“A Alma Imoral”

Foto divulgação

Numa ousadia, num ato de coragem, a atriz se despe (literalmente) para falar e ser ouvida.

Uma peça grande e simples. Forte e sensível. Estreita e ampla. Confusa e contundente.

Tudo pode parecer meio paradoxal, mas assim é ‘A Alma Imoral’, uma história com muitas camadas e intersecções, uma trança muito grande de pessoas, de encontros, de ideias, de uma solidão muito benigna. É um monólogo que tem uma solidão muito fértil. Onde embora tenha apenas uma atriz em cena, ela não está em momento algum sozinha.

Clarice Niskier é poderosa. Nos leva com ela. Sabe conduzir e envolver. Nada previsível, se utiliza com muito bom senso de ditos populares, se apropria de alguma falas que já ouvimos mas não demos a devida importância.

Uma atriz que sabe usar o talento que tem. Sabe o que diz, pra quem diz e a razão pela qual diz, tudo que é ali exposto, de forma bastante clara.

A peça desconstrói conceitos milenares da história da civilização. Fala de corpo e de alma, do que é certo e errado, questiona obediência e desobediência… gera conflitos e faz pensar, muito!

Conta com um premiado figurino de Kika Lopes, que é elegante e solene, Niskier se dirige diretamente ao público, seduzindo e levando a mensagem desejada. Fazendo uso de apenas uma cadeira preta e um grande pano preto ela vai se transformando em vários
personagens diferentes.

A peça é da própria atriz, que adaptou trechos do livro homônimo do rabino Nilton Bonder, com uma brilhante supervisão do mestre Amir Haddad, e já tem mais de uma década em cartaz, o que mostra o verdadeiro sucesso de uma obra.

Se o objetivo destes artistas era de mobilizar o pensamento e a emoção do espectador contemporâneo, eles acertaram em cheio! ‘A Alma Imoral’ chega pra nos tocar e nos fazer entender que em certos momentos da vida não precisamos de mais respostas e sim de saber como melhorar nossas perguntas.

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