Os desafios de educar durante a pandemia

A educação é um direito de todos e em tempos de pandemia precisou se reinventar em
diversas metodologias. O desafio é grande, ainda mais quando se celebra nesta terça-feira, 28, o Dia Mundial da Educação.

A pedagoga Eliane Maria Vieira explica que, durante a pandemia a educação tem aproveitado a situação para desenvolver metodologias novas, com o uso de tecnologias digitais e também se aprofundar nas já existentes. “A forma de aprendizagem adotada pela Secretaria Municipal de Educação e Esporte de Goiânia é através de uma plataforma chamada Conexão Escola. Mas funciona somente para os alunos que realmente têm acesso à internet e de forma diferenciada,” disse a pedagoga.

De acordo com a professora é “fundamental criar estratégias para garantir que todos possam continuar aprendendo de forma saudável e viável durante a crise da pandemia”. “O professor é um dos maiores influenciadores na vida dos alunos, e agora, também se tornou um influenciador online. Ser um bom exemplo na internet faz toda a diferença e colabora na construção de uma compreensão de cidadania e responsabilidade social digitais,” argumenta Eliane.

Para ela, a educação é um direito fundamental que ajuda não só no desenvolvimento de um País, mas também cada indivíduo. “Sua importância e fortaleza vão além do aumento da renda individual ou das chances de se obter um emprego. Através da educação garantimos desenvolvimento social, econômico e cultural. E para colocá-la em destaque, a melhor forma é oferecendo acesso à internet para todos os alunos e isso cabe às políticas públicas,” frisa a pedagoga.

Vivência ímpar

A docente em especialização em ensino de Artes, Eliana Tiné continua ministrando aulas, porém foi preciso fazer uma readaptação. “Foi possível avisar aos alunos que seriam por videoconferência. Eles informaram sobre os aplicativos existentes e como eu poderia auxiliá-los. O zoom é o aplicativo que utilizo mais. Existem outros como o discord da área dos games, o hangouts e tudo vai se ampliando. É uma vivência ímpar,” conta ela. Uma das primeiras dificuldades a surgir foi a ausência de uma webcam. “Necessitei fazer uma readaptação tecnológica e obtive o auxílio de um outro professor para isso. A webcam que comprei, veio com defeito e um celular antigo se transformou em uma,” disse.

Com turmas acima da faixa etária de 13 anos, a professora explica que, a renda é favorecida e o público alvo têm internet. “Os desafios não foram de acesso à internet, mas da sua velocidade e uma readaptação em termos de estarem sozinhos ou não, concentração e realização das tarefas. Evitei vídeo aulas por ter maior número de desistência em pesquisas. As aulas por videoconferência apresentam um resultado melhor, geram disciplina e maior atenção do estudante,” enfatiza.

Outros desafios apontados por Eliana foram em relação ao espaço para estudar, a sobrecarga de utilização de internet e as empresas não darem conta de atender a todos com qualidade. “Tenho uma sorte em ministrar o conteúdo que eu trabalho porque preciso ver como o aluno está desempenhando a atividade. Preciso desenhar junto com os estudantes na videoconferência para tirar as dúvidas e tive que superar a timidez com outras pessoas olhando. Desenho muito mais agora em tempos de pandemia do que no tradicional em sala de aula,” afirma.

Algumas características como o aluno ser autodidata ou pró-ativo foram mencionadas pela
docente. Para incentivar as pessoas a interagirem e conhecerem mais sobre o conteúdo como forma de educação e conhecimento, Eliana citou sobre os eventos de desenho e criatividade. “Estamos em isolamento social, mas a interação se dá através da participação em eventos como um encontro de artes, o Sketchcrawl que é uma maratona mundial de desenho para adquirir o hábito de desenhar, conhecer novos materiais, representar a cidade que mora,” cita.

O Dia Mundial da Criatividade foi explicado por Eliana como outra forma de revolucionar o período que estamos vivendo. “Criaram um aplicativo e cada pessoa faria uma live ou
colocaria um vídeo de 15 minutos. Essa revolução criativa em Goiânia da qual faz parte por ser um evento mundial aconteceu nos dias 21 e 22 de abril,” disse. “A educação é um direito de todos, assim como a saúde. Existem maneiras de colocar arte na vida da pessoa. Seja imprimindo um desenho ou observando como a cidade está. Um País com educação é mais forte e o brasileiro é procurado nas áreas de criatividade e arte por ser a soma de todas as culturas,” comenta. Ela informa que o aplicativo é gratuito e está disponível no site: https://www.worldcreativityday.com/brazil/goiania/home.

Para Eliana, as pessoas fazem uma revolução mesmo não tendo nada como os projetos em
favelas. “É preciso uma renovação na educação e o isolamento faz refletir sobre qual cidadão seremos e sobre o convívio do professor com o aluno. Cada um tem uma cabeça e vive uma realidade. Não podemos impor o estudo, mas devemos estimular os estudantes. É preciso desacelerar, cuidar do sono, da alimentação. Estamos revisando e recriando uma nova rotina,”destaca.

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