“Até Que A Morte Nos Separe”

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Katia Saules
Katia Saules  – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ,
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Um casal está comemorando 40 anos de casados e um Karaokê é o lugar eleito para sua comemoração. Cantam, dançam, bebem e percebem-se embriagados. Trocam confissões, e abrem cartas que destinaram a si mesmos quando jovens. Entendem que o tempo passou, mas não aceitam bem a velhice. É isso.

O texto de Paula Giannini até tem boa intenção, mas não acontece. A direção de Amauri Ernani acaba também um pouco comprometida já que as poucas situações cômicas não envolvem a plateia, mas cenário e figurino de Kleber Montanheiro dialogam bem e contribuem para que a história seja contata.

Existe um cuidado com som e luz que são precisos e pontuam bem as cenas. Mérito de Daniel Rodrigues e João Bandeira.

Clássicos do karaokê como “Evidências”, sucesso nas vozes de Chitãozinho e Xororó, e “Escrito nas Estrelas”, de Tetê Espíndola, cantados em cena pelos atores, permeiam a história desse casal, além de composições originais para a peça, criadas pelo diretor musical Sérvulo Augusto.

Os atores que fazem o casal em comemoração na peça são Rita Malot, que apesar da vasta experiência cênica, tem atuação exagerada ao sorrir excessivamente, talvez canalizando ali sua tensão e Walmir Santana, que tenta segurar algumas situações, mostra um esforço para conduzir seu personagem, mas acaba se expondo um pouco além do que deveria.

A proposta seria falar de um casal cheio de histórias pra contar, que discutem sobre a passagem do tempo e o que fizeram com ele, tudo poderia ser feito com mais leveza e humor, mas infelizmente não houve química entre os atores.

É nítida a decepção da plateia diante da apresentação, já que o título escolhido gera uma expectativa em torno do tema, que não é cumprido.

Rita Malot e Walmir Santana, criadores da Cia Dupla Trupe, são casados e também completam 60 anos em cena. Realizaram juntos em 2018 o espetáculo “O Gosto da Própria Carne”, e decidiram comemorar a grande data com um texto que falasse sobre esse ‘idoso’ dos novos tempos. Como disse anteriormente, a ideia central é muito boa… O que desejavam trazer à cena é louvável, e seria de fato incrível se fosse um pouco melhor executado ou se o texto escolhido fosse outro.

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