Reino Unido: Possíveis cenários para o Brexit

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Paula Tooths
Paula Tooths – Jornalista, produtora de TV e escritora, autora de quatro títulos publicados no Reino Unido e repórter do Na Pauta Online – USA

O futuro é incerto, mas ainda restam várias possibilidades.

Theresa May ainda não caiu do pedestal mas a oposição vai continuar tentando. Menos de um mês depois, Corbyn coloca o documento mais uma vez em cima da mesa, com uma diferença substancial – desta vez, a moção será mesmo votada, já que foi a própria May pediu o desafio, depois de ter sofrido a derrota mais esmagadora de um governo vigente no Parlamento britânico em toda a história.

 

Esta é uma decisão histórica – previa a primeira-ministra na sua última declaração antes da votação. Nem May conseguiria prever quão histórica seria. Deois de analisar, previ uma derrota sutil, entre 50 e 100 votos, mas nunca imaginaria 230.

Os 202 votos a favor do acordo fechado com a União Europeia ficaram longe, dos 432 que estavam contra. May precisava de 320, mas precisava desesperadamente que os aliados não a abandonassem. As contas finais saíram ainda piores: deputados do próprio partido votaram contra ela, no tal momento histórico.

Qualquer governante teria deixado o cargo, mas não Theresa. Ela não engoliu a derrota. Nesta quarta-feira, os deputados britânicos irão pronunciar-se sobre a moção de censura proposta por Corbyn. A probabilidade do Governo cair é pequena.

Possibilidades para este futuro próximo:

Theresa May é derrubada com a aprovação da moção de censura

Se for este o caso, torna-se quase impossível prever os passos seguintes e o resto deste artigo tornar-se irrelevante. Neste caso, inicia-se um período de 14 dias úteis para que seja apresentado um novo Governo que possa contar com a confiança do Parlamento. Se os conservadores falharem a oportunidade de uma rápida alternativa para May, são marcadas eleições antecipadas e os britânicos regressariam às urnas no início de março, quando faltará menos de mês para a data da saída oficial da União Europeia em 29 de março. O Parlamento pode aí decidir tomar o controlo da situação e propor medidas como a suspensão do Artigo 50 para minimizar os danos.

A Primeira Ministra mantem o cargo e tenta renegociar o acordo  

Caso Theresa sobreviva à moção de censura, ela deverá ir a Bruxelas em mais uma tentativa de conseguir concessões por parte dos líderes europeus. Só que, como os líderes europeus já reforçaram várias vezes, não vão conceder nenhuma alteração. May pode pedir mais uma rodada de votação pelo tudo ou nada e tentar a estrada por um Brexit sem acordo, o que aparentemente também nao sera aceito pelos parlamentares.

Suspensão do Artigo 50

Com a contagem regressiva, essa é uma possibilidade, mesmo que vai na contra-mão de tudo aquilo que a Primeira Ministra prega. Mas vamos lembrar que ela já fez varias retornos durante esta novela. Os membros da comunidade europeia ja declararam varias vezes que aceitariam a suspensão caso o governo britânico assim decidisse.

Ainda, nos últimos dias uma nova proposta apareceu na mesa – a possibilidade de estender as negociações até julho.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, deixou uma declaração enigmática que pode ser interpretada como uma sugestão para que o Artigo 50 seja cancelado: “Se um acordo é impossível e ninguém quer um acordo, quem terá a coragem de dizer finalmente qual é a única solução positiva?”, perguntou. Em outras palavras, quem terá a coragem de lançar a ordem “Cancele-se o Brexit”.

Reino Unido sai sem acordo

Por enquanto, o Reino Unido irá mesmo sair a 29 de março de 2019. E, se não houver qualquer solução até lá, sairá mesmo sem qualquer acordo. É a mais incerta de todas as opções e a que também gera mais riscos. Os acordos e as negociações deixam de existir, bem como o periodo de transição, sem qualquer relação comercial, aduaneira ou jurídica com os outros Estados-membros, pondo em risco as indústrias, o turismo, a imigração e uma lista sem fim. Neste cenário, a primeira ministra pode enfrentar mais uma rebelião no Parlamento, que no atacado tentaria encontrar uma alternativa.

O Parlamento no controle  

Qualquer cenário pode levar o Parlamento a tomar as rédeas, mas qualquer solução só terá validade se conseguir reunir uma maioria. Essa é a ideia de alguns deputados, que defendem a criação do chamado modelo exercido pela Noruega, mantendo uma união aduaneira com os europeus, o que resolveria o problema na fronteira da Irlanda do Norte. Dificilmente esse modelo passaria pelo Parlamento.

E aqui chega uma ultima alternativa – o Parlamento acabe por votar pela convocação de um novo referendo. Tanto o governo como a oposição têm rejeitado essa possibilidade, o que torna muito difícil de ela ser viável. Mas com a pressão do termino da contagem regressiva e vendo suas cadeiras no Parlamento em risco, este cenário pode ser visto muito em breve sim.

O futuro parece distante e incerto. Pelo menos para mim, duas sao as opções com maiores probabilidades de se tornarem realidade – Um Brexit sem acordo ou um segundo referendo.

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