“Borderline”

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Katia Saules
Katia Saules  – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ, Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Um espetáculo que passeia entre a loucura e a sanidade, brilhantemente interpretado por Bruce Bandão, que conduz seu Rutras com total integridade e nos trás o incômodo pertinente ao tema tratado.

O texto de Junior Dalberto é deveras artístico e um tanto quanto poético, e aborda com muita lucidez a bipolaridade e a esquizofrenia, comuns dentro do transtorno que dá nome à peça. Questões familiares, dores, dissabores, inquietações, alternâncias de humor… tudo acontece nos 50 minutos de um monólogo intenso e forte.

O estreante diretor Marcello Gonçalves teve a difícil e cumprida tarefa de contar em forma de diário, momentos da vida de um cara estranho e confuso. Abordar com maestria, um tema ‘pesado’, que diz respeito às faculdades mentais, que vai fundo no interior do ser, que toca no imaginário, é um tanto quanto assustador, porém Marcello conduz delicadamente e costura muito bem as falas do personagem, que brinca com sua dor, mas fala sério a todo instante.

Fui pesquisar e entendi que Borderline é um nome inglês, que significa ‘na fronteira, no limite’; e assim é. Rutras vive no limite, vive muito triste ou muito excitado, ora se apaixona fervorosamente, ora está depressivo… são limites, são linhas muito tênues que tentam definir o homem em questão. Um personagem forte, que vem também em boa hora, como um manifesto, uma forma de criticar um sistema, que em muitos momentos diz que não tem cura para certas doenças e em outros momentos diz ser necessária a cura para o que nem é doença.

Vem também para falar de uma geração que anda tão perdida e pensa se encontrar em conexão com a internet. A conexão diária nas redes sociais, trazem um distanciamento da vida real, que acontece diante dos nossos olhos, mas longe das telas de celular e computadores.

Com excelente luz de Felipe Lourenço, trilha maravilhosa, do trio Marcello Gonçalves, Bruce Brandão e Loan Langowski, que tanto ajuda a contar a história e uma preparadora de ator e produtora talentosíssima, Viviani Rayes.

Borderline” é uma grata surpresa nos dias atuais. Um espetáculo inquieto, que muda nosso olhar, transforma a visão banal cotidiana, e paradoxalmente consegue ser assustador e necessário.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Realmente esse trânsito de comportamentos um tanto “incomprensível ( )…. nos remete sempre a reflexões sobre o meio que nos consome como ser…. São tantas anormalidades nesse mundo do psique humano ….que nos da um certo medinho e curiosidade de assistir o espetáculo.
    .Parabens Kátia Saules

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