‘No Virtual todos somos felizes’

Foto divulgação
Katia Saules
Katia Saules – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ, Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Que ótima ideia trazer a realidade virtual para os palcos. Uma realidade tão questionada, tão comentada, merecia mesmo uma reflexão deste porte.

Considerada pela própria autora, Rô Sant’Anna, uma tragicomédia, a peça mostra como tudo soa e é superficial nas redes sociais; local onde somos quem queremos ser, e não quem somos verdadeiramente. Vale o debate!

Rô tem texto bem amarrado, intrigante, cheio de graça, revelações e reviravoltas. Atua além de escrever, e divide a cena com os maravilhosos Carlos Neiva, Izabella VanHecke e Mônica Guimarães.

As atrizes estão em total sintonia, mas o destaque vai para a simpatia da atriz Izabella VanHecke, que além de muito talentosa, traz o tom certo da comédia, mesmo em momentos mais densos.

Com luz e som do diretor Anselmo, tudo dialoga muito bem e corrobora para o clima tenso do meio para o fim. Os figurinos são simples, porém funcionais, de Anderson Ferrreira, e ajudam a contar um pouco mais de cada personagem.

O espetáculo conta a história de vida de três mulheres completamente díspares e iguais em suas angustias, questões e frustrações. A tentativa de mascarar a vida real, mostrando apenas suas melhores versões e supostas vidas perfeitas, é traçada com muito esmero sob a batuta de Anselmo Vasconcellos, que evidencia em cada cena a tendência mundial que todos temos, de camuflar dores e só mostrar amores.

Evidenciando a tendência mundial de mascarar a vida real, mostrando ao mundo apenas a nossa versão virtual perfeita, o espetáculo apresenta uma tragicomédia em que três mulheres vivem a vida social e a pessoal separadas, nesse mundo globalizado onde você é o que você aparenta através das redes sociais e que revela o celular com a verdadeira caixa de pandora dos dias atuais.

Em dias de selfies, cliques, likes e muitos filtros nas fotos postadas, tudo pode e deve ser questionado. A ambição pela vida alheia, o olhar distorcido sobre o que o outro vive, tira nossa atenção de nós mesmos e do que realmente importa. A peça faz rir e refletir, mas acima de tudo nos faz ter o desejo de ‘sermos todos felizes na vida REAL.