Universidade pública, gratuita e de qualidade

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Sinceramente, não tenho alcance suficiente para compreender a eventual ausência de defesa dessas instituições.

Por Denise Goulart Schlickmannn – Servidora da Justiça Eleitoral, especialista em direito eleitoral

E mais, que quem (como eu um dia) não pode estudar sem contar com o ensino público e de qualidade, não compreenda que o sucateamento dessas instituições atinge algo que nos é muito caro: o direito à educação, à formação profissional de qualidade fornecida pelo Estado, a oportunidade de lutar por seus sonhos. Ou, ainda, que quem nunca tenha estudado em uma universidade pública como a nossa UFSC e tantas outras, as deprecie com tanta autoridade. O corte das despesas discricionárias em 30% não atinge meras escolhas de gastos. Atinge gastos fundamentais, essenciais, ou alguém imagina que uma instituição possa funcionar sem água, sem serviços de limpeza ou de vigilância? Em 1987, quando ingressei na UFSC, a minha única opção era uma universidade pública. Minha família não poderia custear meus estudos fora de casa em uma universidade particular. Devo à UFSC, ou seja, a uma universidade pública, gratuita e de qualidade, quase a íntegra da minha formação: três cursos de graduação, uma especialização, o mestrado e agora o doutorado. Nela encontrei uma instituição séria, reconhecida e que luta bravamente todos os anos para se manter. O mundo mudou tanto assim? Todos podem – e querem – pagar seus estudos e de seus filhos em universidades particulares? Se isso aconteceu ao longo desses 33 anos, me desculpem, retiro tudo o que escrevi, posso não ter notado.

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