Março das mulheres: por menos romantismo e mais reconhecimento

Foto reprodução - Fabiana Scaranzi

O dia 8 de março, denominado Dia Internacional da Mulher, diferente de outras datas comemorativas, geralmente com grande apelo comercial, tem raízes históricas na luta das mulheres por melhores condições de trabalho, igualdade salarial com os homens e isonomia de outros direitos.

Alguns atribuem a data ao fato histórico de um incêndio criminoso causado em uma fábrica têxtil, em 8 de março de 1857, na cidade Nova York, e que teria causado a morte de 129 operárias, tendo como antecedentes episódios de greves e reivindicações por parte das trabalhadoras.

Tal fato não deixou de ser inspiração para marcar uma data que serve para lembrar ao mundo o enfrentamento histórico das mulheres por mais direitos, pela melhoria e igualdade de condições de trabalho, mas, outros eventos contribuíram para que a luta tivesse um reconhecimento.

No dia 26 de fevereiro de 1909, Nova York, foi o palco de um importante movimento de mulheres, que fizeram uma passeata com aproximadamente 15 mil participantes, tendo como principal bandeira a melhoria de condições de trabalho, esse foi um dos primeiros registros de movimento das mulheres a respeito de reivindicação.

No ano seguinte (1910) durante a II Conferência Internacional das Mulheres em Copenhague, a alemã Clara Zetkin, propôs a união das mulheres trabalhadoras em todo o mundo para clamar pelo voto feminino e também por melhores condições de trabalho.

Em 25 de março de 1911, um outro incêndio, também em uma fábrica (Triangle Shirtwaist Company), na cidade de Nova York, culminou na morte de 125 mulheres e 21 homens, em sua maioria imigrantes. Na época era relativamente comum que os proprietários trancassem as portas das fábricas para evitar greves e motins. Nesse caso, problemas nas instalações elétricas causaram o incêndio que facilmente se propagou em razão da grande quantidade de material inflamável e, com as portas trancadas, o resultado não poderia ser outro senão a tragédia facilmente prevista pelas circunstâncias.  O que reivindicavam as trabalhadoras? Melhores condições de trabalho, redução da jornada e igualdade salarial com os homens.

Há notícias de outros movimentos das mulheres tanto nos EUA como Europa em prol de melhores condições de trabalho. Naquela época a jornada de trabalho chegava a 16 (dezesseis) horas por dia, não havia licença maternidade, além das fábricas não oferecerem local e equipamentos de segurança adequados, como por exemplo, banheiros exclusivos para as mulheres.

A morte das operárias, no entanto, não foi em vão porque acabou por estimular a fundação do sindicato denominado International Ladies’ Garment Workers’ Union (União Internacional de Mulheres da Indústria Têxtil), inspirando outros grupos de mulheres combatentes na luta proletária.

O simbólico 8 de março está relacionado a vários acontecimentos em torno da luta pela melhoria das condições de trabalho, equiparação salarial entre homens e mulheres e, atualmente, também representa a reivindicação por igualdade gênero e de oportunidades, combate às violências contra a mulher.

Hoje é romantizado e explorado como um dia de homenagem, genericamente à mulher, e não às mulheres que empreenderam a luta contra as desigualdades praticadas, principalmente nas fábricas, pouco se fazendo referência ao seu verdadeiro significado.

Nesse dia as floriculturas multiplicam a venda e o comércio somente faz menção à mulher como um ser delicado, frágil, materno e dotado da necessidade de proteção masculina. Embora algumas mensagens façam alusão à mulher como guerreiras, dedicadas e fortes, a fotografia que as acompanham, geralmente, são cor-de-rosa com flores ao fundo.

A mobilização das mulheres em vários países e a realização de uma importante conferência internacional realizada na Cidade do México, fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituísse o ano de 1975 como o Ano Internacional da Mulher.

A real finalidade da data é lembrar a união das mulheres, o enfrentamento do passado, porque, apesar dos avanços, as desigualdades sociais, étnicas, raciais e de direitos em relação aos homens, ainda persistem no presente.

A mulher em pleno século XXI, ainda combate as mais diversas formas de violências, reivindica o reconhecimento de igualdade de direitos, mais espaço na sociedade, no ambiente de trabalho e na política.

É por isso que a data de 8 de março deve estar voltada à reflexão sobre a importância da sororidade, da união entre as mulheres e a força feminina de ontem, de hoje e de sempre!

Portanto, parar de romantizar o dia 8 de março é um verdadeiro ato de cidadania!

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