Elas no comando da bola

Foto: Reprodução Facebook
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Elizete Lanzoni Alves
Elizete Lanzoni Alves – Doutora em Direito, Pedagoga e Professora. Membro e Diretora Executiva da Academia Catarinense de Letras Jurídicas – ACALEJ. Membro do Instituto dos Advogados de Santa Catarina – IASC. Pesquisadora, palestrante e colaboradora do site Na Pauta Online – SC.
Esta coluna é atualizada quinzenalmente.

O ano de 2019 foi especial para o futebol feminino, com a oitava edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, na França e o Campeonato Mundial Intercontinental de Clubes de Futsal Feminino, quando as brasileiras venceram o Atlético Navalcarnero (do Atlético de Madrid) no Ginásio Jones Minosso, em Lages, Santa Catarina.

Embora as brasileiras tenham deixado a Copa do Mundo de Futebol Feminino após derrota para a França, não retirou o brilho do time que lutou pelo reconhecimento de sua competência e excelência na modalidade.

O time de Marta lutou até o último minuto da prorrogação, mas, acabou eliminado pelo time da França nas oitavas de final da Copa do Mundo Feminina 2019, com um placar de 2 a 1, deixando em solo francês o sonho de levar a taça para casa.

A prorrogação que deu às Leoas da Serra a vitória no Futsal, fez perder o jogo as meninas do futebol de campo. Mas, o desempenho dos times de brasileiras mostrou duas grandes equipes preparadas, sólidas e consistentes.

Dados extraídos da FIFA (Fédération Internationale de Football Association ou Federação Internacional de Futebol), mostram que o jogo entre Brasil e França Foi acompanhado por 35,245 milhões de expectadores e foi transmitida em TV aberta.

A partida entre Brasil e França, ocorrida no dia 23 de junho de 2019, teve a maior audiência registrada na história do futebol feminino.

As atletas convocadas para o jogo foram: Aline, Bárbara e Letícia Izidoro, Camila, Fabiana, Letícia Santos e Tamires, Érika, Kathellen, Mônica e Tayla, Adriana, Andressinha, Formiga e Thaisa, Andressa Alves, Bia Zaneratto, Cristiane, Debinha, Geyse, Ludmila, Marta e Raquel,

Marta, camisa 10, marcou seu nome definitivamente na história e com o 17º gol marcado na partida com a Itália, se tornou a maior artilheira de Copa do Mundo (feminino e masculino).

No início da Copa do Mundo, Marta e Ronaldo estavam empatados em número de gols, com 15 no total. Ao balançar as redes com dois magníficos gols, nas partidas com Austrália e Itália, superou o atacante brasileiro e também o atacante alemão Miroslav Klose e se colocou na ponta artilheira em Mundiais.

A nossa Rainha do futebol, pela sexta vez foi nomeada, pela FIFA como a melhor jogadora do mundo e a Amandinha, do Futsal, ganhou pela quinta vez o prêmio do Futsal Planet de melhor jogadora do mundo na modalidade.

Formiga (Miraildes Maciel Mota), com a convocação, se torna a jogadora com mais participações em Copas, entre homens e mulheres. Aos 41 anos, Formiga perfaz um total de sete competições.

A cearense Amanda Lyssa de Oliveira (Amandinha), tricampeã mundial, cinco vezes seguidas eleita a melhor jogadora do mundo e considerada a rainha das quadras no Futsal, brilhou na quadra na cidade de Lages.

Além de Amandinha o time contou também com as atletas Adriana Costa (Tiga), Eduarda Suchek (Duda Suchek), Diana Santos (Diana), Gislene Costa (Giy), Greice Behm (Greice), Izabelly Woelnner (Bebel), Jhennif Karonlay (Jhennif), Isabelle Souza (Bella), Juliana Santa Catharina (Juba), Luiza Bortolini (Luiza), Mayara Almeida (May), Rúbia Wasmann (Rúbia), Valdineia Gomes (Petuxa).

O futebol brasileiro feminino (campo e futsal) não deixa nada a desejar se comparado com os times masculinos nas mesmas modalidades.

A diferença hoje não está na qualidade do futebol, mas, na forma como são tratados no próprio país que representam.

A começar pela precária divulgação, falta de patrocínio e isonomia remuneratória de maneira que possam dedicar-se exclusivamente ao futebol, como acontece com os jogadores masculinos.

Não houve incentivo pelas organizações públicas e privadas para que nossas meninas fossem prestigiadas com a torcida brasileira. Na Copa Mundial de Futebol (masculino) horários especiais foram feitos para que a torcida pudesse acompanhar os jogo e torcer pelas brasileiras.

O futebol feminino brasileiro teve um desenvolvimento tardio, pois, embora exista há mais de um século, sua regulamentação tem um pouco mais de 20 anos.

Mas, 2019 mostrou que as atletas que comandam a bola, no futebol e no futsal, terão maior reconhecimento porque por determinação da CBF, a partir deste ano, os clubes da série “A” que disputarem o Campeonato Brasileiro devem ter equipe feminina para disputar pelo menos um campeonato oficial, acompanhando assim, a Confederação Sul-­Americana de Futebol que possui norma semelhante, condicionando os times que quiserem disputar competições internacionais, como a Libertadores e Copa Sul-Americana, a desenvolverem projetos relativos ao futebol feminino.

Se o futebol sempre foi uma paixão do povo brasileiro, agora temos mais motivos para torcer.

Nossas jogadoras são orgulho para a nação brasileira e é por isso que torcer pelas mulheres no futebol e futsal também é exercício de cidadania!

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