Por que estreia da empresa mais lucrativa do mundo na Bolsa é controversa

O governo da Arábia Saudita confirmou que planeja listar a Saudi Aramco na bolsa de valores de Riade, no que pode vir a ser a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) do mundo.

A gigante estatal do petróleo vai determinar o preço de lançamento das ações após registrar o interesse dos investidores.

Fontes do mercado afirmam que os sauditas devem disponibilizar de 1% a 2% das ações da empresa, e a oferta será para ações existentes da companhia.

Estima-se que a Saudi Aramco valha cerca de US$ 1,2 trilhão (R$ 5 trilhões).

‘Histórico’

A empresa diz que ainda não tem planos para listagem em uma bolsa internacional, afirmando que os planos para abertura de capital em duas etapas, incluindo a oferta pública em uma bolsa de valores estrangeira, foram deixados de lado por enquanto.

“Em relação à parte (internacional) da listagem, informaremos no momento oportuno. Por enquanto, é apenas em Tadawul (bolsa de valores saudita)”, afirmou Yasir al-Rumayyan, presidente do conselho administrativo da Aramco, em entrevista coletiva.

Chris Beauchamp, analista chefe de mercado do IG Group, adverte:

“Investir na Aramco implica em riscos, é claro, e não apenas porque os preços do petróleo terão dificuldade em subir.”

“Os riscos políticos e estratégicos são altos para qualquer empresa que opera na região, sobretudo para uma que é braço do Estado saudita. A Aramco também tem controle limitado na política de produção, uma parte essencial da gestão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) na Arábia Saudita”, acrescenta.

Os riscos em potencial ficaram em evidência em setembro, quando ataques de drones atingiram a refinaria de Abqaiq e o campo de Khurais, ambos da Aramco, na Arábia Saudita.

Mas o presidente da companhia, Amin Nasser, que classificou a iniciativa como “histórica”, afirmou que a Aramco ainda é a empresa de petróleo mais confiável do mundo.

“A empresa não espera que o efeito desses ataques tenha um impacto material em seus negócios, situação financeira ou resultados das operações”, declarou Amin Nasser, após o anúncio da abertura de capital.

O que é a Saudi Aramco?

A origem da Saudi Aramco remete a 1933, quando foi fechado um acordo entre a Arábia Saudita e a companhia americana Standard Oil Company of California, que mais tarde viria a se tornar a Chevron, para pesquisa e perfuração de poços de petróleo, criando uma nova empresa para isso.

Entre 1973 e 1980, a Arábia Saudita comprou a companhia toda.

A Arábia Saudita tem a segunda maior reserva de petróleo depois da Venezuela, segundo a Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês). É também o segundo maior produtor, depois dos Estados Unidos.

Mas sua relevância se deve ao fato de deter o monopólio de todo petróleo do país e ao baixo custo da extração.

“É basicamente a maior empresa do mundo não cotada na bolsa; é um grande produtor mundial de petróleo”, afirma David Hunter, diretor de estudos de mercado da Schneider Electric.

“É a verdadeira mãe de todas as empresas de petróleo e gás.”

Por que vale tanto dinheiro?

A Saudi Aramco está avaliada em US$ 1,2 trilhão, de acordo com a análise da agência de notícias financeiras Bloomberg, embora o governo saudita diga que a companhia vale US$ 2 trilhões, razão pela qual a venda de ações da empresa foi adiada várias vezes.

“O caso da Aramco é bem diferente dos IPOs de empresas de tecnologia que estão na moda ultimamente, mas o problema de avaliação ainda a atormenta, como acontece com as companhias do Vale do Silício (polo de tecnologia e negócios na Califórnia)”, diz Beauchamp, do IG Group.

“US$ 2 trilhões é provavelmente um valor superestimado em um mundo de alta oferta de petróleo e demanda incerta, mas US$ 1,2 trilhão é muito baixo para uma parte vital do Estado saudita”, acrescenta.

Fonte: BBC