Relatório Mueller: não fica provado que Trump cometeu um crime

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Demorou quase dois anos a fazer, está pronto há um mês e contém toda a investigação feita à alegada interferência russa nas eleições presidenciais que deram a vitória ao presidente norte-americano Donald Trump. O relatório Mueller, assim denominado por ter estado a cargo do procurador especial Robert Mueller, foi entregue esta quinta-feira aos congressistas, depois da insistência do Partido Democrata. O procurador-geral norte-americano, William Barr, anunciou que, depois da entrega aos políticos, o Departamento de Justiça iria colocar o relatório online no site do Departamento de Justiça para o público. Assim foi: o documento já pode ser consultado aqui.

Trump: nem culpado nem inocente… mas Congresso ainda tem palavra a dizer

É uma das principais revelações do relatório do procurador especial Robert Mueller. A investigação detetou vários contactos entre a campanha de Trump e os russos, assim como identificou indícios de que o presidente terá tentado obstruir a Justiça. No entanto, as provas não são suficientemente fortes para acusar criminalmente Donald Trump, embora o relatório também não consiga garantir a total inocência do Chefe de Estado norte-americano.

No relatório explica-se que investigação avaliou se julgaria as informações que fosse descobrindo de acordo com as regras standard da Justiça norte-americana ou se aplicava um critério especial por se tratar do presidente em funções. “A acusação de um crime feita por um promotor federal, mesmo que através de um relatório interno, poderia levar a consequências que se estendiam além do âmbito criminal. O OLC [Gabinete do Conselho Jurídico] também levantou reservas quanto a eventuais acusações seladas. Mesmo que uma acusação fosse selada durante o mandato do Presidente, a OLC considerou que ‘seria muito difícil preservar [o sigilo de uma acusação]’, e se uma acusação se tornasse pública ‘o estigma e a vergonha’ poderiam pôr em perigo a capacidade do Presidente para governar”, argumenta-se.

Assim, os investigadores garantem que se tivessem provas “de que o Presidente claramente não tentou obstruir a justiça” tê-lo-iam escrito. “Mas com base nos factos apurados e nos padrões legais aplicáveis não podemos chegar a essa conclusão“, adiantam. “As provas que obtivemos sobre as ações e intenções do Presidente colocam-nos questões difíceis, que nos impedem de determinar conclusivamente que não existiu nenhuma conduta criminosa. Por conseguinte, este relatório, embora não conclua que o Presidente cometeu um crime, também não o iliba“.

Fonte: Observador

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