Eleição para governador de Goiás: reflexões iniciais

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Foto: Sagres Online
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Robert Bonifácio
Dr. Robert Bonifácio – Professor de ciência política na Universidade Federal de Goiás (UFG) e colaborador do site Na Pauta Online.
Esta coluna é publicada quinzenalmente.

Em Goiás, a primeira coisa que se nota na eleição para governador é a mesmice. Não me refiro às pessoas, claro. Há novos rostos na disputa. Porém, a estrutura é a mesma, pois comporta uma pequena elite competitiva. E, quando se pensa em variação de projeto político programático, as diferenças são tão modestas que chega a ser um desafio para os eleitores identificá-las.

A despeito disso e atendo-se à disputa em si, as últimas semanas mostraram-se interessantes. A principal questão a ser observada era a capacidade de Daniel Vilela (MDB) de conseguir atrair apoios substantivos à sua candidatura. Pode-se dizer que, aos 47 minutos do segundo tempo, o mais jovem candidato costurou uma aliança bastante competitiva, atraindo os Progressistas e o Partido Republicano Brasileiro (PRB).

A família Vilela, por si só, já conta com uma forte penetração eleitoral em Jataí e Aparecida de Goiânia, importantes domicílios eleitorais. Com a atração de Heuler Cruvinel para a vice-governadoria e a candidatura de João Campos para deputado federal, Daniel Vilela consegue adentrar num eleitorado mais conservador, além de ter bases fortes no Sul de Goiás. Já Vanderlan Cardoso lhe concede um apoio importante no eleitorado de Goiânia e região metropolitana, uma vez que o mesmo teve votações expressivas nas disputas para governador em 2014 e para prefeito da capital em 2016, além de já ter sido prefeito de Senador Canedo. A sua intenção de voto para o Senado é ilustração disso, já que está em posição de empate técnico com os dois primeiros colocados, Marconi Perillo (PSDB) e Lúcia Vânia (PSB). Em suma, a costura política de Vilela lhe renderá capilaridade de votos.

Os resultados das últimas pesquisas eleitorais (IBOPE e SERPES/O Popular, divulgadas em 14 de julho e em 12 de agosto de 2018, respectivamente), indicam um cenário de franca liderança de Ronaldo Caiado (DEM). Inicialmente, seu protagonismo na disputa devia ser encarada como algo natural, uma vez que é a pessoa mais conhecida na disputa (recall). Porém, a durabilidade dessa liderança (que já é verificada por pesquisas há muitos meses), bem como a estabilidade dos percentuais (entre 37% e 40%), é algo que impressiona e coloca dúvidas se essa intenção de voto é mero recall ou se está cristalizada.

Assim como a liderança de Caiado, o modesto desempenho do candidato situacionista salta aos olhos. José Eliton (PSDB) estacionou em 10% de intenções de voto, o que é muito pouco para um candidato ungido por Marconi, que gozava de 32% de aprovação de seu governo (SERPES/O Popular de abril de 2018) e para alguém que tem a máquina estatal na mão há 4 meses. Embora haja motivos para considerar que as coisas evoluem de maneira muito vagarosa para o atual governador, nem tudo está perdido. Com 40% do total de tempo de campanha na televisão e no rádio, além de uma ampla coligação de partidos políticos apoiadores, há elementos para se vislumbrar uma melhoria de intenção de voto. Contudo, o cenário mais realista que se avizinha até o momento é o de lutar com Vilela para chegar ao segundo turno. Encabeçar a preferência dos eleitores parece cada vez mais uma fantasia.

Por fim, cabe ressaltar que Lula é o preferido do eleitorado goiano para a presidência da República. Isso contrasta com a plataforma política dos três principais candidatos a governador. Caiado é, desde sempre, opositor de Lula e do PT; José Eliton encontra-se em posição parecida, uma vez que é do PSDB; e Daniel Vilela é Michel Temer (MDB) da cabeça aos pés. O fato de não haver um alinhamento de intenção de voto para a presidência e para a governadoria (a candidata do PT tem pífia intenção de voto), além da marcante característica regional das disputas políticas em Goiás já há décadas, indicam que mais uma vez as questões nacionais não contaminarão a disputa pelo governo estadual. Minha aposta é que a pessoa e a gestão de Marconi Perillo (PSDB) será o grande mote da campanha. O ainda elevado número de indecisos (20%) é o principal alvo dos candidatos e veremos uma efervescente campanha em busca do voto dessas pessoas, nos próximos meses.

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