A arte de estar com crianças em casa durante a pandemia de Coronavírus

            De repente as aulas foram paralisadas, todos os comércios fechados, parques interditados e as crianças vieram para casa, cheias de energia e vida e agora? O que fazer?

Devido à rotina anterior ao isolamento social as famílias se adequaram as suas correrias diárias e o contato familiar se tornou reduzido, as crianças foram para escola e tiveram suas atividades planejadas para que possam ocupar seus dias, com a finalidade de os pais trabalharem.

Agora a realidade mudou, alguns familiares ainda estão trabalhando e ai? Como adaptar a esta mudança abrupta na rotina de todos?

Primeiramente deve-se reunir toda a família para dialogarem sobre o que tem ocorrido no mundo, passando por assuntos como o que é a pandemia, o por que do isolamento social, qual é a contribuição de cada um neste momento, quais as mudanças serão necessárias para que todos continuem a viver de forma satisfatória e que traga o mínimo de prejuízo para cada integrante da família, priorizando que todos sigam uma nova rotina onde tudo dará certo no final.

As crianças são consideradas a faixa etária menos sensível a complicações da covid-19 até agora. Existem poucos registros de mortes entre aquelas com menos de 10 anos, e as mais velhas representam minoria entre mortes e casos graves.

Por outro lado, sabe-se que crianças com menos de 10 anos expostas ao vírus o contraíram na mesma taxa que os adultos, na faixa de 8%. Ou seja, o risco de contaminação é o mesmo. Além disso, os pequenos são vetores da doença, podendo transmiti-las a pessoas em situações mais vulneráveis.

Os dados reforçam a importância das famílias aderirem ao isolamento social, saindo de casa o mínimo possível, e levantam dúvidas sobre os cuidados com a saúde dos mais jovens durante o confinamento. A prioridade, neste momento, é o foco na saúde mental de toda a família.

Vários pais acham que as crianças não vão aguentar ficar em casa, mas elas são as que estão em melhores condições: não vão ter que pagar contas nem ficar desempregadas. Só que percebem o ambiente negativo e podem ser afetadas. É preciso conversar sobre isso, ouvir o que a criança tem a dizer e tentar ser lúdico nesse momento, que é novo para todos — diz.

Vamos conversar com as crianças sobre o assunto e, principalmente, ouvi-las, saber o que elas têm a dizer. É importante criar um ambiente acolhedor, permitindo que possam chorar, e também mostrar-se vulnerável. Não há mal em admitir que esse é um problema para o qual ainda não há solução e que não sabe quando vai acabar. Tente manter uma rotina organizada, com horários para dormir, acordar e fazer refeições, e, se possível, dedique mais tempo para as atividades lúdicas em família. Esse também pode ser um período de aproximação entre pais e filhos.

Tente manter uma rotina alimentar, com horários para café da manhã, almoço e lanche. A criança pode ser envolvida no processo, ajudando a preparar uma salada ou colocando a mesa. Se o tempo for exíguo, tire um dia para fazer preparações da semana e congele. Procure estimular uma alimentação saudável, incluindo pelo menos um alimento de origem vegetal cru ao longo do dia.

A vontade de comer guloseimas também tende a ser mais frequente durante o confinamento. Não há problema em deixar que comam algo não saudável, desde que sob o controle dos pais, o mínimo possível e com hora marcada — na sobremesa ou no lanche, por exemplo.

Movimentar-se é fundamental para manter a saúde em dia e garantir um desenvolvimento saudável. Tire ao menos 30 minutos diários para estimular ou praticar exercícios com as crianças. O período pode ser dividido em dois turnos, e incluir brincadeiras, como pular cordas, dançar ou fazer um circuito com almofadas.

As crianças não devem sair de casa durante o isolamento social. Mas isso não quer dizer que não vão tomar sol. Estimule as brincadeiras na varanda, perto da janela ou no quintal. Se morar em condomínio, avalie com os vizinhos a possibilidade de revezar saídas curtas com os pequenos nas áreas comuns.

Vacine seu filho contra a gripe. A imunização ajuda a desafogar o sistema de saúde, facilita os diagnósticos e reduz complicações. Lembre-se que crianças com asma, bronquite, rinite e outras questões respiratórias podem desenvolver sintomas dessas patologias sem que isso esteja relacionado ao coronavírus.

Ensine seus filhos a higienizarem as mãos e reforce que esse cuidado deve ser um hábito, mesmo quando a pandemia acabar. Mostrem outras crianças de máscaras, lavando as mãos, leia livros infantis sobre a pandemia e assistam vídeos infantis sobre o coronavírus. Também é importante orientar as crianças sobre como espirrar e tossir com proteção. Isso pode ser feito de forma lúdica, com jogos e brincadeiras. Reforce a limpeza da casa, especialmente se houver moradores que ainda circulam na rua.

Para educar uma criança não basta bom senso, é necessário tempo de reflexão, leitura de bons livros, muita atenção e responsabilidade. A educação de seres humanos não é mero adestramento, pois seres humanos são feitos de valores, propósitos e criatividade. Desse modo, educar não é uma técnica vazia, nem um conjunto de saberes aleatórios, mas uma arte e um dever ético que envolvem a vida inteira do educador. Infelizmente, na sociedade brasileira contemporânea a tarefa educativa está refém de inúmeros debates falaciosos e intrigas políticas esdrúxulas. Quem paga a conta são as crianças. Neste cenário, a pandemia de COVID-19 impôs a reflexão sobre pais, filhos e educação, com a suspensão das aulas presenciais nas escolas por recomendação das autoridades sanitárias. As crianças estão em casa, mas não estão de férias.

A seriedade da tarefa educativa e do relacionamento entre pais e filhos também levanta a questão do cuidado com aqueles que cuidam das crianças. Como afirmou Pedro Hartung, coordenador do programa Prioridade Absoluta do Instituto Alana e referência acadêmica e técnica neste tema, a proteção e educação das crianças em tempos de pandemia requer o fortalecimento de políticas e ações que tragam segurança para seus cuidadores: “precisamos sempre lembrar que, por mais paradoxal que pareça, nenhuma política é capaz de cuidar diretamente das crianças.

Como agir neste momento…

A primeira coisa é não subestimá-las. É muito importante conversar. Explicar que estamos em um momento em que quase todas as pessoas estão em casa, que elas não vão poder ver os amigos por um tempo, mas que isso vai passar. Explicar na linguagem delas. Para as crianças menores, por exemplo, desenhar um monstrinho, mostrar como lavar as mãos afasta o perigo. Dar informações claras e precisas, numa linguagem adequada para a idade delas, usando recursos condizentes com a capacidade de compreensão das crianças. Mas não as abarrote de informações. Diga só o que precisam saber. Isso ajuda a diminuir o estresse, porque as crianças não ficarão tentando adivinhar o que é a cara de nervosismo das pessoas ao redor.

É importante que a criança fique perto de quem ela confia nesse momento de tanta incerteza. Porque são as figuras que elas vão procurar num momento difícil. E é importante trazer virtualmente as pessoas que estão longe para perto da criança, sempre que possível, não promover uma ruptura abrupta. As conversas virtuais com os avós, com os tios, com os amigos da escola, com as pessoas que elas estão acostumadas e gostam, devem ser incentivadas.

As crianças entendem e precisam de rotina, senão tudo fica mais caótico. Eles ficam ansiosos, querem saber o tempo todo o que vão fazer depois disso, depois daquilo. A rotina traz segurança. Então tentar manter uma rotina parecida com o que tinham, mesmo que no ambiente domiciliar. Então acorda, faz um café da manhã, depois vai ver televisão, depois a gente vai brincar, ler um livrinho, depois a gente pode fazer alguma brincadeira mais física, porque eles também precisam gastar essa energia… Estão surgindo inúmeras possibilidades virtualmente, muitos contadores de história estão fazendo lives. Incentivar as brincadeiras, as atividades lúdicas. Muitas escolas estão mandando tarefas para os pais ou cuidadores fazerem nesse momento. Não é só para terem atividade, para os pais não ficarem loucos com essas crianças em casa. É porque isso afeta menos a rotina de uma criança, que já está tão afetada por não poder sair de casa.

Não precisa ser só brincadeiras. Faça coisas desestruturadas dentro da rotina. Eles não precisam de brinquedos estruturados. Ensine-os a cozinhar, por exemplo. Eles se divertem muito facilmente. A gente pode aproveitar e chamá-los para nos ajudar ao invés de acharmos que temos que dar conta de criar 20 atividades pra eles o tempo inteiro.

Também podemos educar nossos filhos para que eles saibam que vai ter horas em que eles não vão ter o que fazer mesmo. Eles vão ficar irritados. E na nossa geração de pais, frustrar as crianças é muito difícil. Mas esta situação que nós estamos vivendo é frustrante por si só, para todos nós. Porque ninguém escolheria estar em casa e não poder sair. Mas frustrações são importantes inclusive para o nosso desenvolvimento.

Nós seremos mais exigidos pelas crianças. Elas estão mais estressadas, nós somos o porto seguro delas e elas vão nos exigir mais demanda emocional. Precisamos estar preparados pra isso. E entender que pode ser que em algum momento a gente perca a calma e a paciência, e isso também é humano. Mas lembrar que ainda somos os adultos e temos mais recursos que as crianças, até porque cognitivamente entendemos completamente o que está acontecendo e a necessidade de estarmos em casa. Então vamos aproveitar para trabalhar temas com as nossas crianças como empatia.

Mães e pais não deveriam se cobrar para ter a mesma produtividade que teriam se eles tivessem na empresa, sem ninguém atrapalhando. Isso não vai acontecer, de jeito algum. É importante lembrar e sentir que estão fazendo o possível dentro da situação que a gente tem.

Nesses momentos de grandes crises é preciso voltar o olhar para alguns aspectos positivos. É um momento de introspecção, de ficar em casa, mas também é um momento de tentar frear esse ritmo alucinante que a gente tinha, de entrega de trabalho, de não prestar atenção nas pessoas, para poder fazer o contrário. Cuidar das pessoas. Cuidar de coisas que nos são caras, como nossos familiares, e das pessoas de quem a gente gosta.            O momento de crise sempre leva as pessoas a um limite, mas são situações como essas que também podem levar as pessoas e encontrarem melhores ferramentas para lidar com suas emoções e ajudar o próximo. Existem algumas coisas muito significativas que estão sendo feitas que mostram o poder de comunidade, da solidariedade. Isso nos ajuda a nos sentir seguros e acolhidos, mesmo fechados nas paredes de cada uma de nossas casas.

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