se de um importante avanço no incentivo da participação feminina na política, mas ainda é insuficiente. Deveria-se buscar a paridade na distribuição de recursos e também na reserva de cadeiras no Legislativo. Além disso, na prática, muitas vezes não se prioriza as candidaturas femininas, verifica-se diversas candidaturas forjadas, exclusivamente para o atendimento de dispositivo legal, o que revela-se o mais completo absurdo. É necessário não somente a disponibilização de recursos, mas também um incentivo para que se reconheça a importância do papel das mulheres na política e uma fiscalização efetiva para que a legislação eleitoral seja cumprida e os recursos de fato cheguem a quem lhes é de direito.”

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