O feminismo e os desafios do século XXI

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Elizete Lanzoni Alves
Elizete Lanzoni Alves – Doutora em Direito, Pedagoga e Professora. Membro e Diretora Executiva da Academia Catarinense de Letras Jurídicas – ACALEJ. Membro do Instituto dos Advogados de Santa Catarina – IASC. Pesquisadora, palestrante e colaboradora do site Na Pauta Online.
Esta coluna é atualizada quinzenalmente.

O feminismo tem sido, principalmente nas redes sociais, utilizado para atribuir uma adjetivação muitas vezes pejorativa, além de ser alvo de inflamadas divergências de opinião, é associado unicamente (por quem não conhece!)  à imagem da mulher, militante, com cartaz em uma mão e o sutiã na outra, em protestos de rua reivindicando por direitos de igualdade com os homens, direito de ação, de expressão, autonomia intelectual e de seu próprio corpo.

A evolução é o caminho comum da humanidade e o feminismo também evoluiu no tempo e no espaço, conquistando uma nova forma de legitimidade e inserção no debate político, social e jurídico, saindo do limitado (e quase irrelevante) cenário de reivindicações de rua.

O feminismo que começou como discurso social e ideológico foi marcado pela luta em ver reconhecidos direitos iguais entre homens e mulheres, sendo as primeiras ações feministas iniciadas no final do século XIX e intensificadas entre os anos 60 e 70 do século XX. Hoje é visto como um importante movimento social e levou muitos anos para assim ser reconhecido e legitimado, com registro em produções cinematográficas, na literatura, na televisão, mas também na filosofia, sociologia, na antropologia.

Mesmo com muitas conquistas pela frente e considerando que não há um padrão ideal de figura ou comportamento feminino, a imagem da mulher, atualmente, está associada à liberdade, ao desenvolvimento e realização pessoal e profissional, ao compartilhamento de responsabilidades nos afazeres da casa e na educação dos filhos.

Deixando de lado a ingenuidade de que esse seja o quadro da pura felicidade, é preciso reconhecer que para mudar a imagem da mulher objetificada, totalmente submissa ao machismo, sem voz, com limitação de direitos, para a imagem da mulher que enfrenta, de cabeça erguida, os mais variados desafios nas relações familiares, no mercado de trabalho e no campo social e político, o caminho foi árduo para as primeiras que tiveram a coragem de enfrentar as ruas em protestos e reivindicações, que foram torturadas, vulgarizadas,  “desfeminilizadas” e alvo de severas críticas por parte, inclusive, de outras mulheres que nunca se deram o trabalho de sair de sua zona de conforto para estudar, pesquisar e entender a trajetórias daquelas que abriram os caminhos das conquistas que desfrutam hoje.

Aquelas ações em busca da igualdade de direitos, das conquistas legais, sociais e políticas, da ocupação de espaço no mercado de trabalho e nas universidades, já convertidas em relevantes conquistas, acabaram por mudar o perfil do feminismo desencadeando um movimento multifacetado de mulheres com foco no combate a todos os tipos de violência, à homofobia, à misoginia e na continuidade da luta por mais igualdade de oportunidades e direitos.

O feminismo do século XXI tem forte inserção na política e na cultura, principalmente nos países ocidentais e tem dado sustentação ideológica para intensas transformações ocorridas a partir do final do século XIX. Vai muito além do sexismo e da luta voltada somente à mulher, pois, a legitimidade conquistada pelo feminismo no debate político, social e conceitual mostra que houve uma significativa evolução, que atualmente se firma na parceria entre todos para, na comunhão de esforços, empreender uma frente de luta cotidiana e permanente por mais espaços de convergências, pela redução das desigualdades sociais, extinção de todas as formas de discriminação, pelo respeito à diversidade e, inclusive, ao próprio feminismo.

A luta do feminismo de hoje não está na singularidade da igualdade de direitos entre homens e mulheres e não se faz somente nas ruas, mas, dentro de casa, no trabalho, na escola, nas relações humanas, na universidade, na política, nos meios sociais. É a luta de todos por todos, para um mundo melhor, mais justo, digno e sustentável porque isso sim representa a verdadeira cidadania.

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