O BRASIL ESTÁ À DISPOSIÇÃO DOS TURISTAS, MAS, A MULHER BRASILEIRA NÃO!

"Brasil não pode ser país do mundo gay; temos famílias", diz Bolsonaro - Foto reprodução - UOL Universa
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Elizete Lanzoni Alves
Elizete Lanzoni Alves – Doutora em Direito, Pedagoga e Professora. Membro e Diretora Executiva da Academia Catarinense de Letras Jurídicas – ACALEJ. Membro do Instituto dos Advogados de Santa Catarina – IASC. Pesquisadora, palestrante e colaboradora do site Na Pauta Online – SC.
Esta coluna é atualizada quinzenalmente.

O movimento dos últimos dias gira em torno de uma campanha que já se tornou nacional e maciça contra o turismo sexual, deflagrada em resposta à infeliz declaração do presidente do país em que expressa que se os turistas quiserem vir ao Brasil para fazer sexo com mulheres “fiquem à vontade”, em contraposição à exploração sexual LGBTI.

A declaração de Jair Bolsonaro ocorreu no Palácio do Planalto, quando recebia jornalistas em um café na manhã do dia 25 de abril e foi questionado sobre a recusa do Museu Americano de História Natural de New York em homenageá-lo.

Várias entidades públicas e privadas protestaram contra mais uma das inúmeras declarações do presidente contra as mulheres e sua flamejada homofobia, que demonstrou estar em total desconexão com a educação, o conhecimento e a lei.

Em resposta, os governos dos Estados de norte a sul do Brasil passaram a veicular mensagens e propagandas de incentivo ao turismo e respeito às mulheres. Nem as mulheres, nem as crianças e adolescentes ou qualquer brasileiro é atrativo turístico e objeto de exploração sexual!

O Brasil precisa do esforço conjunto para mudar o rótulo de paraíso sexual, a partir de campanhas de sensibilização e conscientização, principalmente em relação às crianças e adolescentes. O enfrentamento do problema não é somente dos governos, mas, de toda a sociedade.

É preciso proteger, resguardar e valorizar todas as pessoas que compõem um país, bem como a sua cultura. Por isso é inadmissível qualquer apologia à exploração sexual, violência de gênero, discriminação e à homofobia porque isso demonstra não só a fragilidade emocional, mas, a imensurável limitação cognitiva de quem a verbaliza.

Repúdio e indignação são as palavras de ordem contra qualquer menção, declaração, ato ou palavra de manifestação que desvalorize e desrespeite mulheres, homens, crianças, o público LGBTI, ou que tenha raiz discriminatória, pela flagrante violação à honra e à dignidade. Sem essa de “brincadeira” ou “piada”. Com a honra e a dignidade não se brinca e ponto final.

Fomentar o turismo voltado à exploração sexual é uma afronta à cultura e identidade de um país, pois, revela o desrespeito à vida, à integridade física e emocional a quem a ela é exposto.

O turismo deve ser fomentado de maneira a incentivar o desenvolvimento econômico e sociocultural regional e local. O fluxo turístico tem seu impacto (positivo ou negativo) dependendo da natureza da relação com a sociedade e é o estímulo à exposição da cultura, valores, patrimônio histórico e artístico é que devem ser o foco do turismo.

Por isso combater o turismo sexual, em todos os níveis, e respeitar as mulheres é exercício de cidadania!

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