Adeus médicos cubanos e obrigada

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Foto: Se Liga PB
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Rita Gomes Todeschini
Rita Gomes Todeschini – Empresária, Analista Politica e colaboradora do site Na Pauta Online.

Hoje não irei escrever, apenas ver os médicos que se dizem patriotas e quererem o melhor para o Brasil, saírem de sua zona de conforto e serem patriotas como o médico cubano Yuri.

A vaga dele logo será aberta, podem pegá-la.

Esse texto peguei do facebook, e aqui descreve o por que só os cubanos aceitaram serem médicos em lugares os quais nem sabemos que existem.

Só vou chorar por aqueles que ficarão sem atendimento médico, porque a ignorância e verborragia venceram o bom senso e a compaixão:

“MÉDICOS | Sei perfeitamente que os médicos cubanos não são os melhores médicos do mundo. Mas também sei que é praticamente impossível encontrar por esse mundo fora outros médicos que se disponham, em condições precárias, a troco de um salário baixo e a milhares de quilómetros de casa, a trabalhar como trabalham milhares de clínicos cubanos pelos quatros cantos do mundo. Como também sei (até porque já aqui ando aqui há uns anitos…) que o que move esta massiva “exportação” dos médicos cubanos não é propriamente só aquela pura e bonita “solidariedade internacionalista” de antanho, mas sim a pragmática necessidade de hoje o regime cubano encontrar receitas em divisas, da mesma maneira que sei que cerca de 70 por cento da verba que é cobrada por cada médico fica nos cofres do governo cubano.


E falo tudo isto com conhecimento de causa, porque tive oportunidade de ver com os meus próprios olhos a importância que os médicos cubanos possuem onde os cuidados médicos, por escassos, são um bem precioso e não abundam. Onde? Neste caso concreto, no nordeste brasileiro, naquele emaranhado e denso sertão maranhense – para as bandas de Peritoró, Coroatá, Bacabal, Codó, lá onde o diabo perdeu as botas e por onde andei há uns anos atrás durantes uns largos meses. Em lugares onde poucos ou nenhum médico, pelo dinheiro que seja, aceitaria pôr o pé, quando muito ali viver meses a fio.
Num dos muitos fins de semana que ali passei, resolvi meter-me, meio em jeito de aventura, meio em jeito de “investigador”, por uma longa e esburacada “picada”, acho que à procura de uma aldeia onde me diziam ter nascido aquele que era considerado o melhor jogador brasileiro antes de Pelé – o “Canhoteiro”. Não dei com a aldeia do craque, mas ao fim de umas valentes três horas de solavancos e com os rins feitos em pedaços dei com uma outra aldeia – Tabujara de seu nome, salvo erro. Igual a tantas outras aldeias nordestinas, esta espalhada ao longo de uma linha férrea desativada e já praticamente coberta pela densa vegetação, não devia ter mais de mil e poucos habitantes. As casas, quase todas de taipa, chão de terra, telhados de colmo, o habitual por aquelas paragens. E claro, a inevitável “pracinha”, com o mini-mercado, paredes-meias com o indispensável barzinho onde fiz a obrigatória paragem para comprar a “geladinha” da praxe. E foi lá nesse “boteco”, no meio de um calor infernal, que conheci o Dr. Yuri, o médico cubano, que por ali estava há coisa de ano e meio e que nesse tempo apenas tinha descido à cidade umas três ou quatro vezes (“fuí a Coroatá tres veces y una vez a San Luis”, disse-me num “portunhol” abrasileirado). Yuri, conversador pelos cotovelos como cubano que se preze, percebia-se, era assim uma espécie de “anjo” daquela gente, ali no fim do mundo. Mais ou menos uma vez por semana, uma “pick up” da Secretaria Estadual da Saúde trazia-lhe material e os remédios que ele pedira na semana anterior: “Tu no te imaginas el trabajo que tengo aqui, de lo que hay que enfrentar todos los días”, dizia-me, contando-me que praticamente não tinha uma folga, que não havia um único dia em que não havia uma urgência na região de 5 mil habitantes, a maior parte deles a viver em condições que não eram propriamente as melhores, num raio de perto de 20 quilómetros, que ele atendia. O posto médico, ali na pracinha, não era mais que uma diminuta sala de paredes cor de burro quando foge, com uma mesa, duas cadeiras, uma marquesa meio-coxa, um armario ferrugento e pouco mais: “Bienvenido a mi casa, compañero!”, disse-me com um ar brincalhão, enquanto me abria a porta. Estive à conversa com o Dr. Yuri um bom par de horas, não faltando aquela pergunta óbvia e algo idiota sobre as saudades – “Tabaco negro, eso de lo que siento falta, de tabaco negro…”, confessava-me desconsolado.
Ontem, ao ver que o capitão Bolsonaro, num daqueles arroubos populistas tão ao seu jeito, tinha arranjado maneira de mandar os médicos cubanos para casa, lembrei-me do meu “amigo” Yuri. Duvido que ele ande lá por Tabujara, mas se andar, tenho a a certeza que daqui a umas semanas já vai poder matar saudades do seu “tabaco negro” e acender o seu “Populares” e dar umas valentes travadelas, enquanto passeia no Malecón ao fim da tarde. Bem pior vai ficar o “pessoal” lá de Tabujara…”
Por: Jose Paulo Fernandes-Fafe
(https://www.facebook.com/jose.fernandesfafe/posts/10217789282511928)

Obrigada Jose Paulo Fernandes por dividir essa história conosco.

Até semana que vem

Twitter:@Ricazinha

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