De Paula King e sua história na LUTA LIVRE!

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Paula Tooths
Paula Tooths – Jornalista, produtora de TV e escritora, autora de quatro títulos publicados no Reino Unido. Repórter do Na Pauta Online e Editora do Jornal a Hora.com – USA

De Paula King tem 83 anos, 8 deles dedicado a LUTA LIVRE,  natural de Baependi, no sul de Minas Gerais,  casado com Ray e pai do Paulinho, lutador profissional, De Paula concedeu entrevista ao Na Pauta Online, e nos contou sua história e os bastidores do que viveu a época como lutador.

PT: De Paula, quando começou a lutar?

DPK: Eu comecei a lutar profissionalmente em 1962.

PT: O que o levou a escolher este esporte?

De Paula no Programa Telecat, luta com o mexicano Keto

DPK: Fui criado em fazenda, vivia mexendo com gado, cavalos e sempre gostei de fazer força. Eu realmente tinha muita força. Um dia, um lutador foi ao meu trabalho e me convidou para conhecer a academia. Eu fui, fiz um teste e alguns meses depois eu já estava registrado na federação de pugilismo fazendo algumas lutas. E foi assim, por intermédio de outro atleta que eu comecei nesse esporte da luta livre, que eu gostava muito e continuo gostando. Hoje eu quase não assisto porque quase não tem mais luta livre na televisão. As lutas que temos hoje em dia por aqui [no Brasil] não são as mesmas que vivenciei. As vezes eu assisto videos da minha época. Mas os de hoje em dia, não tenho assistido. E treinar…. já não tenho condições de treinar aos 83 anos, o que não e fácil. Mas quando aparece uma luta, eu assisto sim.

PT: Quais suas principais conquistas como lutador?

DPK: A minha principal conquista foi uma luta olímpica que fiz com dois argentinos e ganhei as duas lutas, depois ficamos só no Telecat, e na televisão, ou em cidades onde éramos convidados. Naquela época, lutávamos no cinema e até em esterco, em parques e em ginásios grandes. O esporte de 62 a 70 foi muito forte. Mas em 70, já não tinha luta livre na televisão, até mesmo por falta de lutadores e empresários. O lutador mais famoso na época era o Ted Boy Marino, quem também era o meu empresário. O Ted nessa época, não queria mais lutar ou pegar lutadores novos, até porque não dava tempo porque ele estava trabalhando na tv [como ator] tempo integral. A turma foi se afastando e de 70 pra cá eu nunca mais lutei profissionalmente.

PT: Alguém da família quis segui-lo?

DPK: Muitos! Naquela época era difícil de seguir adiante em qualquer esporte, mas coloquei muita gente para praticar. Muitos que me acompanharam e comigo treinaram já não estão vivos. O que mais me acompanhou, foi meu cunhado, que na época ainda era criança, mas não quis ser lutador.

PT: Conheceu vários lugares no Brasil e fora lutando?

Na época De Paula, tinha seu bonequinho lutador, como os jogadores e celebridades de hoje

DPK: Eu só lutei no Brasil. Muito em São Paulo e Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre também. Não sa [do pais]. Tive um convite para ir lutar no Japão. Infelizmente, o empresario que nos convidou, ‘Likidozei’, que era um campeão de karatê, foi assassinado no Japão. E esse sonho de lutar fora do pais ficou de lado. Lutei até 1970, mas o esporte estava em crise e eu fui trabalhar como supervisor de vendas. Eu ainda treinava um pouco, geralmente a noite. Mas o trabalho era duro. Eu acordava muito cedo, chegava muito tarde e aos poucos fui deixando as lutas, até parar de uma vez. Mas tenho  saudades.

“A luta de hoje é bem diferente do passado. A tecnologia ajuda muito. Naquela época não tinha nada disso. A gente se machucava muito. Não tínhamos patrocinadores como hoje tem”.

PT: O que é a Luta hoje?

DPK: A luta de hoje é bem diferente do passado. A tecnologia ajuda muito. Naquela época não tinha nada disso. A gente se machucava muito. Não tínhamos patrocinadores como hoje tem. Nem fotografia colorida existia. Não havia com o que gravar, a não ser quando era programa de tv mesmo. Hoje é uma época muito melhor para o esporte em si, porém, a luta de hoje em dia, deixou de ser real e naquela época, era real. Real mesmo! Sem contar que lutador hoje fica famoso do dia para noite, até por conta de tecnologia, nem sempre pelo esporte que pratica.

PT: Algum arrependimento?

DPK: Não! Não me arrependo de nada. Fiz o que gostava. A minha família me dava muito apoio, a minha esposa  sempre me deu muita força e me ajudou muito. As empresas também me liberavam para viajar, porque naquela época luta não pagava as contas. Nunca tive nenhum problema. Comecei bem e terminei ainda melhor.

PT: Faria tudo de novo?

DPK: Sim, faria tudo de novo. Se fosse possível, teria feito mais, teria lutado mais um pouco.

PT: Você citou que sua família o apoiava muito, o que é a família para você?

DPK: A família é minha respiração. Esta em primeiro lugar em tudo.

PT: Que mensagem você deixa as pessoas que estão lendo esta entrevista?

DPK: A mensagem que eu tenho para as pessoas que estão lendo essa entrevista, é que pratiquem esportes. Esporte não tem idade e é o maior remédio para o ser humano. É uma pena que a medicina não divulgue tanto esse lado. Mas sim, esporte é tudo, tudo, tudo na vida de uma pessoa. Para você ter uma ideia, eu estou com 83 anos e tomei a primeira injeção na vida, aos 48 anos. Mesmo com 83 anos, mentalmente eu me sinto com 30 ou 40 anos. Lógico que em outros pontos de vista nós vamos mudando – enxerga menos, fica mais lento – mas o esporte me ajudou a chegar até aqui, e com muita saúde. Se quem está lendo, quiser praticar esportes, procure mesmo, faça algo com seu físico, ensine seu filho a praticar esportes. E claro, evite  as bebidas alcoólicas, as drogas e as más companhias  Sendo assim, gostaria que todos fossem como eu e tivessem a sorte que eu tive. E seja felizes. Felizes sempre.

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