“SININHO”, não. Mulheres que lutam têm nome

*Por Soraia Mendes – Jurista, professora, escritora. Advogada criminalista. Sócia do Soraia Mendes & Advogadas Associadas

Brasil, 2013. Multidões tomam as ruas. Múltiplas são as reivindicações. Desde a luta contra o aumento da tarifa do transporte coletivo até a exigência de uma reforma política (necessária, mas que nunca veio) mobilizam milhares e milhares, principalmente jovens, Brasil afora.

Participei de todas as manifestações públicas em Brasília no ano de 2013. Após publiquei um livro a esse respeito com textos críticos de diversos (as) acadêmicos (as) que também estiveram nestas jornadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, entre outros pontos da federação. Sugestivamente o nome da coletânea é “País Mudo, Não Muda: as manifestações de 2013 por quem vê o mundo para além dos muros da academia”.

Tal como escreve Luís Eduardo Soares, também estou certa de que , “Quem esteve nas ruas e leu as pesquisas empíricas sabe que nas manifestações estavam presentes as mais diversas e antagônicas posições, cujos alvos eram múltiplos. A maré fascista dos anos posteriores não foi fruto das manifestações de massa de 2013, mas (entre outros fatores) da incapacidade das forças progressistas de compreender o que estava em jogo e mudar a si mesmas para dar curso a mudanças estruturais profundas, consistentes e sustentáveis.”

Elisa Quadros “Sininho” – Foto reprodução

“Sininho” como a chamam quase pejorativamente aqueles e aquelas “defensores” da democracia e sempre na linha de frente contra etiquetamentos próprios do sistema opressor, mas também sempre rápidos a lançar mão de rótulos quando se trata de defender suas cores politicas, é uma mulher, jovem e de esquerda, que sofre um novo massacre.

Um massacre misógino vindo de quem chorou ao assistir “Democracia em Vertigem”, mas nunca escreveu uma palavra sequer sobre “os 23” que amargaram a prisão. Os mesmos e as mesmas que viram na tomada das ruas pelas mulheres no #Elenão um dano à tática eleitoral que desenharam no interior de salas e celas. (Ou melhor seria dizer tragédia eleitoral ao invés de tática?).

Enfim, uma lástima começarmos 2020 com debates tão destruidores dentro de nossas próprias trincheiras. O fascismo agradece aos envolvidos e às envolvidas nessa “cruzada” contra “Sininho”.

Se algo de positivo pode ser fruto disso tudo. Que seja, então, um novo despertar.

Nas ruas estará quem não vê outra a alternativa senão a organização e o protesto popular. Nas redes e nos bastidores da política os e as que defendem que um único “homem” seja o sinônimo de messiânica salvação.

Força E-L-I-S-A!

Você merece ser chamada por seu próprio nome!

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