O REI DO MUNDO

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Katia Saules
Katia Saules – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online.

Um grande espetáculo, uma alegoria, uma peça que surpreende, pois a maioria do público espera ver Eduardo Sterblitch como ele mesmo e não é isso que acontece desta vez. Daí a surpresa! Ele vem com um personagem, muito bem construído, e ainda nos brinda com uma atuação genial junto a um ótimo elenco para contar a história de Pedro Peregrino.

O espetáculo é narrado pelo maravilhoso Diego Becker, que vem na figura de um anjo, e diverte trazendo as informações relevantes para a peça prosseguir. Diego arranca risadas da platéia, mas também mostra que mesmo em meio a toda comicidade, existe reflexão. Seu texto é de grande importância e merece atenção desde o início até o final.

Claro que a direção do talentoso Roberto Alvim propicia tudo isso, que faz mesmo com elementos cômicos, entendermos a seriedade do que está sendo passado. Um diretor conseguir unir tensão e reflexão em equilíbrio é árdua tarefa, mas muito bem executada, com ajuda dos excelentes Claudinei Brandão, Thiago Brianti e Louise D`Tuani.

Pois bem, o protagonista Pedro Peregrino já mostra seu frágil caráter desde a infância, e sua falta de escrúpulos toma proporções maiores e vertiginosas a medida que as oportunidades da vida vão surgindo. Como ele só deseja ser rico e ter tudo, não vê nada nem ninguém a sua frente, passando assim por cima de tudo e qualquer coisa para atingir o tal objetivo de ser o “Rei do Mundo”.

Vale dizer que esta peça é uma livre adaptação do clássico Peer Gynt, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, mas o elenco e direção a tornam única e atemporal.

Não é uma simples comédia, é um espetáculo inteligente, que mostra que o egoísmo não nos leva a bons lugares. Eduardo defende seu personagem e mostra que seu talento é grandioso e nos toca profundamente na cena onde tem a chance de ver seu futuro e decide mudar o rumo das coisas. Propositalmente neste momento ele está no leme, e decidindo justamente para onde virar. Mudar a direção não só de seu navio, mas de sua vida. Cada escolha nossa implica num futuro completamente diferente e isso fica claro, mesmo quando usam de analogias…

Um espetáculo que vem rodando o País, sem patrocínio, na garra, na coragem e com a honestidade necessária para sairmos de onde estamos. Todos querem mudar o “macro”, mas poucos entendem que toda mudança começa no “um”, no individuo, e que sem egoísmo, trabalhando pelo bem comum, podemos sim ser melhores e assim mudar até nosso governo, que anda carente de pessoas de bem.

Não queremos “um Rei”, queremos todos ser ouvidos e para que todos tenham voz, é necessário deixar o egoísmo de lado, fora da navegação… para seguirmos nossa viagem.

Vida longa ao “Rei do Mundo” e que esta mensagem chegue bem em cada lugar por onde lhe permitam passar.

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