Definidos os resultados eleitorais em Goiás e no Brasil, o que esperar para o futuro?

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Imagem: Veja
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Robert Bonifácio
Dr. Robert Bonifácio – Professor de ciência política na Universidade Federal de Goiás (UFG) e colaborador do site Na Pauta Online.
Esta coluna é publicada quinzenalmente.

Os resultados eleitorais de domingo, dia 7 de outubro de 2018, confirmaram o que todos já sabiam em Goiás: Caiado será o novo governador. Vimos também a emergência de uma forte onda de direita conservadora, um tsunami devastador que fará do atual nanico Partido Social Liberal (PSL) o partido com a segunda maior representação na Câmara dos Deputados em 2019. Além disso, a eleição de Jair Bolsonaro está encaminhada. Só um milagre não fará dele o próximo Presidente da República.

Isto posto, vamos ao que interessa: o que estará em jogo num futuro próximo?

Começando por Goiás, duas grandes questões moverão a política goiana, num prazo de 1 a 2 anos: o secretariado de Caiado e os rumos do MDB goiano.

Dada a acachapante vitória eleitoral, o novo Governador tem condições de fazer uma mudança considerável na máquina estatal e na composição do alto escalão. Resta saber se assim procederá. Visando os melhores resultados de políticas públicas e a racionalidade nas finanças estaduais, o ideal é compor uma equipe de alto escalão que contenha tanto técnicos, quanto políticos, mas que ambos os perfis tenham reputação ilibada (um indicativo mínimo de que poderão não se corromperem no futuro) e conheçam, de fato, o setor no qual atuarão.

Sobre o MDB, é fato que, desde o ano passado, Caiado tem cultivado a semente da discórdia no partido. Seus afagos a Íris Rezende e a atração de alguns caciques do partido para a sua candidatura (como Adib Elias e o ex-emedebista José Nelto) são as ilustrações mais evidentes dessa questão. Para além disso, ao assumir o Palácio das Esmeraldas, automaticamente a sua vaga no Senado será ocupada por Luiz Carlos do Carmo que, adivinhem, é do MDB. Essas e outras questões são suficientes para imaginarmos que Caiado vai com tudo para cima do MDB, visando atrair para si o apoio do partido. O cenário ideal é ter o partido na situação e não na oposição. Para isso, porém, terá que vencer um obstáculo chamado família Vilela. O Daniel está apenas começando a sua carreira na política, é o atual presidente estadual do MDB e, pelo menos por enquanto, não tem incentivos para compor com Caiado. Para ele, vale a pena ser oposição ou, pelo menos, independente. Prevejo uma batalha campal para ter as rédeas do MDB e o resultado disso é de suma relevância para o destino da política goiana.

No cenário nacional, a expectativa é uma tranquila vitória de Bolsonaro no 2º turno. Isso lhe dará legitimidade para atrair o apoio de diversos partidos. Provavelmente, ele começa o seu mandato com uma folgada maioria no Congresso Nacional e tem que ser ágil para aproveitar esse apoio e implementar algumas das principais mudanças que almeja nos três primeiros meses.

Ainda caminhando num cenário otimista, caso mantenha algumas conquistas iniciadas por governos anteriores, como o Programa Bolsa Família, Bolsonaro tem a chance de trazer para si parte do eleitorado lulista, que vê no ex-presidente a materialização de sua melhoria de vida. Trata-se de uma movimentação estratégica que pode ter resultados no médio e longo prazo mas que, se lograr êxito, traz para si um eleitorado numeroso e fiel e escancara as portas do interior do Nordeste para Bolsonaro e a trupe direitista conservadora.

Por outro lado, Bolsonaro enfrentará grandes problemas. O primeiro deles é o desafio de ter uma boa equipe técnica. O próprio futuro presidente e seus aliados mais próximos são muito fracos, apresentando reflexões simplistas e propostas descabidas para problemas do país. Ademais, a sua grande rejeição, fruto de seu comportamento e de suas opiniões de caráter discriminatório e autoritário, será um empecilho para atrair servidores e outros profissionais para os cargos de alto escalão.

Em segundo lugar, a campanha já mostrou que em seu QG não reina a harmonia. O “Posto Ipiranga” e o vice-candidato de Bolsonaro já foram desautorizados por ele. Se já há fios desencapados na campanha, imagine no governo… ademais, pelo menos 2 grupos darão as cartas num eventual governo Bolsonaro: os militares e os neoliberais. O problema é que essa turma não se bica. Enquanto os primeiros são estatistas, os segundos pensam que, quanto menos Estado, melhor. Essas posições são irreconciliáveis e tendem a graves crises governamentais e, no limite, à paralisia decisória. Provavelmente o casamento desses grupos durará pouco e, já no primeiro ano, Bolsonaro terá que decidir quais dos dois grupos dará as cartas.

Por fim, a vigência do teto dos gastos por 20 anos estrangula as ações governamentais. Caso queira se manter no poder dentro do espectro democrático, Bolsonaro terá que revogar, pelo menos em parte, essa lei. Se não fizer isso, não dará conta de responder às demandas mínimas da população e verá sua popularidade decrescer ao longo do tempo.

O grande perigo de um possível insucesso do governo Bolsonaro é ter como resposta um golpe. Seja do tipo “old school”, com tanques na rua, ou algo mais “light”, como o que ocorre na Hungria, o perigo é que as instituições democráticas sejam demolidas e que os princípios democráticos sejam superados pela cultura autoritária e exterminadora. Vejamos…

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