A “minha vida” como ela é!

Ela é mineira de Santos Dumont, mãe de suas filhas: Stella e Ingrid, é professora universitária, advogada e mestre em Ciência Penais, esta é Natália Oliveira de Carvalho, que aproveitou os dias de isolamento devido a pandemia COVID-19, e bateu uma bom papo conosco, onde de tudo um pouco Natália contou, sua paixão por exemplo na astrologia, os efeitos que a quarentena tem lhe causado, futuro, mundo e muito mais.

NPO –  Como você conseguiu se adaptar em Goiás?

Natália Oliveira de Carvalho – Estou em Goiânia há 6 anos e, aqui, meu processo de adaptação à vida local foi relativamente tranquilo. Os goianos são muito acolhedores e fiz amizades realmente verdadeiras. Além disso, nesse tempo criei um círculo de amigos “forasteiros” que se tornaram minha família por aqui. Mas preciso confessar que não aprendi a comer “pequi”, “guariroba” e o sertanejo está longe de ser o meu gênero musical preferido.

NPO – Você além de professora, advogada e escritora, gosta de astrologia, ou seja falar e mexer com o zodíaco, fale-nos sobre isso?

Natália Oliveira de Carvalho – Sabe como isso começou? Aqui, em meio às minhas aulas de Direito Penal, por causa de algumas alunas muito queridas. Agora, a paixão mesmo – e o consequente estudo sobre Astrologia – surgiu, há uns 2 anos, a partir de um fato curioso, também no ambiente acadêmico. Ao final do primeiro dia de aula em uma turma iniciante, uma jovem estudante se aproximou de mim e perguntou: “Professora, a senhora é aquariana?”. Essa moça é a Gabi, a quem eu me refiro carinhosamente como a minha “guru”. Ela é professora de Hebraico e professa do judaísmo, que tem uma vertente mística chamada Cabala, que se desenvolveu nos idos dos séculos XII e XIII, no Sul da França e na Espanha. A Cabala tem como base o “Sefer Yetzirá – O livro da formação”, uma das mais interessantes referências da literatura judaica. Com exceção da Bíblia, quase nenhum outro livro foi objeto de tantas anotações. Mas, enfim, a Astrologia à qual me refiro não se relaciona a questões de vidência, horóscopo do dia e tampouco com a ideia de um suposto determinismo de vida estabelecido pelos signos do zodíaco. O que realmente me fascina é o fato de que existem sim características que são marcantes nos nativos de cada signo, mas o grande ponto é: a Astrologia pressupõe autoconhecimento para que possamos potencializar virtudes e atributos positivos e, ao revés, neutralizar ou moldar aspectos desfavoráveis da nossa personalidade. Estou tratando um tema muito complexo de uma maneira meio reducionista, mas a ideia central é essa; usar os conhecimentos astrológicos (e isso pressupõe, no mínimo, a existência de uma mapa astral devidamente elaborado) para sermos pessoas melhores, para nós mesmos e para o universo. Fico impressionada como, depois de mergulhar nesses estudos, é possível empiricamente constatar alguns padrões comportamentais típicos de um ou de outro signo do zodíaco. Passei a prestar mais atenção nas pessoas… Preciso me conter, porque realmente adoro falar sobre isso !

NPO – O isolamento por causa da Pandemia Covid-19, lhe afetou emocionalmente de alguma maneira, como tem sido?

Natália Oliveira de Carvalho – Acho que todos nós fomos afetados. De formas diferentes, é claro. No início do período de distanciamento social, confesso que eu realmente não tinha a dimensão do que estaria por vir. Levo uma vida agitada e sou uma pessoa um pouco ansiosa, então, quando a “reclusão forçada” teve início, pensei que fosse “surtar”. Com o tempo, cada vez mais ciente da gravidade da situação que temos enfrentado, passei a desenvolver novas habilidades, sobretudo ligadas ao uso de tecnologias, e retomei alguns prazeres que há muito andavam esquecidos, como ouvir músicas e ler (e reler) livros não jurídicos. Não tem sido fácil; há momentos de “baixa” em que me preocupo muito com o que está por vir. Sou mãe, né? Acho que mãe, no geral, é o ser mais destemido desse mundo! Agora, quando antevê qualquer situação de perigo rondando suas crias, passa a viver em alerta permanente. Talvez por isso eu venha me sentindo tão cansada. Mas, enfim, sou uma pessoa otimista e procuro manter o alto-astral. Acredito muito na força da energia que emanamos. Vamos vencer tudo isso. Agora, vamos fazer constar que a atual conjuntura política estabelecida no Brasil em meio à crise me deixa absurdamente indignada!

NPO  – O que você espera do futuro?

Natália Oliveira de Carvalho – Bom o que eu desejo para o meu futuro é essencialmente ser feliz junto daqueles que amo. Aliás, quando temos filhos, por mais que isso pareça clichê, ao menos boa parte do nosso ideal de felicidade, passa pela felicidade deles. Quero que as minhas filhas me tenham como um exemplo positivo, que se orgulhem da mãe, como mulher, como profissional, como ser humano… Lógico que também penso em realizações que tenham conotação econômica: poder viajar muito (porque eu realmente amo), proporcionar acesso a bons padrões intelectuais às minhas meninas, tornar a vida da minha mãe mais tranquila… Estou falando de uma perspectiva de felicidade bem individualista e eu ainda sou daquelas que acredita que, de algum modo, vai poder “transformar” o mundo. Bom, deturpei um pouco a pergunta, que tratava do futuro que eu esperava. Quero e precisamos muito de um mundo melhor, de um Brasil melhor. E isso está umbilicalmente ligado a sermos pessoas melhores. Essa quarentena tem me feito pensar muito nisso. Como posso ser melhor? Pensar e agir nesse sentido, é claro. Seria uma das lições que todos deveríamos extrair e implementar, sobretudo diante desse momento de crise.

Crédito: Thalyta Dias Amorim (@thalyph)

NPO – Como você o mundo atualmente?

Natália Oliveira de Carvalho – Diante da atual conjuntura, é triste dizer isso, mas vejo um mundo caótico. A pandemia agravou sobremaneira essa situação, mas já vínhamos enfrentando tempos difíceis. “Tempos líquidos”, como escreveu Bauman, um sociólogo polonês de quem sou fã. Vivemos num mundo cheio de sinais confusos, que muda com uma rapidez assustadora e imprevisível. Os relacionamentos virtuais em “redes” são cada vez mais priorizados e podem ser construídos ou desmanchados com uma facilidade tremenda. Não se sabe mais manter laços a longo prazo. E não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados: a nossa capacidade de tratar o outro com humanidade é duramente comprometida. Isso me entristece, porque eu acredito no amor, na gentileza, na compaixão. Preciso muito disso para ser feliz! E o mundo também!!!

Crédito: Thalyta Dias Amorim (@thalyph)

NPO – Quem é Natália Oliveira de Carvalho?

Crédito: Thalyta Dias Amorim (@thalyph)

Natália Oliveira de Carvalho  – A Natália é uma pessoa intensa em tudo o que faz e no que sente. É alegre, gosta de rir e de fazer as pessoas rirem, é otimista, gosta de fazer e receber gentilezas, exige respeito e, para tanto, preocupa-se muito em tratar as pessoas desta maneira. É leal, fiel e não suporta lidar com mentiras. Valoriza a honestidade e detesta que a tentem fazer de boba. Não vou falar dos defeitos, é claro! Mas acho que atualmente o que melhor define a Natália é que ela tem realmente aprendido com a vida. Já apanhei um bocado dela e não saí amargurada pelas adversidades que me foram impostas. Ao contrário, tenho a cada dia me feito mais forte e aguerrida. Isso me orgulha, principalmente quando ouço a minha filha mais velha dizer: “nossa, Mamãe, como você é empoderada!”… rs!

NPO – Algo que gostaria de dizer e deixamos de perguntar ou alguma mensagem que gostaria de deixar às pessoas que estão lendo essa matéria?

Natália Oliveira de Carvalho – Um recado? Não vou fazer referência a uma frase brilhante de algum pensador importante ou tampouco repetir de maneira autômata que precisamos de empatia e resiliência. A minha mensagem a todos que nos leem é: assistam ao “Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e saibam extrair e pôr em prática as lições dadas com tanta sutileza por aquela jovem intensa e de personalidade excêntrica. Fazer o bem tem que ser o que nos move. Despir-nos do egoísmo, que é sim inerente ao ser humano, deve ser nossa batalha diária. Eu posso garantir que isso nos arrebata por um sentimento único de liberdade e prazer pela vida! E não poderia deixar de direcionar essa mensagem especialmente às mulheres. Meninas, eu sinceramente acredito que esse tão desejado “mundo melhor” depende essencialmente da nossa união, da nossa voz, da nossa resistência e do nosso poder divino de acreditar que podemos tudo, absolutamente tudo!