ELZA – O MUSICAL

458
- Anúncio -
Katia Saules
Katia Saules – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online.
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

ELZA veio pra iluminar o cenário Teatral Carioca. Um musical belíssimo, que conta a vida de uma grande mulher, uma guerreira sem a menor dúvida, que merece cada segundo desta homenagem.

 

No elenco sete mulheres fazem Elza, mostrando sua pluralidade pelos diferentes biótipos de cada uma. Composto brilhantemente por Larissa Luz, Janamô, Julia Dias, Kesia Estacio, Krystal, Lais Lacorte e Veronica Bonfim… é um espetáculo GRANDE, no sentido de sua amplitude, dos assuntos relevantes que tráz a tona, da forma como a história é contada. Muito bom gosto, muito amor, muita dedicação se vê ali em cima daquele palco.

Com texto inteligente, que dribla a todo instante as dores do caminho de nossa protagonista, de Vinícius Calderoni, direção arrebatadora da talentosa Duda Maia e músicas por conta do incrível Pedro Luís, o musical é forte, visceral, atemporal, emocionante e imperdível. Os arranjos são de Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz e a banda é toda formada por mulheres, o que também é bastante significativo.

Cenário grandioso de André Cortez, figurino bonito e funcional de Kika Lopes e Rocio Moure com a perfeita iluminação de Renato Machado. Tudo começa quando Elza foi obrigada a se casar aos 12 anos, teve o primeiro filho aos 13. Com 21 anos, já era viúva, mãe de outros três filhos e começava a trilhar uma trajetória meteórica de sucessos; e embora tenha levado tantos tombos na vida, aprendeu a levantar-se como ninguém.

Apanhou, levou tiro, foi violentada, agredida, machucada por dentro e por fora, tropeçou, caiu, operou, perdeu amores…quanta dor! Mas ela é Elza, e pra mim agora Elza é sinônimo de Força!

Nunca imaginei que uma pessoa pudesse aprender a reerguer-se. É o que Elza faz por toda sua longa vida. Ela reconhece a queda, e não desanima…não mesmo. Ela de fato se levanta (sempre) e dá a volta por cima. Música que poderia ter sido feita pra ela… mas agora já lhe pertence.

Uma mulher pobre, negra, em tempos onde nem se sonhava o empoderamento feminino, ela vem pra revolucionar, para fazer barulho e cantar. Mesmo sendo alvo de fortes críticas, sempre foi verdadeira e forte.

Na peça também se fala de sua tórrida paixão por Garrincha, e mostra que todo amor sobreviveu às duras palavras ditas na época sobre seu difícil relacionamento. Fala de suas perdas, de suas dores…e mais quedas… tantas quedas… Mas dá orgulho de ver esta mulher, de conhecê-la…de saber que é possível… Elza é REAL e nos faz acreditar na vida, que por pior que nos pareça, é a razão de tudo. Elza vive! Quer viver. Sabe viver!

As atrizes que vivem e contam Elza nos tiram o ar em diversos momentos,mas um destaque bem grande vai para a excelente Larissa Luz, que no próprio nome já trás seu adjetivo: LUZ. Essa moça brilha, e muito. Canta, dança, toca instrumento, interpreta e ‘de quebra’ ainda é charmosa. Ela surpreende e leva a plateia ao delírio com sua voz, timbre, interpretação…tudo. Se fecharmos os olhos por segundos, acreditamos ser Elza mais jovem ali, contando e cantando sua história…Eita, atriz completa!!!

IMPOSSÍVEL não se emocionar com esta peça, que é um ato político, mas também é simples, sofisticada, impactante, criativa, forte e vital …como ELZA.

- Anúncio -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here