“O Que É Que Ele Tem”

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Katia Saules
Katia Saules  – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ,
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Uma peça inspirada no livro de Olivia Byington, contada lindamente, com uma sutileza pouco vista em monólogos onde o tema é tão denso. Louise Cardoso é uma atriz contida, mas que coube exatamente nesta história tão tocante. Sem firulas, sem exageros, vimos as dores (em maior número) e os sabores de uma vida não planejada com a chegada de João.

A atuação da atriz convence, mas não emociona. Louise talvez devesse contar a história de forma um pouco menos acelerada, e talvez esse seja o único ponto que pode ser revisto. O silêncio também se faz necessário num texto como esse. Pausas seriam bem vindas.

Tudo nos é narrado, desde a espera do nascimento do filho, aos 22 anos de idade, onde tudo parecia ser perfeito, e como uma jovem mãe recebe a notícia de ter um bebê com a síndrome de Apert, que é muito bem explicada na peça.

A luta diária, as inúmeras cirurgias que precisaram ser feitas, todo o percalço de jovens inexperientes, que tiveram que aprender na dor, a lidar com todo o advento, que era bem raro.

Uma mãe que precisou aprender inclusive a encarar o preconceito descarado, ao perceber que habita numa sociedade nada inclusiva.

A adaptação para os palcos se deu pela dramaturga Renata Mizrahi, e foi cuidadosamente dirigida por Fernando Philbert, que já carrega em seu currículo o grande sucesso “O Escândalo Philippe Dussaert”.

Uma história sem dúvida alguma de superação, não só da mãe, mas de toda a família e amigos que a cercam.

O cenário conceitual de Natália Lana oferece boas oportunidades, como espaço para projeções, o que muito acrescenta ao que está sendo ali contado. Trechos exibidos situam a própria personagem, ajudando assim na condução da história.

O figurino de Rita Murtinho permite que a personagem passeie por décadas com algo despojado e elegante. A trilha sonora de Marcelo Alonso Neves conduz bem o espectador para uma introspecção que se faz necessária.

A iluminação de Vilmar Olos, concentra-se na comunicação da atriz com o público, e funciona, por ser precisa.

Um espetáculo que conta uma história de amor, de libertação, de respeito pelo outro e por suas diferenças. Mais uma bonita idealização de Flavio Marinho.

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2 COMENTÁRIOS

  1. A Cronistas teatral mais linda e competente do Brasil voltou com tudo. Vida longa a coluna Palpites… Vida longa ao Na pauta online!

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