“Palhaços”

Katia Saules
Katia Saules  – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ,
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Muitos vão pela sugestão do título, esperando gargalhar e ter boas  lembranças da infância ao ver o querido e eterno trapalhão…mas não é o que ocorre, feliz ou infelizmente.

Um texto bastante articulado e inteligente, com um profundo questionamento filosófico sobre o que é a vida do homem comum e as consequências de suas escolhas, nos é apresentado, com leves pitadas de humor.

 

Já adianto então que não se trata de uma comédia premeditada, e sim uma tragicomédia que narra à história de um palhaço que encontra com um fã em seu camarim.

 

Enquanto trocam ideias sobre a vida, a peça noz faz refletir quem é quem em nossa sociedade. Quem faz o verdadeiro papel de palhaço na atual conjuntura: O homem que encena num circo ou o que encena em seu cotidiano?

 

Fioravante Almeida faz o fã, um homem que finge ser feliz em seu trabalho, se contenta com pouco, mas acalenta um sonho alto, embora não possua coragem para realizá-lo.

 

Dedé Santana, brilhante e inteligente cenicamente, vive o desafio de ser “o palhaço”, o homem que normalmente faz rir, e que dessa vez tem outra função, a de fazer refletir. Numa escolha bastante acertada, Dedé Santana nos mostra total disposição, alegria e desenvoltura do alto de seus 83 anos recém-completos. É um prazer vê-lo em cena, fazendo o que ama.

 

Dirigidos pelo talentoso Alexandre Borges, que dá boas soluções cênicas, de forma simples e poética… seguem uma linha naturalista.

Dedé rouba a atenção de todos, já que a atuação de Fioravante é linear e pouco expressiva. Falta firmeza ao jovem ator, mas justifica-se pelo olhar atento e de contemplação para com seu colega de cena, que arranca aplausos em cena aberta.

 

Uma peça curta, com um cenário simples, que ambienta muito bem o que é proposto, igualmente assim o figurino.

 

Uma luz pouco relevante, quase estática, mas que não chegou a comprometer o espetáculo.

 

Vale assistir o espetáculo, pela história contada, pelas suas metáforas e principalmente para ter a alegria de ver de perto a atuação cuidadosa de Dedé Santana, nosso eterno e talvez melhor “Trapalhão”.