“DOGVILLE”

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Katia Saules
Katia Saules – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online.
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Considerado um dos melhores filmes do século 21, o longa “Dogville”, que fora estrelado por Nicole Kidman e dirigido por Lars Von Trier, ganha versão teatral no Rio. Quem assina esta obra é o premiado diretor Zé Henrique de Paula, do Núcleo Experimental de São Paulo, e conta com um grande elenco. Fábio Assunção, Mel Lisboa e mais 14 atores dão vida à pequena e fictícia Cidade de Dogville, situada no topo de uma cadeia montanhosa.

Uma pacata rotina é abalada com a chegada de uma forasteira misteriosa. Mel Lisboa vive Grace, papel de Nicole Kidman no cinema. Na história, ela está fugindo de um gângster e busca acolhida em uma cidadezinha no fim de uma estrada sem saída, onde moram poucas famílias. Apesar de nunca ter trabalhado, ela oferece seus serviços para os moradores como agradecimento por terem deixado ela ficar. Todos parecem generosos e bondosos, até que a polícia aparece procurando por Grace, e eles passam a fazer exigências e a abusar da forasteira em troca de silêncio.

O interessante é que o filme de Lars von Trier tem muito de teatro, inspirado nas teorias do encenador alemão Bertolt Brecht sobre quebrar com a ilusão teatral.  E na montagem, a opção pelo uso da linguagem cinematográfica fala bem alto e nos reporta em vários momentos ao filme.

Com cenário único, de Bruno Anselmo, poucos objetos cênicos, os atores interagem entre si e também com objetos imaginários. Uma sucessão de telas, que não se apresentam igualmente em cada cena, a projeção é um recurso que obviamente nos liga ao filme, referência feita a todo instante, com o passar dos capítulos, também ditos via projeção.

Quem assistiu ao filme, certamente se encantou com sua estética, que era inovadora na época, irá se encantar igualmente com o espetáculo, muitíssimo bem cuidado em cada detalhe, desde a luz, ambientação, linguagem e interpretação seca e firme.

“Em tempos de intolerância, de exploração é necessário mostrar que, embora o ser humano tenha uma tendência a agir de modo abusivo em determinadas situações, é preciso impor limites. Nem tudo é aceitável, muito menos tolerável. É preciso exercitar a  empatia, olhar com atenção para o outro. Até que ponto você tem que perdoar no outro atitudes e comportamentos pelos quais se puniria?”,  explica Felipe Lima, idealizador do projeto.

Uma obra primordial, que carrega em si uma crítica mordaz ao mundo contemporâneo por trazer situações críveis e próximas a todos nós, que vimos ali, diante de nossos olhos, com uma lente de aumento, as dores da crueldade humana.

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