‘BICHOS’

Um espetáculo que leva drama com humor, numa montagem que instiga o público a refletir sobre seu papel dentro da sociedade. Que nos faz ver o qual bichos somos, na realidade. Um convite para que nos olhemos por dentro, e percebamos nossos desejos e vontades animalescos.

Com texto original de Leonardo Gênesis e uma cuidadosa direção de Dudu Gama, os atores mostram-se bastante envolvidos no processo de auto descobrimento e toda a seriedade para com este trabalho é percebida no palco, diante do total entrosamento em cada esquete apresentada.

Com um numeroso e talentoso elenco formado pelos atores Leonardo Gênesis, Fernanda Oliveira, Aline Gomes, Luciana Magalhães, Marcelo Carpenttiere, Marcelo Matos e Michelle Rocha, a peça foi vista por mim, nesta quarentena, pelo computador, o que de certo tira um pouco da força dramática que o teatro (ao vivo) impõe…mas o fato é que a turbulência proposta chegou até mim, de modo a me fazer questionar a mente humana e seus desvarios.

Diante de uma realidade crua e absurda, os personagens habitam a cidade do Rio de Janeiro em sua rotina selvagem e desigual. Acontecimentos um tanto quanto dramáticos são costurados com doses de comédia.

Ao longo de uma sequencia de cinco cenas interligadas por acontecimentos na cidade, o espectador se depara com personagens vivendo momentos de clímax: um paciente que afirma para sua terapeuta que está curado, pois descobriu que sua essência é sofrer; o policial militar em dúvida sobre ter matado exatamente o adolescente preto que esquartejara seu ex-parceiro; o rapaz gay alucinado por um ménage à trois; o casal no momento de término trágico e o casal de swing com seus dramas sexuais.

Todas as esquetes são tensas e fortes. Todos os momentos são intensos. Tudo está contado, tudo está entregue e agora é conosco. Cabe à nós entendermos qual a resolução dos problemas que nós mesmos criamos.

Sem dar as respostas, apenas os questionamentos a partir da apresentação dessas situações-chave, o espetáculo gera mais perguntas, a fim de provocar nossos instintos mais controlados. A pergunta que não quer calar a todo instante é: O quão animalescos podemos ser?

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