“A vida passou por aqui”

Há 3 anos um verdadeiro sucesso. Assim é “A vida passou por aqui”, espetáculo de Claudia Mauro, assistido por 20 mil pessoas em todas as temporadas que fez. Assisti pela Tv, recurso diferente, em tempos de quarentena, mas me surpreendi pela qualidade mesmo estando em outro meio de comunicação. Um preciosismo raro de se ver, com atuações cuidadosas que tocam fundo em cada cena.

A peça criada pela atriz Claudia Mauro se deu por experiências próprias, com sua família, e uma visão peculiar sobre a velhice e suas inquietudes. Toda tristeza que envolve o tema, toda angústia que poderia pesar, nos chega com um tom de humor leve, com cenas intercaladas de memórias boas, de bons papos e muita dança, mostrando contra pontos fundamentais para uma boa costura cênica.

Além de tudo, ainda trata de uma boa e verdadeira amizade entre um homem e uma mulher, mesmo com todas as diferenças sociais, os dois se amam, se admiram e se respeitam por toda uma vida, até o fim. Cláudia vive Silvia, uma professora e artista plástica, que mora no Leblon. Édio Nunes vive Floriano, um malandro do bem, homem simples, que mora em uma Comunidade.

Claudia Mauro e Édio Nunes se complementam lindamente em cena, assim como seus personagens o fazem em suas vidas, lidando de modo diferente com suas cargas físicas e emocionais, Claudia Mauro convence na utilização do corpo e da voz nas idas e vindas do personagem pelo espaço de tempo e Édio Nunes tem ótima atuação pela expressividade como explora as nuances do seu personagem,  uso do instrumento corporal e como se movimenta pelo espaço cênico, compondo uma personalidade contagiante, que na verdade serve-lhe como um escudo contra a solidão e amarguras.

Dirigido por Alice Borges a partir de texto escrito pela própria protagonista , a peça celebra a sincera amizade verdadeira e fala das agruras da velhice com muito afeto.

Alice Borges demonstra sensibilidade de moderar a intensidade dramática que o texto impõe e ainda compõe bons quadros cênicos, dinâmica coerente com a narrativa e se utiliza de poucos recursos para a mudança de idade e tempo dos personagens.

O cenário do magnífico Nelo Marrese é muito bem solucionado mesmo contendo muitas informações e nos situando em diferentes ambientes sem nada nele ser mudado. Uma vida de detalhes está ali,televisão, mesinha do café, discos de vinil, vitrola, quadros, onde ficam tanto a casa de Silvia como asilo onde ela foi parar.

Os figurinos de Ana Roque são apropriados para as transições de ambos os personagens. A iluminação de Paulo Cesar Medeiros se exprime com correção dentro das necessidades dramatúrgicas e faz bonito até a última cena.

Aspecto destacável a trilha sonora de Claudio Lins e a pesquisa musical de Patrícia Mauro, com opções que acrescentam à composição das cenas e para a evolução da linha narrativa.

“A Vida Passou Por Aqui” cumpre sua função de emocionar ao falar de amizade, afeto, vida e morte, nos ajudando a refletir sobre o que de fato realmente importa para que a vida não passe por nós.

2 COMENTÁRIOS

  1. Olá!!! Você contagia com sua escrita, gosto muito do seu jeito de colocar tudo detalhado. Na verdade você imprime em seu texto um pouco do seu jeito de ser . A vejo com uma alegria intensa e contagiante, sempre muito atenta e confiante… Sinto que a quarentena tem acrescentado muito mais expressão em suas atitudes… Essa peça é realmente muito oportuna para nosso momento de reflexão e aprimoramento. Abrange sentimentos que estamos vivenciando com certeza uma boa pedida. Torso por você Kátia, sua perseverança e muito positiva e contagiante… Parabéns!!! 🥰🥰

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