INIMIGO, INIMIGO MEU…O MELHOR MESTRE QUE A VIDA ME DEU!

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Carmen Thiago
Carmen Thiago – Artista Plástica, ilustradora, designer, poeta e colaboradora do site Na Pauta Online – SP

“Não existem vítimas no Plano de Deus! Um está atendendo a necessidade evolucional do outro. Se só posso provar das minhas próprias escolhas, e se vejo e sinto tanta maldade a minha volta no mundo, então, eu mesmo é que sou o meu maior inimigo.”

Em nossa estadia nesse mundo ilusório o que mais vemos são pessoas se combatendo pelos mais diversos motivos. Cada um com sua “tribo”, a que escolhemos de acordo com nossas verdades e convicções nos levando sempre a enfrentamentos contra as “tribos” que julgamos diferentes, porque não pensam ou agem como nós e disso se tem gerado as piores injustiças, crueldades, batalhas, atrocidades, genocídios e uma gama enorme de sofrimentos impingidos sobre esses “diferentes” que passamos a tratar como inimigos.

Isso porque qualquer um que me contradiga, seja em pensamentos ou ações, está consciente ou inconscientemente me afrontando, e isso nos faz sentir ameaçados em nosso personagem, esse que acreditamos ser nesse mundo, que é o nosso ego, com nossas escolhas e verdades pessoais, que queremos a todo custo impor ao nosso meio, porque nos permite sentir um nível de segurança em relação à isso que “pensamos ser”, e garantindo a nossa idéia de “identidade” sem a qual também pensamos não conseguir sobreviver.

Como não vivemos para nos conhecer, nos conectarmos com o nosso mais íntimo, o nosso ser real, que é energia pura, a pura consciência experenciando esse sonho, porque só em um sonho podemos nos pensar separados e experimentando a idéia do mal, já que tudo o que se expressa em alguma forma de vida, é Uno, pois tudo acontece dentro da Mente Cósmica ou Divina, que é uma Única Mente Universal, a Fonte da Vida, passamos a viver na cegueira, na ignorância da Realidade Maior, nos fazendo sentir sozinhos, abandonados a própria sorte, dependendo exclusivamente de nós mesmos.

E isso é assustador. Diante dos inúmeros “poderes” mundanos, aqueles que julgamos do mal, e cada um tem sua idéia do que é mal, contra os quais passamos nossa vida lutando contra, para não sermos “vitimizados” por eles, acabamos por nos tornar soldados de nós mesmos, lutando incessante contra tudo o que interpretamos como ameaça. Nesse processo de nossa capacidade tão limitada de interpretar o mundo a nossa volta, provida por nossa incapacidade de nos reconhecermos como cidadãos universais, seres cósmicos, onde todos são Um, onde  “o outro” não existe, nos tornamos cada vez mais combatentes contra tudo e todos que passamos a considerar uma ameaça ao que pensamos que somos ou temos.

Não existem vítimas no Plano de Deus! Um está atendendo a necessidade evolucional do outro. Se só posso provar das minhas próprias escolhas, e se vejo e sinto tanta maldade a minha volta no mundo, então, eu mesmo é que sou o meu maior inimigo, por estar criando a minha “realidade” com base em minhas convicções e sobretudo, na minha crença no Mal. Pois se o mundo é meu espelho, o inimigo que me chega, é sempre um reflexo das “verdades” que escolhi e alimentei dentro de mim. Não existe nada fora, a não ser, reflexos.

Costumo utilizar um pensamento pra expressar isso utilizando o exemplo de alguém foi vítima de um tipo perdido.

– O tiro é perdido, mas o destino é certo!

Pensamos nisso como uma injustiça. Como uma pessoa “de bem” pode ser vitimisada assim? Nunca feriu ou matou ninguém, e como é assassinado dessa forma?

Não conhecemos as causas que levaram essa pessoa a levar esse tiro. E nem devemos julgar sobre isso, já que não temos o poder de conhecer as causas reais que levaram tal pessoa a tal consequência. Mas como disse acima, na Vida, não existem vítimas, apenas almas experimentando a própria escolha. E lembrando que alma, não é o espírito que foi criado à imagem, semelhança do Pai em Perfeição e Amor.

Alma é um armazenamento das experiências vividas, como um HD, um banco de dados que carregam todas as vibrações e frequências que alimentamos em todas as experiências de nossas vivências.

E de acordo com essas frequências que alimentamos e carregamos na alma, assim será nossa nova experiência. Nós já nascemos com elas, e por elas teremos nossa vivencia, com as pessoas e situações na mesma frequência que escolhemos vibrar, e cada uma que se apresenta em nosso caminho, é uma oportunidade que temos de nos avaliar, de nos questionarmos para encontrar o meio de nos libertarmos dela, transmutando sua frequência, através de novas escolhas. Porque podemos escolher de novo sempre.

Entendamos, se sou um ser com o poder de co-criar, e esse poder não só é real, como poderosíssimo, e se não temos consciência desse poder, então criamos experiências consideradas do mal, já que acreditamos nesse Mal e isso inconscientemente, porque não sabemos que temos todo esse poder em mãos.

Costumam me questionar quando digo que o Mal não existe, me retrucam indignados dizendo,– olhe o mundo, quanto mal existe nele, o Mal é real, você é cega?

Não, respondo – Exatamente porque não sou cega é que sei que o Mal não existe, a não ser em nossa incapacidade de nos reconhecermos como seres divinos, criados do Amor para o Amor. E a idéia de Mal que temos é em função de nos vermos apenas como humaninhos limitados, ao invés de espíritos de luz, nos vemos como corpos carentes de uma infinidade de coisas mundanas, ao invés do espírito que tudo tem no Deus que nos habita.

Então me perguntam se nunca sofri nenhum Mal nesse mundo, e respondo, – é claro que já, e muitas vezes, e também sofri com eles, como qualquer um, porque eu também, apesar de conhecer a realidade, também dou minhas derrapadas as vezes, até percebe-las e me recompor.

E confesso, não é fácil não dar ouvidos para nossos egos insanos e assustados.Só que por ter passado minha vida inteira em busca de respostas para esse circo de horrores, por ter me importado muito, mas, muito mais em saber qual a finalidade de minha existência e a de todos, junto a toda essa aparente loucura, a Vida tem me respondido com a Verdade, que esse mundo e essa forma de vida que experimentamos, não passa de um sonho. Como dizem os antigos sábios, estamos no mundo de Maya, o mundo das ilusões.

Então me questionam mais, e querem saber se não tenho ou nunca tive inimigos e respondo que sim, mas não fora de mim, ou seja, tenho sim, mas dentro!

Dizem que quem procura verdadeiramente encontra, e isso é um fato. A Vida me respondeu me levando a um nível de discernimento onde comecei a ver essa realidade a minha volta com outros olhos. Se tudo é Um, se “o outro” não existe a não ser nas minhas limitações de conhecimento, e que tudo que me chega é em função das minhas crenças pessoais, somado ao meu poder do co-criador com a Criação, então tudo o que venho a experimentar é um reflexo das minhas próprias crenças, que escolhi ter, deliberadamente e equivocadamente. Porque qualquer coisa que eu escolho sentir e vibrar, fora do Amor, é medo, e seus frutos são dolorosos.

Quando olho algo ou alguém fora de mim, e interpreto a partir de minhas verdades e convicções pessoais, cego ou sem consciência do meu ser real, o espiritual de origem divina, passo a criar a experiência fora de mim sem saber. E passamos a nos sentir vítimas das coisas externas à nós, sem nos apercebermos de que fomos nós mesmos que criamos e “trouxemos” essas experiências à nós.

E isso, por incrível que pareça, comecei a compreender através da ciência, não pelas religiões, as que busquei atrás de respostas, que mais tarde veio a se confirmar, quando comecei a conhecer antigas filosofias e ensinamentos espirituais milenares, que as religiões tradicionais rejeitaram. Embora o Curso em Milagres (UCEM) que pratico a muitos anos também tem me trazido a clarividência e a mudança de frequência sobre toda essa ilusão. Pela ciência, só existe energia e essa energia não só é provida a partir de nossas observações e interpretações equivocadas, como extremamente atuante no que se refere às consequências.

Nosso mundo é moldado por nossa livre escolha de crermos no que quisermos, e se é no nosso poder de crer que criamos, pois aquilo ao qual dou meu poder de crença, no que damos fé ou verdade, é que se dá a realidade, então somos os únicos responsáveis pelos acontecimentos que nos chegam.

Quando olhamos para fora de nós e vemos tanto mal, é porque dentro de nós escolhemos crer que o mal existe, e esse se mostrará em todas as suas formas, para confirmar nossa fé nessa idéia que adotamos como verdade.

O ladrão, o assassino, o corrupto, o governante sem escrúpulos, o amigo ou o cônjuge traíra, em suma, todas as injustiças e maldades que “assistimos” fora de nós, são frutos de nossa escolha de crer no mal, e assumir tal responsabilidade se torna difícil, pois aceitar que somos nós mesmos os responsáveis por tantos infortúnios é uma tarefa árdua, já que se colocar no papel de vítima é muito mais fácil e cômodo, do que tentar se aprimorar e se “limpar” de tais crenças e se moldar à sua verdadeira identidade divina de puro Amor e Perfeição. E buscar o culpado “fora” nunca irá nos trazer a Paz tão sonhada.

E como já disse em outro artigo, se sozinhos já temos tanto poder, imagine esse poder somado ao de 8 bilhões de pessoas nesse mundo crendo que o mal existe. E claro, não podemos curar o mundo, porque o livre arbítrio é individual, mas podemos nos curar. Porque só temos poder sobre nós mesmo.

Então quando o suposto “inimigo” se apresentar em nosso vida, nos causando algum tipo de mal, ele nada mais é que nosso reflexo, o espelho das minhas verdades e crenças, portanto, ele é o meu melhor mestre, me mostrando o que tenho para curar dentro de mim. Ao invés de odia-lo e lutar contra ele, devemos sauda-lo e agradece-lo por estar nos dando a oportunidade de questionarmos sobre sua presença em nosso caminho e olhar para dentro, para descobrir que parte obscura em nós o atraiu para a nossa experiência. Não temos nenhuma responsabilidade sobre o que “o outro” faz, nem sequer temos direito sobre as escolhas dele, mas apenas sobre as nossas, a única que podemos alterar se assim decidirmos.

Dá muito trabalho mudar nossas convicções e que alimentamos por uma vida inteira.  É como ter que abandonar nossa identidade, e isso é um tanto assustador. Parece que se tirarmos isso de nós, deixará  a sensação de estarmos perdidos. Na frase de São Francisco de Assis, que diz – “É morrendo que se vive para a vida eterna”…Ele NÃO está se referindo sobre a morte física… mas sobre a morte de nossos egos, que não nos permitem encontrar nosso verdadeiro ser, o divino e perfeito, o único que pode nos levar ao nosso Céu.

E se não conseguimos ficar em Paz com o que vemos fora de nós, se isso nos atormenta, por não conseguirmos digerir, então temos que buscar a verdadeira cura para tudo isso, que só pode ser encontrada em nosso ser espiritual em comunhão com o Divino que nos habita.

Não lutando com o que encontramos fora, nem contra ninguém, mas dentro, em nossos corações e mentes equivocados, porque interpretam tudo o que vem de fora, sem o conhecimento de que tudo é criado dentro e assumir a responsabilidade, mas sem nos julgar, sempre amorosamente, nos perdoando e aceitando-nos em nossas limitações de compreensão. E com isso, encontrando um novo modo de ver e nos curando de nosso entendimento equivocado sobre tudo nesse mundo.

Somos presas fáceis de toda essa ilusão mundana. porque esquecidos de quem somos, nos deixamos envolver pelas projeções externas, que começa na individual e se soma com a coletiva.

Tudo sempre está em nossas mãos. Só nós, podemos ser nosso salvador. Só depende de quanto estou disposto a assumir a responsabilidade por mim mesmo e por tudo o que atraio para minha vivencia. Escolhendo sair do papel de vítima para comandante. Se tornando consciente e senhor de cada escolha, prestando mais atenção no que pensa, fala e sente. Se vigiando, estando presente em si mesmo. E evitando pensar ou sentir qualquer coisa que não seja Amor. Pois só o Amor tem o poder de curar qualquer coisa. Nada mais pode.

E como ainda não sabemos esse Amor, nos cabe apenas exercitá-lo, o máximo que pudermos.

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