Que vacilo, hein PT!?

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Foto: Joka Madruga/Agência PT
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Robert Bonifácio
Dr. Robert Bonifácio – Professor de ciência política na Universidade Federal de Goiás (UFG) e colaborador do site Na Pauta Online.
Esta coluna é publicada quinzenalmente.

Nas eleições presidenciais que se aproximam, as ações realizadas por Lula e as que a ele se remetem são as mais importantes. Isso porque o petista é, de longe, a pessoa com maior capital político do país. Logo, a “novela” em torno de sua candidatura e da ascensão de Haddad à cabeça de chapa é de suma importância.

Se não estivesse preso, seria bastante provável que Lula se sagrasse vencedor no pleito presidencial. Mas, sejamos sinceros, nem o mais apaixonado petista acredita na possibilidade dos agentes do judiciário concederem a ele liberdade e julgarem-no elegível. Então, ser realista faz-se necessário para analisar as reais possibilidades e as táticas da candidatura “lulopetista” à presidência da República.

O jogo de cena do PT em registrar a candidatura de Lula e em afirmar que ele é a única opção do partido para a presidência foi acertada. O verbo está no passado porque, embora correta, essa tática foi utilizada exacerbadamente. Sendo ainda mais claro, a candidatura de Lula passou do ponto!

É acertado manter Lula nos noticiários e no imaginário popular, a fim de se conquistar o máximo de espólio eleitoral possível para Haddad, o candidato que o substituirá. Porém, os estrategistas petistas não souberam medir a mão no tempo em que esse teatro deveria durar. Ora, o tempo é questão chave! São apenas 45 dias de campanha eleitoral oficial e somente 30 dias de propaganda no rádio e na TV. Um tempo relativamente curto, comparando-se com eleições passadas. Pelo desenrolar dos fatos e acreditando-se em informações de bastidores trazidas pela grande mídia, Haddad se transformará no cabeça de chapa apenas dia 11 de setembro. É muito pouco tempo para trabalhar uma candidatura, ainda mais numa conjuntura em que a associação entre Haddad e Lula não é tão simples de se fazer.

Embora tenha sido prefeito da maior cidade do país, Haddad ainda não é um nome de expressão política nacional. O fato de ter sido chamado de “Andrade” em suas visitas a cidades nordestinas é uma ilustração dessa condição. Ademais, não é crível esperar uma grande transferência de votos de Lula para o ex-prefeito paulistano. O que ocorreu em 2010 entre Lula e Dilma não se repetirá. À época, o “cara” era muito popular, praticamente um semideus da política, e Dilma era sua ministra mais forte. Era fácil, portanto, fazer a transferência de votos. A situação hoje é muito diversa: Lula está encarcerado, Haddad nunca possuiu forte ligação com ele e a ajuda do primeiro ao segundo é operacionalmente limitada.

A pesquisa XP/IPESPE de final de agosto usa a mais fidedigna alcunha de Haddad, colocando-o como “o candidato de Lula”. Nessa circunstância, ele apresenta 13% das intenções de voto. É o segundo colocado na disputa, empatado na margem de erro com Marina Silva (REDE) e Ciro Gomes (PDT) e possui uma distância considerável para o primeiro colocado, Bolsonaro (PSL), que tem 21% das intenções de voto. Pode-se ler esse cenário como um copo meio cheio ou um copo meio vazio. Contudo, não é difícil interpretar, a partir dos dados, que a associação de Lula com Haddad deveria se dar a partir “de ontem”, o mais breve possível.

Insistir na candidatura Lula faz que Haddad continue fora dos holofotes,diminuindo suas chances de chegar ao segundo turno. Os fatos mais marcantes até o momento foram os embates entre os candidatos nos debates – como a discussão entre Marina e Bolsonaro – e as fortes inserções da campanha televisiva (spots) de Alckmin contra o candidato “posto Ipiranga”. Em tudo isso, Haddad esteve ausente, confinado ao papel de mero espectador. Para se tornar conhecido do grande público, apresentar-se exaustivamente como candidato de Lula e gerar fatos positivos para a campanha, é necessário tempo. E, por decisões equivocadas, Haddad terá disso uma pequena dose.

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