O coração da Espanha em alerta

Fila do Mercadona que fica en la Plaza de la Remonta localizado na região norte de Madrid - foto: Sâmora Duarte

Madri é a capital cultural e identifica-se como o coração da Espanha. Após 17 dias do confinamento imposto para conter o novo coronavírus (Covid-19), o que se vê é uma cidade fantasma. Lá os aproximadamente 4 milhões de cidadãos se saírem na rua, a polícia para e eles podem pagar multa de até 3000€ e serem presos. A brasileira e administradora de empresas, Sâmora Cristina Duarte que está em Madrid há um ano conversou com o Blog Café & Leitura para contar um pouco da sua rotina. “Madrid fechou as portas de muitos estabelecimentos. Como eu administro a parte dos alunos, atendo por e-mail ou telefone. Então, estou trabalhando de casa até às 14h,” explica.

Atualmente, ela exerce a profissão de secretária na Associação Europea de Peritos Judiciales (AEPJ), acorda às 08h, trabalha e também exerce outras atividades cotidianas como fazer almoço (comida brasileira), limpeza da residência e das roupas. “Já para a parte do lazer assisto algum filme ou série, jogo baralho para passar um tempo com a família. Meu marido costuma ir ao supermercado a cada 3 dias para comprar suprimentos,” conta Sâmora.

Créditos: Sâmora Duarte

Ela ainda explica que para trabalhar fora é necessário ter uma carta da empresa descrevendo que seu emprego é essencial para a sociedade. “E toda vez tem que mostrar para a polícia,” disse. Alguns de seus familiares foram embora para o Brasil no último domingo (29) e ela contou uma situação inusitada sobre o transporte através de aplicativo. “Pedi o carro e não tinha nenhuma informação no aplicativo que por lei só pode levar apenas uma pessoa por viagem. Quando o motorista chegou, informou sobre isso. As outras duas pessoas tiveram que ir de metrô para o aeroporto,” ressalta.

Créditos: Sâmora Duarte

A administradora informa que o metrô está com o funcionamento reduzido. Questionada sobre outras situações, ela conta que nos dias normais, as ruas já recebiam lavagem, só que agora colocam mais sabão para desinfetar. “Existem filas do lado de fora dos supermercados porque só podem entrar cinco pessoas de cada vez para fazer compras. Os hospitais realmente atendem as pessoas e se preocupam de verdade,” frisa. Para Sâmora, as ruas estão vazias porque a lei é aplicada de verdade. Sobre os idosos, o centro de atenção e cuidados por representarem um dos grupos de risco, ela conta que os que moram sozinhos, os vizinhos estão ajudando. “As notícias sobre o coronavírus são repassadas durante 24 horas e aqui diminuiu a taxa de mortalidade,” enfatiza.

Créditos: Sâmora Duarte

De acordo com o chefe de cozinha, Glauber Lucena, marido da administradora Sâmora, as pessoas estão focadas na quarentena e ajudam a  sair da crise. “Só pode sair para as compras uma pessoa de cada família. Não pode ter duas pessoas da mesma família ou amigos. O bom aqui da Espanha é que as pessoas levam as coisas a sério, as leis funcionam e são humanas. No Brasil cada um preocupa com seu bem-estar, consigo próprio. Não são somente as pessoas do grupo de risco que estão morrendo. São todas,” destaca ele.

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