O COVID-19 E O (RE) SIGNFICADO DA CIDADANIA

O mundo nunca mais será o mesmo depois do COVID-19!

Não há como negar os significativos reflexos e alterações na economia, na política, nas relações familiares, no trabalho, na educação no meio ambiente e na sociedade como um todo, no difícil período de pandemia.

O esforço para reduzir a curva de contaminação tem exigido, em muitos países, estados e municípios, a adoção de providências radicais de isolamento físico com o fechamento do comércio (restando abertos somente os serviços essenciais), suspensão dos serviços de transporte público e as aulas presenciais. O ser humano se vê diante de situação que impõe múltiplas adaptações frente a necessidade de uma nova ordem social causada pela presença do vírus que assola o país e o mundo.

Muitos entendem que algumas das medidas para combater o alastramento do vírus são temporárias e que em algum tempo a vida voltará ao normal, porém, muitas mudanças empreendidas hoje podem ser permanentes.

A dicotomia entre os aspectos positivos e negativos do distanciamento físico, com forte ênfase nos interesses econômicos, remexe a política e sua conexão com a responsabilidade e a responsividade dos gestores públicos.

O reconhecimento da incapacidade de abrigar, nos hospitais, grande número de pacientes simultaneamente em suas unidades de tratamento, faz mudar o foco dos investimentos públicos.

E infelizmente, em alguns locais desse imenso país, nem mesmo as estatísticas de mortes e contaminações afasta os oportunistas. Alguns aumentam o preço do álcool, um dos produtos mais indicados para a assepsia das mãos e higiene geral. Outros tentam burlar licitações públicas para aquisição de materiais e insumos hospitalares aproveitando, como vampiros, das mazelas humanas e o estado emergencial.

O impacto econômico pela perda de empregos, redução de renda e movimento financeiro empresarial fez mudar o comportamento dos consumidores. O que é efetivamente necessário para ser feliz, do ponto de vista material? Será que o dinheiro pode comprar tudo?

O ar que gratuitamente é consumido não pode ser “comprado”, nem mesmo pelas grandes fortunas, diante da impossibilidade de respirar causada pelo vírus.

A situação financeira deixa de ser fator limitador de igualdade porque todos estão sujeitos à contaminação, e são muito mais os fatores pessoais e individuais, como a imunidade e a disposição orgânica, que determinam o impacto do vírus no corpo humano e os efeitos dos medicamentos.

Diretamente afetada pelo afastamento físico, a relação interpessoal, passa a ter um novo sentido, despertando a importância do abraço, do calor humano, do aperto de mão e da proximidade.

Muitos precisam se afastar de familiares que estão em situação de risco, como os idosos, pessoas com problemas respiratórios e outros, que os tornam vulneráveis à contaminação.

Visitas no portão, acenos na janela, comunicação virtual são algumas das estratégias para marcar a presença e diminuir a saudade do aconchego e do toque.

Como toda moeda tem dois lados, o confinamento das pessoas em casa tem provocado o aumento da violência doméstica, conforme mostram as estatísticas oficiais, pois, mantem a vítima no mesmo ambiente que o agressor por muito mais tempo.

Novos hábitos farão parte do cotidiano como forma de prevenção, mesmo após a pandemia, porque o alerta da contaminação se estenderá para outras doenças.

O mercado de trabalho, ao se adaptar, inova nas rotinas e na administração do tempo. As estruturas complexas, burocráticas e físicas, cedem lugar à simplicidade, presteza e ao ambiente virtual. Reuniões, aulas, audiências judiciais, encontros de negócios são realizadas por videoconferência com bons resultados e o home office, até então adotado em pequena escala, agora é visto como alternativa viável e até mesmo como forma de redução de espaços físicos e caros nas empresas e organizações públicas.

A interrupção das aulas presenciais, uma das maiores preocupações em tempos de pandemia, faz com que os pais ou responsáveis sejam os protagonistas na educação formal e informal das crianças e adolescentes, muitas vezes inadvertidamente transferidas para a escola. Talvez agora seja mais fácil imaginar a vida dos professores em sala de aula com a rotina de atender vários estudantes, elaborar material, corrigir provas e trabalhos, sempre estar à disposição e sem perder a paciência!

Estudantes, família e professores, todos em plena aprendizagem na adaptação das aulas virtuais. Sem contar a enorme dificuldade de atendimento aos estudantes que não têm acesso à tecnologia e para eles a escola também precisa estar preparada.

Quantas mudanças! Mas, os momentos de crise podem representar portas abertas para as oportunidades de exercitar a tolerância, ajudar ao próximo, prezar as relações familiares, a presença e pensar qual é o real sentido da vida em sociedade.

Se por um lado, a pandemia trouxe mortes, incertezas e o reforço da visibilidade da insuficiência do sistema de saúde em lidar com um grande número de infectados que necessitam de atendimento médico simultaneamente, por outro lado, revelou a capacidade de alguns estados e municípios na busca de estratégias para o enfrentamento e redução da curva de contaminação, a importância da ciência e das pesquisas na área da saúde e o quanto é preciso valorizar os profissionais da educação e da saúde.

Diante da ameaça invisível à vida, é possível perceber que a colaboração, solidariedade e a fraternidade representam os verdadeiros eixos da sobrevivência, onde a concorrência e o individualismo passam a ter um papel secundário.

Ao usar a máscara, manter o distanciamento físico, não sair de casa sem necessidade, evitar aglomerações, seguir as orientações das autoridades de saúde pública, é que se evidencia o cuidado consigo e com o próximo.

Portanto, é na capacidade do ser humano se unir em torno dos mesmos objetivos para o bem da coletividade que o (re) significado da cidadania.

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