Momentos de pandemia: Qual é a função do verdadeiro líder?

Vivemos tempos sombrios e difíceis!!!

*Por Edith Machado Giolo
Professora e advogada, Edith Machado Giolo

A pandemia do COVID-19 tem provocado muita inquietação nas pessoas que opinam sobre o que não sabem, julgam sem saberem e buscam argumentos para a defesa de ideias absurdas e posicionamentos extremistas e incoerentes, seja no campo jurídico, religioso ou político. São poucos os que querem analisar os fatos, tirar suas próprias conclusões baseadas em evidências científicas. E olha que muita produção científica com rigor e qualidade metodológica tem sido divulgada nos periódicos científicos e popularizada pelas redes sociais. No entanto, a situação é terreno fértil para o uso das pessoas como massas de manobras pelos incompetentes que julgam ser uma situação não gravíssima.

Imagem reprodução – hqrock

A Marvel, através da trilogia “Os Vingadores”, popularizou o vilão Thanos ao transportá-lo das histórias de quadrinhos para o cinema, o que lhe rendeu enorme sucesso. No filme, o vilão tem um objetivo que é garantir a sobrevivência das gerações futuras e o faz juntando as joias do infinito para dizimar metade das pessoas de todo o universo.

Na trama, a ideia do vilão é reconhecida como uma loucura, tanto é que os heróis lutam contra o vilão, para garantir que todos continuem vivos e sigam seus caminhos. Somente os heróis se sacrificam garantindo a segurança de todos.

Pois bem, os espectadores do filme rechaçaram a ideia do vilão e comemoraram a sua morte e o fracasso de seu intento. Os líderes, os heróis, morreram protegendo a todos, pois entendiam que vidas não poderiam ser sacrificadas.

Atualmente, os nossos líderes não conseguem achar um caminho para garantir a segurança da população e conter a pandemia da COVID-19, especialmente o líder máximo do país que julga tratar-se de uma “gripezinha” e está mais preocupado com a economia do país do que com a questão humanitária de preservação da vida. Alguns simplesmente atuam com o complexo de Thanos, sacrificando algumas vidas, entendendo em sua completa falta de humanidade que tal atitude é pelo bem do mundo.

Vidas não podem ser sacrificadas, pessoas não podem ser escolhidas, não se deve chegar ao ponto de escolher quem vive e quem morre. Não temos só idosos em grupo de risco, temos jovens com doenças respiratórias crônicas, pessoas que tomam medicamentos que potencializam o efeito do vírus, crianças com imunidade baixa, grávidas, homens e mulheres de baixa renda que não têm saneamento básico decente e serão, fatalmente, vítimas do vírus. E, mais preocupante, a segurança dos profissionais de saúde que têm colocado suas vidas em risco para cuidar dos milhares de infectados. Os profissionais de Enfermagem que prestam cuidados diretos aos pacientes são os mais diretamente envolvidos e não têm conseguido condições mínimas de proteção pela escassez de equipamentos de proteção individual. Tempos sombrios e difíceis!!!

A solução não é fazer uma seleção natural da população e deixar que todos contem com sua própria sorte na jaula dos leões ou na seara microscópica dominada pelo coronavírus. A solução não é praticar ordálias no sentido de submeter a população ao julgamento do divino e verificar se realmente não estão mancomunados com o maligno.

Não podemos nos contentar com o “Deus nos proteja” e simplesmente arregaçarmos as mangas e enfrentarmos sozinhos o problema que não é de ordem pessoal, mas de todos os seres humanos desse planeta.

Administrar não é difícil, é só saber as regras e cumpri-las. Mas, liderar é algo que requer dom, conhecimento, inteligência, perspicácia e sabedoria, aquela que Salomão teve quando mandou partir a criança.

O verdadeiro líder não cria mais problemas ou deixa os seus liderados à própria sorte. O verdadeiro líder não só administra o problema, ele encontra e indica a solução. Precisamos, urgentemente, de um líder para o nosso país.

*Edith Machado Giolo é Advogada e professora universitária. Graduada em Direito pela Universidade Paulista-UNIP (2009). Pós-graduada em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários-IBET (2010). Mestra em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela PUC Goiás (2015). Doutoranda em Direito pela Universidad Nacional de Mar Del Plata – Argentina. Integrante do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Goiana de Futebol como auditora do Tribunal Pleno.

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