A difícil experiência da equipe de Enfermagem durante a Pandemia

Como trabalhar bem em tempos de Coronavírus

De repente tudo mudou e o cenário da saúde do trabalhador da área da saúde apresenta, outras doenças relacionadas à ansiedade passam a ser consideradas; as condições no local de trabalho podem gerar graves problemas de saúde para a sociedade. Essas condições influenciam na saúde dos trabalhadores e podem gerar uma resposta negativa de adaptação do estresse. Conflitos psíquicos podem ser determinados o que aumenta a necessidade de maior atenção com os sinais e sintomas de atenção à doença. Todos nós devemos nos proteger e não é somente do vírus em si, mas de suas graves consequências relativas ao isolamento, modificação das relações sociais e pessoais.

PROBLEMAS ENFRENTADOS

FALTA DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO

 “Os profissionais estão angustiados, higienizando as salas por sua própria conta, levando álcool em gel e até sabão de casa”, disse um médico pernambucano à Agência Pública que preferiu não se identificar. Essa é uma situação que se repete em diversos hospitais do mundo, e é especialmente grave com relação às EPIs, os equipamentos básicos de proteção individual.

São eles: luvas, gorros, óculos, escudos faciais e álcool em gel 70%. Alguns, como máscaras e capotes impermeáveis (nome técnico para o avental médico), estão criticamente em falta até mesmo em hospitais de referência. Profissionais se veem obrigados a comprá-los do próprio bolso ou mesmo confeccionar materiais rústicos para se protegerem.

DEMORA DOS TESTES

 A recomendação do Ministério da Saúde é de que apenas grupos restritos podem fazer o teste para covid-19: profissionais da saúde ou de segurança, e pessoas em estado grave ou que tenham morrido com suspeita da doença. Na rede privada, a resposta pode sair em algumas horas, mas no sistema público, ela pode levar até dez dias.

PRESSÃO PSICOLÓGICA

 Acumuladas, falta de profissionais e demora dos testes sobrecarregam as reduzidas equipes, obrigadas a cumprir longas jornadas de trabalho. A exaustão é somada a responsabilidades e decisões difíceis. Por um lado, precisam assumir função de pai, por exemplo, no caso de mães que não podem ter os esposos acompanhando o nascimento dos filhos, como já acontece na Itália. Por outro, precisam escolher qual paciente deve ser entubado, na falta de material para dois, já relatado no Brasil, além de presenciarem colegas contaminados pelo vírus e até mesmo suas mortes.

Estes são alguns dos problemas enfrentados pelos profissionais de saúde no momento atual, onde a pandemia de coronavírus, pegou todos de surpresa, devido ao seu potencial mais agressivo de infestação.

No Brasil, os registros de pessoas com Sars-cov-2, como é chamado oficialmente o novo coronavírus, têm crescido exponencialmente nos últimos dias. Os dados atualizados apontam que há mais de 100 casos no país. O Ministério da Saúde afirma que tem orientado os profissionais para atender os casos em todo o país. As ações para isso, segundo a pasta, incluem medidas como o aumento no horário de atendimentos de unidades básicas de saúde, a contratação de 5 mil profissionais por meio do programa Mais Médicos e a intenção de que sejam liberados R$ 5 bilhões de recursos para combater a pandemia – para a aquisição, por exemplo, de materiais e insumos.

Médicos, enfermeiros e demais trabalhadores da saúde ou não ficam expostos ao vírus em hospitais e postos de saúde repletos de pessoas adoecidas. No combate à doença, lidam diretamente com casos suspeitos e confirmados.

Aclamados com salvas de palmas de norte a sul do mundo, profissionais de saúde têm um dos maiores desafios na história recente do mundo: atuar na linha de frente no combate ao coronavírus. São os heróis em uma guerra contra um inimigo invisível.

E o pior para eles, inimigo este que ceifa a vida dos próprios colegas, os afasta de seus familiares, gerando medo, pânico, estresse, ansiedade, depressão faz parte do dia a dia desses profissionais.

Em postos, hospitais e clínicas particulares, eles estão em contato direto com casos suspeitos, tratando os confirmados, orientando as demais pessoas a permanecerem em casa, enquanto eles próprios precisam estar onde estão.

Para muitos, é como um cenário de guerra, em que toda a sociedade é, inevitavelmente, afetada – senão pelo vírus, pelas medidas tomadas para prevenir sua disseminação em larga escala. A comparação com um conflito global não parece absurda.

A doença que assola o planeta não faz distinção entre jovens e idosos, homens e mulheres, ricos e pobres. Ainda que seja mais perigoso ao atingir alguns grupos – especialmente a população de mais idade e pessoas com doenças crônicas –, o vírus é capaz de infectar indistintamente, conforme as informações que se tem até o momento. Armados com jalecos, máscaras e luvas, profissionais da saúde também estão expostos na defesa da população em um combate que, até agora, tem deixado baixas em todo mundo.

Toda a equipe hospitalar está tensa e preocupada. O que a gente observa é uma ansiedade que antecede o enfrentamento propriamente dito da doença, que deverá acontecer em breve, face a todas informações que a gente tem até o momento — destaca Francisco Paz, diretor-técnico do GHC.

Se uma única pessoa acreditar que precisa ficar em casa, já vou ter salvado vidas. É isso que importa, não é? — complementa um médico de Canoas, que prefere não ser identificado.

Não é por trabalharem em unidades de saúde que médicos, enfermeiros, seguranças, auxiliares de limpeza, atendentes, entre outras funções, temem menos o coronavírus. Ninguém está imune à doença. Muitos profissionais relatam que o medo não é exatamente de ser infectado, mas de que a sua contaminação represente risco a muitas pessoas que estão no seu convívio ou ao seu redor, seja em casa, nas relações de amizade, nos hospitais ou postos.

A linha de frente da saúde é um vetor em potencial apresentando ou não os sinais compatíveis com a covid-19, já que podem ter contraído a doença, estarem assintomáticos e, ainda assim, podendo contaminar outras pessoas, isso tem gerado preconceito por parte da sociedade que tem agredido fisicamente e verbalmente estes  profissionais que já se encontram em estágio de sofrimento bastante acentuado.

Minha rotina mudou totalmente. Tenho que levar minha comida e água embaladas. Pegar transporte por aplicativo, sendo que antes ia de trem. Meus pais moravam comigo, mas, como são grupo de risco, levamos para a casa do meu irmão, onde tem mais espaço. Fiquei dias dormindo na casa de amigos médicos para não voltar para o mesmo ambiente da minha família. Agora, estou sozinho — relata médico de Canoas que prefere não ser identificado.

O impacto nesses profissionais é também psicológico. Muitos funcionários de hospitais, mesmo sabendo da recomendação de que máscaras, por exemplo, só devem ser utilizadas por quem lida diretamente no atendimento a pacientes com suspeita de coronavírus,

pedem que o equipamento seja fornecido a eles – o que, se os faz se sentirem mais protegidos, também leva à percepção dos pacientes de que essa é uma das maneiras mais seguras de se proteger.

Os profissionais mais importantes na assistência à saúde são os enfermeiros e técnicos em enfermagem, pois eles prescrevem cuidados , eles executam os principais cuidados que uma pessoa necessita quando se encontra em estado de doença, são eles que ficam ali no tempo todo. Esses profissionais fazem toda a gerência da assistência, de pessoas, materiais, ou seja, promovem o cuidado em totalidade para as pessoas que necessitam. Nesse tempo em que vivemos uma profunda incerteza em todos os aspectos da vida, esses profissionais travam uma dura batalha contra um agente invisível que nos ameaça e nos mantém refém. Grandes são as modificações na sociedade, e enfermeiros e enfermeiras, técnicos em enfermagem de todo mundo permanecem na luta diária pela vida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em uso de suas atribuições, constituiu um guia para orientar cuidados a saúde mental de diversos grupos, incluindo profissionais de saúde. Para os trabalhadores da saúde, o estresse e a pressão de lidar com o ofício, acrescido do risco de adoecer aumentado neste momento, provocam severos problemas de saúde mental, aumentando o turnouver e a síndrome de burnout, além de gerar graves problemas como ansiedade e depressão.

Esses profissionais são um dos grupos de vulnerabilidade, já que o número de mortos entre profissionais da saúde causa preocupação para as autoridades.

A OMS orienta que os trabalhadores desse setor são pressionados com essa situação, sendo um sintoma normal, assim como o estresse associado, que muitas vezes paralisa, mas deve-se orientar o profissional que esses sentimentos são naturais/normais, pelo momento que todos passamos, devendo esses profissionais receber apoio da gestão.

Por isso o gerenciamento da sua saúde mental é fundamental, seu bem-estar psicossocial nesse momento de crise torna-se fundamental.

Profissionais…

Cuide de você. Você é a pessoa mais importante no processo de cuidar de amar. Lembre-se que se você não estiver bem, não poderá cuidar de outras pessoas. Lembre-se de fazer pausas, usar os EPIs de forma adequada e retirá-los conforme orientações, alimentar-se bem, ingerir líquido e descansar entre os turnos de trabalho. Caso o serviço provoque necessidade de trabalhar mais horas, pela necessidade da crise, lembre-se de realizar mais pausas durante o período de plantão.

Tenha atenção com alimentos, mantendo uma dieta saudável, realize pausas para alimentação, assim como para descanso. Faça atividade física regular quando não estiver em ofício e mantenha contato com familiares e amigos por meio das redes sociais, não fiquem sozinhos, ISSO VAI PASSAR. Lembre-se de realizar o menor contato físico possível. Em caso de qualquer sintoma da doença, realize o imediato afastamento da sociedade e do ambiente de trabalho.

Os profissionais da enfermagem devem evitar formas errôneas de lidar com estresse, como utilização de álcool, tabaco, outras drogas, alimentos impróprios e alimentos ricos em açúcar. Essas condições levarão à piora do bem-estar físico e mental. Claro que essas recomendações servem para vida e não apenas para esse cenário, que é sem precedentes a qualquer outra situação vivida pela nossa faixa etária. Para os que possuem alguma experiência em situações de crise, busquem utilizar medidas já testadas e aprovadas. Suas práticas de vida devem ser respeitadas, se adaptem conforme nossa nova realidade, mas lembre-se de pensar em práticas onde não haja contatos.

Cuidado ao realizar visitas domiciliares ou procedimentos, só faça com os devidos equipamentos de proteção individual (EPIs). Não podemos deixar que a situação que enfrentamos fique pior. Utilize a tecnologia para se conectar com as pessoas, no atual cenário é a melhor forma e mais segura. Qualquer dúvida sobre recomendações/ procedimentos busquem ajuda. Não realize qualquer cuidado em saúde se houver dúvidas quanto a sua proteção, você tem o direito de se recusar a trabalhar sem as devidas condições ambientais e os devido equipamentos de proteção que deverá ser utilizados, mesmo em época de pandemia, sua saúde e segurança são primordiais.

Burnout

 Atente-se para os seguintes sinais e sintomas:

  1. Ansiedade e preocupação excessivas, ocorrendo de forma constante ou relacionado a eventos ou atividades específicas;
  2. Excesso de preocupação, apresenta preocupação na maior parte dos dias ou relacionado ao trabalho ou segurança;
  3. Apresenta inquietação ou sente-se no limite, sentindo cansaço ou fadiga na maior parte do dia;
  4. Dificuldade de concentração, irritabilidade e tensão muscular ou prazer diminuído de realizar as atividades;
  5. Possui alterações do sono, podendo ser hipersonia ou insônia;
  6. Preocupação ou ansiedade que causam sofrimento clinicamente significante que geram incapacidade de realizar atividades sociais;
  7. Aumento do uso de álcool e outras drogas;
  8. Possuir lentidão ou agitação fora do normal;
  9. Afastamento social ou afastamento familiar;
  10. Disfunção sexual ou problemas com relacionamento com o parceiro;
  11. Esgotamento profissional e problemas relativos ao ambiente de trabalho;
  12. Apresenta fragilidade emocional sem motivo aparente.

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