“A noiva de Cristal”

Com  texto e direção do talentoso Márcio Azevedo, a montagem é um drama familiar. Algo bastante sério e duro, mas que é tratada como poesia, quebrando parte da atmosfera sombria que a envolve. A peça é de fato inspirada em uma história real, e Márcio a escreveu em apenas 24 horas.

Após ter o casamento cancelado, em meados dos anos 50, sua prima-avó Dulce mergulhou numa crise emocional e acabou internada numa clínica psiquiátrica, onde ficou mais de 15 anos – entre idas e vindas – passando pelos mais diversos e dolorosos tratamentos.

A razão para o desequilíbrio de Dulce está diretamente ligada a outro ponto importante da peça: a interferência que uma pessoa pode ter na vida e no destino de outra. Acreditando estar fazendo o melhor para a filha, o pai de Dulce lhe diz que o noivo desistira do casório, quando, na verdade, o homem havia morrido. Sentindo-se abandonada, ela começa a apresentar alguns transtornos, e a família, sem saber o que fazer, opta pelo isolamento.

Muitíssimo bem interpretada pela atriz Ana Gasque, Dulce tem momentos muito bonitos em meio a todo sofrimento. A todo instante acompanhada de uma estranha mulher de preto, interpretada pela atriz Joana Izabel, a história vai mostrando como tratavam o louco como doente, e como seus questionamentos deveriam ser ouvidos para uma melhor avaliação.

Ótimo para reflexão, o texto conta com trechos de diferentes personalidades como Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Frida Kahlo, Oscar Wilde, Sigmund Freud, Rimbaud e Sócrates, entre outros.

A peça pode ser considerada um Drama de Terror, gênero diferente ou até inovador, porém real. E com final lúdico, que surpreende e acalma a alma, depois de tanta hesitação.

Com excelentes atuações, Joana Izabel, Ana Guasque, Thaís Petzhold, Caroline Vetori, Dênis Antunes e Fabrício Zavareze dão vida à um verdadeiro embate social e nos deixam mais dúvidas do que respostas.

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