MONTAGEM INÉDITA, “VÍSPORA” ESTREIA NO TEATRO POEIRA

Víspora - foto Rafael Biondi

Livre adaptação de Paula Vilela para “A Gaivota”, investiga a obra clássica de Tchekhov trazendo para o contexto brasileiro atual perguntas sobre o teatro e os rumos da arte e da cultura.

Livremente inspirado em “A Gaivota” de Anton Tchekhov, o espetáculo “Víspora” faz sua estreia no dia 03 de janeiro, às 21h, no Teatro Poeira – onde fica em cartaz de 5ª a domingo até 16 de fevereiro. Concebida e dirigida por Paula Vilela, ao lado das diretoras assistentes Juuar e Raíssa Venâncio, e com texto também de Juuar Paula, a montagem aborda o clássico russo transportando para o Brasil de agora perguntas sobre o teatro, a cultura e seus caminhos. Deslocadas da propriedade rural russa do fim do século XIX para a cena cosmopolita brasileira do século XXI, as personagens agora estão implicadas em uma noite de jogos em um bingo. A memória do teatro ronda o lugar e nos faz perguntar para onde estamos rumando.

“A peça é uma livre adaptação, o texto original é um ponto de partida para novas premissas e situações. Brincamos com seus signos, códigos, desmontamos seus atos, suas personagens e trazemos as perguntas pro contexto brasileiro e para toda uma nova situação em que essas personagens estão implicadas. As transformações e ameaças de apagamento pelas quais a arte e a cultura estão passando são motor pra a construção desse novo universo que retratamos em Víspora. Junto disso, também questionamos quais os limites do nosso fazer teatral, da caixa cênica, os limites do teatro que conhecemos e que também tem fronteiras a serem rompidas”, analisa Paula que, com outras parcerias em direção audiovisual e dramaturgia, estreia na direção teatral.

 

“A vontade de retomar esse texto russo surgiu como ferramenta pra olhar pro nosso teatro e tempo atual. Os clássicos nos auxiliam no trabalho de investigar aquilo que temos, que nos acompanha e que também nos ajuda a olhar pra frente. A todo momento estamos trabalhando com a tentativa de produzir mundos e olhares sobre eles. ‘A Gaivota’ é uma peça que fala sobre teatro, a partir de uma pequena esfera de personagens atrelados ao fazer teatral. A Rússia, ‘uma nação de proporções continentais’, como falamos na peça, é um paralelo com o nosso Brasil de agora”, reitera.

A realidade dos espaços culturais que se transformam em ocupações não artísticas permeia a narrativa do espetáculo. “Não apenas no Rio de Janeiro, mas no Brasil todo, estamos assistindo a um desmonte generalizado da cultura e de seus espaços. Aqui na nossa cidade, por exemplo, temos situações de profunda incerteza sobre a continuidade de teatros, a perda de centros culturais importantes, além de muitos espaços sucateados, que seguem sangrando. Muitos deles, quando fechados, dão lugar a cenários tristes de abandono, com perda de vitalidade do entorno, ou são substituídos por outras atividades que geram menos impacto na diversidade e disseminação cultural do lugar”, observa Paula.

Embora pretenda, na condição de artista, questionar os rumos da cena cultural atual, Paula mantém seu olhar afiado sobre o tema. “Olhar pra cidade de forma estratégica do ponto de vista da economia cultural, que é um motor fundamental, não pode se resumir à injeção de dinheiro público de forma concentrada e especulativa em uma região isolada e centrificada, estratégia essa que já conhecemos e vimos os resultados desastrosos. Ampliar o acesso à arte e à cultura, angariar público novo e manter leal aquele existente depende de um esforço amplo – e  isto depende muito de vontade política e governança. É muito difícil vislumbrar um cenário diverso, democrático e capilarizado na cidade como um todo, quando não reconhecemos medidas concretas pra isso”, finaliza.

SINOPSE:

Livremente inspirado em “A Gaivota” de Anton Tchekhov, o espetáculo “Víspora” investiga a obra clássica trazendo para o contexto brasileiro atual perguntas sobre o teatro e os rumos da arte e da cultura. As personagens agora estão implicadas em uma noite de jogos em um bingo. A memória do teatro ronda o lugar e nos faz perguntar para onde estamos rumando.

SERVIÇO:

Temporada:

03 de janeiro a 16 de fevereiro de 2020

Horário:

Quinta-feira a sábado – 21h / Domingo – 19h

Local:

Teatro Poeira

Rua São João Batista, 104 – Botafogo

Tel.: (21) 2537-8053

Ingressos:

R$ 60 (inteira)

R$ 30 (meia-entrada)

Classificação Etária: 12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Duração: 80 minutos

 

FICHA TÉCNICA:

Concepção e Direção: Paula Vilela

Texto: Juuar e Paula Vilela

Direção Assistente: Juuar e Raíssa Venâncio

Elenco: Cláudia Barbot, Luiz Furlanetto, Paula Vilela, Philipp Lavra, Rose Abdallah, Samuel Toledo.

Direção de Movimento e Preparação Corporal: Lavinia Bizzotto

Cenografia: Julia Deccache

Figurino: Ticiana Passos

Trilha Sonora: Gu Siqueira

Iluminação: João Gioia

Adereços: Bidi Bujnowski

Colaboração Artística: Dani Cavanellas

Ensaio Fotográfico: Rafael Biondi

Programação Visual: Paula Vilela

Contrarregragem: Márcio Gomes

Operação de Luz: Wallace Furtado

Operação de Som: Azullllllll

Eletricista: Juca Baracho

Assistente de Produção: Danielle Macário

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais

Redes Sociais: LB Digital

Direção de Produção: Liliana Mont Serrat

Realização: Filmes de Bolso

SOBRE PAULA VILELA:

Paula Vilela é diretora, atriz, roteirista/dramaturga e arquiteta. Sócia-fundadora da produtora FILMES DE BOLSO. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Cenografia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e atriz pela Escola de Artes de Laranjeiras (CAL-RJ). É idealizadora e realizadora, através de sua produtora Filmes de Bolso, do longa-metragem “Fernando” (2017) dirigido e escrito por ela junto com Igor Angelkorte e Julia Ariani que foi lançado em Novembro/2019 pela Distribuidora Olhar (Aly Muritiba) e pelo Fundo Setorial do Audiovisual – Ancine. O longa-metragem participou do 6º Olhar de Cinema de Curitiba 2017, ganhando o Prêmio de Público e Menção Honrosa no Prêmio Olhares Brasil, além de ter participado da 21ª Mostra de Cinema de Tiradentes (2018), Festival Internacional de Málaga (2018 / Espanha), Mostra do Filme Livre CCBB (2018/ Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo) e Festival Internacional Ela Faz Cinema (2018 / Salvador). Em 2015, idealizou, realizou e atuou em “Ferrugem”, dirigido por Igor Angelkorte e escrito por Diogo Liberano, que teve exibição e veiculação no Canal Brasil em Setembro de 2016, além de participação na Mostra Panoramas do Festival Curta Cinema RJ 2016. Ainda no ano de 2016, desenvolveu a dramaturgia do espetáculo “Uma praça entre dois prédios, próximo de um chaveiro, grafites na parede e uma árvore”, da Probástica Cia de Teatro, ganhadora do Edital de Fomento do Município do Rio de Janeiro no mesmo ano e ganhadora do Prêmio de Melhor Iluminação Shell 2017, com direção de Georgette Fadel.