Para aqueles que acham que o mais importante é o bebê

- Anúncio -
Ana Flávia Rodrigues de Almeida é Bióloga, mestre em Gestão Ambiental, Professora, Consultora, Coordenadora Pedagógica e Proprietária da Lepetipetá.

As mulheres carregam em si a missão de dar continuidade à vida. Muitas não podem gerar filhos, outras tantas cada dia mais exercem seu direito de abdicar da maternidade. Restam àquelas que encaram uma gestação serem incubadoras de novas pessoas que desembarcarão nesse mundo amplo, confuso e carente de humanidade.

Se o parto tem gerado reflexões sobre a importância de sua humanização, respeito à vontade da mulher, priorização do contato do bebê com a mãe logo nos primeiros instantes, como forma de ajudar a nossa sociedade à resgatar nossa natureza e afetividade, a gestação também merece “alguns minutos” de nossa atenção.

Depois da constatação da gravidez e escolha da sua continuidade (nosso corpo nossas regras!), a mulher enfrenta muitas transformações no corpo que se prepara para parir e para os cuidados parentais do pós parto. São mudanças drásticas e concentradas em um pequeno espaço de tempo: ganho de peso, mudança do eixo de equilíbrio do corpo, inchaços, afrouxamento de ligamentos para permitir que o bebê caiba dentro do corpo, descargas hormonais sobre-humanas e, com isso, muitas consequências.

Assim, vêm as dores difusas, o cansaço, problemas de peles, problemas na coluna, e, para completar, os medos, a ansiedade, a sensibilidade extrema emocional. E mesmo com tudo isso acontecendo as mulheres de hoje continuam trabalhando em seus turnos profissional e doméstico, enfrentando a falta de apoio, de carinho e de empatia dos que as cercam, muitas vezes daqueles que ela mais espera conforto, os olhares enviesados se reclamam de alguma dor (especialmente as da alma), de algum desconforto, e, até mesmo, de usarem filas e assentos prioritários.

Mulheres que carregam o mundo nas costas e o novo mundo no ventre…Pensar em partos humanizados deveria começar pensando em gestação humanizada, porque as mulheres não são só veículos para perpetuidade da vida! Mulheres são determinantes para o nascimento do amor que é a única coisa capaz de remediar tanta iniquidade.

Uma gestação cercada de cuidados e carinho e um parto com respeito, ajudará muito a um puerpério, período ainda mais complexo, no qual a mulher, agora exercendo cuidados ativos que antes o corpo no automático fazia por ela, continua realizando seus turnos de trabalho, com o corpo ligado no “reverso” para voltar ao que (nunca mais) era antes e com ainda mais medos e muitas dores, sendo as da alma…

Cuide muito bem de uma mulher em qualquer circunstância. O mundo é muito duro com elas. Se estiver gestante, cerque-a de carinho, de toque, de massagem para aliviar suas dores físicas, de conversa para aliviar a sua alma, não espere o bebê nascer para depositar ‘nele’ o seu amor: ele já recebe ainda no ventre e vai receber uma explosão de amor ao nascer.

À puérpera, dê o tempo necessário para que ela se conecte com a cria, em silêncio, observando esse encontro, de perto, mas recuado, ajude no que for possível, mas sem julgamentos, sem manuais, ofereça água e, principalmente, nunca se esqueça que antes do bebê é ela que está ali, fazendo “o mundo começar de novo”, a parte mais importante para tudo dar certo: a mulher.

- Anúncio -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here