O perigo do radicalismo em um Brasil emergido de desigualdades

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Foto: Universidad Negativa
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Artigo de opinião publicado pelos acadêmicos de direito do 6º período da Faculdade Montes Belos, Valdivino Neto e Tálita Vicente

Com o fim do Mundial de futebol, a atenção dos brasileiros agora retorna para a nossa caótica realidade, as eleições presidenciais e consecutivamente para o senado, parlamento e governo de estado, que entram no eixo e começam a tomar forma. Essas eleições talvez sejam a mais importante depois da redemocratização, pois estamos afundados em um caos político e econômico, mas há uma esperança de solucionar esse contratempo.

O que mais nos espanta nessas eleições que como citado, começam a tomar forma, são os discursos radicalistas proferidos por determinados pré-candidatos, que acabam difundindo a imagem de um país marcado ainda mais, por desigualdades extremas que contribuem assim para a instalação dessa crise institucional que está sendo vivenciada em nossa sociedade.

Manifestações radicalistas estão em voga pelo mundo, Donald Trump é um dos grandes protagonistas de discursos extremistas, o último foi a sanção que delimitava a separação de crianças dos pais que estão nos EUA de forma irregular ou tentam entrar no país, ação esta que fere princípios básicos de Direitos Humanos. Com o Mundial de futebol presenciamos o governo russo reprimindo expressões LGBTs e perpetuando o machismo sob o público feminino.

Esse discurso radicalista, proferido pela ala conservadora diverge muito da realidade brasileira, e o público que mais sofre com essas falas são os que contabilizam as estatísticas de violência no Brasil. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública,entre os anos de 2016 e 2017 houve cerca de 12 mortes e 135 assassinatos de mulheres, por dia, no Brasil. Levantamento realizado em 2017 pelo Grupo Gay da Bahia (GGHestima que 445  gays, lésbicas, travestis e transexuais foram mortos no Brasil por homofobia, chegando ao número de uma vítima a cada 19 horas, o número é o maior registrado pela entidade em 38 anos de levantamentos.

Informações extraídas do Atlas da Violência 2017,e formulado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(Ipea), e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Publica “A população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios”.

Esses dados denunciam e comprova essa realidade caótica do Brasil, violência que transborda a qualquer fala opressora, discursos proferidos até então pela extrema direita são desqualificados e em nada contribuem para o combate das desigualdades do país, pelo contrário, fazem produzir influências e propagam na manutenção dessa violência contra as minorias citadas, onde podemos ainda elencar os indígenas, favelados, nordestinos e imigrantes.

Dessa forma os brasileiros devem ficar minuciosamente atentos a esses tipos de discursos que geram ódio, a opressão ou qualquer outra forma de discriminação. Então no embalo dessas eleições é necessário pesquisar sobre o candidato, suas condutas, posicionamentos, ideais e propostas, mas com o cuidado de também ter essa triagem na seleção das fontes tanto de informações quanto de notícias ou pesquisas que irão ser embasadas em seu voto, para que possamos garantir, assim, o poder democrático e o combate a essas desigualdades que assolam a todo brasileiro independente de raça, cor, sexo ou opção sexual.

“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos.”

(Simone de Beauvoir).

*Valdivino Neto – valdivinoamneto@hotmail.com

*Talita Vicente – talitavicente94@gmail.com

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