150 anos da morte do poeta Castro Alves

Castro Alves-ilustração: Kácio Pacheco - Metrópoles

Mesmo com apenas 24 anos quando sua vida se ceifou diante de uma doença chamada tuberculose que matou de 1700 a 1900, aproximadamente 1 bilhão de pessoas, Antônio Frederico de Castro Alves, jamais será esquecido através de seus poemas e luta contra a escravidão. Quem nunca leu algo dele na escola? Alguns poemas famosos são “O Navio Negreiro” e “Vozes d’África” que foram publicados no livro “Os Escravos”.

Patrono da cadeira nº 7 Da Academia Brasileira de Letras (ABL), tem em sua bibliografia cinco (5) obras do próprio autor e mais cinco (5) sobre o mesmo. Representante do Romantismo, era considerado o poeta social por adotar em suas poesias a liberdade e a justiça. Além de poeta dos escravos, social, era também do amor. Cito um trecho que vai além do poeta abolicionista.

Adormecida

Uma noite eu me lembro… Ela dormia

Numa rede encostada molemente…

Quase aberto o roupão… solto o cabelo

E o pé descalço do tapete rente.

‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste

Exalavam as silvas da campina…

E ao longe, num pedaço do horizonte

Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,

Indiscretos entravam pela sala,

E de leve oscilando ao tom das auras

Iam na face trêmulos — beijá-la.

(Castro Alves)

Que este seja apenas um dos poemas que inspirem a leitura de cada um. Sua poesia, independente do viés era um clamor, retratava uma sensibilidade diante dos problemas sociais enfrentados e ganhou um sentido revolucionário que o aproximou do Realismo. Lá se foram 150 anos de sua morte, nesta terça-feira, 6. E que venha a eternidade. Que tenham lutas, mas que também possamos comemorar as glórias.