Eleições em Goiás: o predomínio do marasmo e o furacão promovido pela Polícia Federal

182
Imagem: Scoopnest
- Anúncio -
Robert Bonifácio
Dr. Robert Bonifácio – Professor de ciência política na Universidade Federal de Goiás (UFG) e colaborador do site Na Pauta Online.
Esta coluna é publicada quinzenalmente.

Com a eleição para o cargo político mais importante do Estado de Goiás praticamente definida, o marasmo tomou conta do período eleitoral. Ronaldo Caiado (DEM) há muitos meses mantém-se como líder isolado das intenções de voto para governador e nada indica, até o momento, que a maré vai mudar. Provavelmente ele será eleito no 1º turno.

Já era esperado que Caiado começasse na frente na disputa eleitoral, por ser o candidato mais conhecido e por ter tido importante atuação no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, assumindo um protagonismo no posicionamento anti-petista.  A estabilidade de um patamar alto de intenção de voto por muitos meses é evidência suficiente para se afastar uma situação de recall e para cravar que o voto em Caiado está cristalizado.

Qual a consequência disso? Uma campanha morna e pobre. Apesar do forte ímpeto de Daniel Vilela (MDB)  e de Zé Eliton (PSDB) de tentar tirar Caiado da zona de conforto, as tentativas não lograram êxito. Durante toda a campanha, o candidato que lidera as intenções de voto limitou-se a dar declarações superficiais sobre temas polêmicos e evitou aprofundar-se nos problemas e nos desafios a serem enfrentados pelo novo chefe do Executivo Estadual. Eleitoralmente, ele está correto e esse comportamento o favorece. Mas quem perde é o eleitor, que fica desprovido de diagnósticos sobre as carências de Goiás e das alternativas para superá-las.

Para finalizar as considerações sobre a disputa para a governadoria, cabe ressaltar que, caso Zé Eliton não chegue ao 2º turno, a turma marconista sai pelas portas dos fundos, depois de 20 anos no poder.  Embora haja um desgaste natural por tantos anos no poder, é surpreendente um candidato governista estar estacionado em 10% de intenção de voto. Isso porque ele é governador há 6 meses e porque a aprovação do governo estadual é de aproximadamente 35%. Ou seja, Zé Eliton tem padrinho, tem a máquina nas mãos e faz parte de um governo avaliado moderadamente. Nessa altura da disputa, pode-se afirmar, sem medo de errar, que todas as condições favoráveis possíveis foram dadas ao candidato situacionista. O problema é que ele não está à altura para disputar o cargo que almeja.

Diferente da disputa para o governo estadual, a eleição para o Senado mostra-se bastante competitiva. Há um cenário em que 4 candidatos estão empatados estatisticamente, disputando as 2 vagas disponíveis. Recentemente, a disputa tornou-se mais apimentada devido às inserções na TV de Marconi Perillo (PSDB) contra Jorge Kajuru (PRP), acusando-o de não ser o cidadão honesto que brada ser.

Porém, como que um golpe do destino, a munição voltou-se contra o agressor: na sexta-feira passada, dia 28/09, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de apreensão de materiais a partir da Operação Cash Delivery. O braço direito de Marconi e até então coordenador de campanha de Zé Eliton, Jaime Rincón, foi preso. A PF apreendeu objetos pessoais de Marconi e ele só não foi preso porque está em vigor uma lei que impede que qualquer candidato a cargo político seja preso, exceto na situação de flagrante delito.

Era tudo o que Marconi não precisava: um escândalo de corrupção no seu colo há pouco mais de uma semana para o pleito. O tucano ainda deu “sorte no azar” por não ter sido preso. Seu colega de partido, Beto Richa, do Paraná, foi preso por poucos dias e, após isso, teve uma queda de 11% nas intenções de voto para o Senado. Provavelmente Marconi não sofrerá um revés tão grande, mas certamente perderá votos. Numa disputa eleitoral acirrada, isso praticamente elimina suas chances de se eleger.

A Cash Delivery veio como um furacão em Goiás e provocará importantes efeitos na última semana de campanha. A tendência é a turma de Marconi ser expulsa por completo do poder e Goiás viver novos ares políticos, embora as figuras que assumirão o barco sejam velhos conhecidos.

- Anúncio -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here