O escândalo Phililppe Dussaert

Katia Saules
Katia Saules  – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ,
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Um ESCÂNDALO de tão boa! Isso sim! Uma das melhoras peças que já vi em toda minha vida! Do ator e dramaturgo Jacques Mougenot, que é brilhante num texto que é atemporal, contemporâneo e ouso dizer que perfeito. Feito sob medida para um ator não menos brilhante como Caruso.

Questionamentos inteligentes, feitos com maestria vão nos guiando, e nos fazendo pensar em como somos ligados no estético, no que dizem, no que somente nossos olhos veem, no que ouvimos, nas coisas que nos permitimos acreditar… e no quão ingênuos ainda somos.

De modo sutil e inteligente do início ao fim, Marcos Caruso nos conta a história de um artista, chamado Phlilippe Dussaert, pintor conhecido por copiar quadros, obras de arte de forma tão peculiar e diferenciada, pois sempre preservava algo da obra original…

O pintor foi figura bastante polêmica por seus feitos, e gerou discussões acaloradas, ganhando cada vez mais visibilidade até chegar em sua obra mais audaciosa, que dá nome ao espetáculo.

Não posso falar mais, longe de mim entregar esse ouro, mas preciso dizer que foi extremamente assertivo a escolha do diretor, Fernando Philbert pelo grande ator que temos em cena.

Uma direção preciosa, vista nos detalhes, nas marcações, e principalmente no discurso do personagem, que por momentos trás experiências quases que sensoriais á plateia, que fica em suas mãos.

Tudo é tão incrível, que até o cenário de Natalia Lana, composto de apenas uma cadeira e uma mesa, com a utilização de projeções, consegue interagir na medida e dar ainda mais brilho à cena, junto da luz precisa de Vilmar Olos.

Uma peça que não deve sair de cartaz nunca! Que já ganhou inúmeros prêmios e ainda pode levar mais se continuar. Marcos Caruso não deve sair dos palcos nunca! É brilhante, é um espetáculo é um ESCÂNDALO!