Quebrando tabus sobre educação política

Foto: O mundo de Mari
Elizete Lanzoni Alves
Elizete Lanzoni Alves – Doutora em Direito, Pedagoga e Professora. Membro e Diretora Executiva da Academia Catarinense de Letras Jurídicas – ACALEJ. Membro do Instituto dos Advogados de Santa Catarina – IASC. Pesquisadora, palestrante e colaboradora do site Na Pauta Online.
Esta coluna é atualizada quinzenalmente.

Quando o assunto é política há uma diversificação de reações entre as pessoas. Algumas a repelem e não querem ouvir e nem dela falar. Outros opinam com base nas postagens que recebem nas redes sociais.  Há os estudiosos do tema e também aqueles que, mesmo não tendo profundidade teórica, se posicionam fundamentados em pesquisas sérias, livros, fatos históricos e outras fontes de conhecimento.

A palavra política é polissêmica, ou seja, tem vários sentidos podendo ser interpretada como estratégia de ação (política global, política de boa vizinhança, política econômica e etc) ou também no sentido eleitoral (política partidária).

Há, ainda, os que não compreendem sua importância, em sentido amplo e sua implicação na organização social, tornando-a somente como uma espécie de emblema do poder.

Pois bem, mesmo que vista por diversos prismas é indiscutível o crescente interesse pela política o que além de ser positivo estimula a educação política.

Em poucas palavras, a educação política é o processo, por meio do qual se possibilita a instrução, conhecimento e informações sobre fatos e acontecimentos a respeito do desenvolvimento político no país e no mundo, suas características e práticas em dado momento histórico, bem como, a evolução da democracia, a conscientização e o estímulo à reflexão sobre o papel do cidadão e o impacto de sua efetiva participação na sociedade e na tomada das decisões que envolvem a coletividade.

Mas, como praticar a educação política?

A educação política é caminho para uma cidadania participativa, construída a partir da visão histórica do país, de seus mais diversos grupos sociais com ideologias políticas diferentes, devendo ser praticada em casa, na escola e na sociedade, expondo de forma prática, didática, objetiva e de acordo com a idade e maturidade da pessoa, o respeito à pluralidade e exposição de ideias, a organização do Estado, o funcionamento das instituições que desempenham as funções estatais (Executivo, Legislativo e Judiciário), a legislação (Constituição Federal, Legislação Eleitoral e outras normas pertinentes ao tema), a história dos partidos políticos e outros fatos importantes à compreensão sobre o assunto.

Além disso é possível fazer uma conexão também com a política internacional, para a compreensão dos interesses geopolíticos do Brasil, como sociedade politicamente organizada e a partir de vários temas a exemplo da proteção do território nacional, defesa de recursos naturais em geral (água, minérios e outros), biodiversidade, agropecuária, indústria, desenvolvimento tecnológico e inovação, como forma de tomada de consciência de uma identidade nacional, com consideração dos valores próprios do povo brasileiro enquanto experiência civilizacional.

Importante deixar claro que a educação política não se trata de doutrinação sobre uma ou outra ideologia política partidária. Ao contrário disso, é a ampliação da visão sobre a o papel do cidadão e sua relação com a organização partidária, porque é inclusiva, no sentido de mostrar do ponto de vista histórico e científico o desenvolvimento dos partidos políticos no país e sua forma de pensar, agir e compreender a sociedade.

Por fim, a educação política também deve abordar os valores essenciais à boa convivência entre as pessoas como a ética, o respeito às diferenças de pensamento, de agir, de crença, de ideologia, incentivando a empatia, a solidariedade, a tolerância e a paz social.

Educação política também é ato de cidadania!

1 COMENTÁRIO

  1. Os seres humanos ao longo dos século aprenderam a viver doutrinados, por causa De algumas religiões que mandavam matar a todos que tentavam pensar livremente, ou tinham opiniões diferentes das que haviam sido impostas pelo clero.
    A nossa liberdade hoje em dia deixam muitos tão perdidos, que acabam sendo usados como massas de manobra…..Estamos em um tempo de reflexão, todos querem o bem, mas infelizmente alguns lutam apenas pelo seu próprio bem, este fato trás atrasos para a evolução política e também entrave nas causas humanitárias.
    É preciso ponderação e resiliência para ser um(a) bom político.

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