“O Som e a Sílaba”

Katia Saules
Katia Saules  – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ,
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Duas grandes vozes, duas grandes atrizes dão um verdadeiro show de interpretação sob a batuta do renomado Miguel Falabella. Vê-se um belíssimo e sensível espetáculo onde até os silêncios falam.

Há tempos não via um musical com tanto esmero e delicadeza. A maioria dos espetáculos do gênero acabam que, naturalmente, optando por cenários e números grandiosos junto de elencos numerosos, o que não ocorre em “O Som e a Sílaba”. Apenas duas atrizes, Alessandra Maestrini e Mirna Rubim, ocupam toda a cena de forma brilhante com uma história bastante envolvente.

Ouvi-las cantando ópera ali no palco, nos aproxima, pela sensibilidade de cada número, e nos brinda com o “clássico”, pouco utilizado no cenário cultural carioca, emocionando a todos.

Miguel é de uma inteligência que não canso de observar, e concebeu uma história onde fala de uma portadora da Síndrome de Asperger sem ter nada de piegas ou ser mais uma história de superação, muito pelo contrário, a mostra com todo vigor e sede de vitória. Ele escreveu e dirigiu a montagem, acertando mais uma vez e marcando seu nome com ainda mais precisão.

Alessandra com sua voz absurdamente linda, dá vida à Sara Leigthon, a aluna, linda, sensível, inteligente e muito mais do que especial. Já Rubim faz sua professora de canto, Leonor, uma mulher madura, sofrida, mas com muito vigor e intensidade. Elas se complementam e juntas vão num crescente sem perderem em nenhum momento o ritmo.

Um fato interessante é que ambas repetem a parceria da vida real, já que também são “professora e aluna”. Toda a sintonia pode ser apreciada em cena, e notada pelo público, que é presenteado com esta peça tão especial, onde o próprio Miguel Falabella, com voz em off, faz questão de enfatizar que todos os números ali são feitos ao vivo, ou seja, um verdadeiro show, de fato, para deleite da plateia.

Que projeto magnífico! A música unindo duas mulheres distintas e que se permitem mudar a todo instante – dentro e fora de cena – é tão poético, que vale cada nota, cada área, cada trecho, cada som e cada sílaba dita.

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