As Sufragistas e o nosso direito ao voto

Foto reprodução - História da Moda.
Ana Paula Rodrigues
Ana Paula Rodrigues, é Coach Eleitoral de mulheres, especialista em Direito Eleitoral, especialista em Direito do Trabalho, Palestrante em inclusão feminina na política e colaboradora do site Na Pauta Online – DF

Vem comigo…vou continuar falando da transformação da condição da mulher na sociedade na luta por uma participação efetiva no cenário eleitoral. No século XX as ativistas que se engajaram nessa luta, ficaram conhecidas como “sufragistas”.

Em 1903, na Inglaterra as suffragettes fundaram o movimento: Women’s Social and political Union, o qual exerceu grande influência em outros movimentos feministas em boa parte do mundo ocidental.

O movimento das sufragistas também espalhou-se pela Europa, em alguns países como a Noruega e a Suécia, o número de eleitores foi inferior a de eleitoras. Após a primeira Guerra Mundial na Grã-Bretanha, as mulheres conquistaram o direito ao voto com seu movimento.

A Constituição dos Estados Unidos foi promulgada em 1787, mas apenas em 1920 as estadunidenses conquistaram o direito ao voto, ainda assim porque não falavam mais em direitos femininos, mas direitos da raça humana e de democracia. Em 1929 o Equador se consagra como o primeiro país latino americano a permitir o voto de suas cidadãs e pouco tempo depois, em 1932 esse direito era concedido às Brasileiras, ou seja, há apenas 87 anos nós conquistamos o direito ao voto através do decreto n. 21076 instituído no Código Eleitoral Brasileiro e consolidado apenas na nossa Constituição de 1934.

Difícil é lidar com o fato de que poderíamos ter sido o primeiro país a aprovar o voto feminino, mas no dia 01 de janeiro em 1891, nossos governantes rejeitavam um sonho, uma luta, um direito de 31 constituintes que assinaram uma emenda ao projeto da Constituição conferindo direito ao sufrágio feminino.

A situação lamentável a que éramos submetidas e não apenas pelo direito de votar, mas até mesmo o de pensar, de ter ideais, convicções, mantinha-se ainda por décadas. O que eu quero que vocês leitoras desta coluna sintam com esses apontamentos, é que mesmo continuando sem o direito que deveria ser igualitário, pois eram mulheres e não bichos a serem condicionadas a fazer o que o “dono” mandava, esse movimento das sufragistas ganhou em todo o mundo, união, visibilidade, repercussão, enfim, elas conseguiram fazer o mundo se curvar a uma causa, que não seria apenas o direito de serem consideradas cidadãs, mas acima de tudo, o direito de decisão, elas deixaram pra nós, mulheres, a missão de não permitir que políticos que mantêm esse pensamento preconceituoso e machista, hoje, não nos representem, não sejam dignos do voto que essas mulheres gloriosas lutaram tanto para conseguir.

Sejamos fiéis ao movimento: Sou Mulher! Sejamos parceiras, unidas, para vangloriar nossas vitórias, para que perpetue nossas conquistas, para que a maior e melhor causa seja simplesmente ser Mulher, o maior título a nós concedido.