Em protesto, uma igreja argentina reabriu como bar

Foi um protesto peculiar e de falta de criatividade não poderá ser acusado. Na Argentina, mais especificamente na cidade de San Lorenzo, uma igreja evangélica decidiu reabrir como bar, referem meios de comunicação internacionais como o britânico The Guardian ou a estação local (de Rosario, mas que cobre noticiosamente toda a província de Santa Fé, da qual San Lorenzo faz parte) LT 83 Canal 3.

Quem entrasse na “Igreja Redentor de San Lorenzo” na última quarta-feira, refere por exemplo o The Guardian, encontrava um cenário inesperado: mesas de bares, pastores vestidos de empregados de mesa e bíblias transportadas em bandejas de comida e bebidas.

O que pode parecer uma heresia é, na, verdade uma indignação: na região, muitos serviços estão já a retomar atividade depois do confinamento provocado pelo novo coronavírus mas as regras para as cerimónias religiosas são mais apertadas do que para outros setores, como o da restauração e comércio. No interior das igrejas da região só podem estar no máximo dez pessoas em simultâneo, independentemente da lotação, ao contrário do que acontece já por exemplo em restuarantes e até bares, que podem funcionar a 30% da capacidade máxima.

O pastor Daniel Cattaneo, responsável religioso máximo da igreja de San Lorenzo, explicou o protesto em declarações ao Canal 3 de Rosario, Santa Fé: “Queríamos perguntar ao nosso governador se, caso abríssemos desta maneira, ter-nos-ia permitido reabrir? Os bares podem abrir, as empresas também mas nós não. Porque nos descriminam?”.

Estamos aqui vestidos desta forma, carregando uma bandeja, porque parece que esta é a única maneira que temos de servir a palavra de Deus. Portanto, aparte a vitela que vai para a mesa quatro, daqui sai a palavra de Deus, da casa do Senhor para todas as nações”, referiu ainda o pastor, citado já pelo The Guardian.

Reclamando “o nosso direito constitucional para praticar a nossa fé”, Cattaneo é um dos religiosos da região que mais oposição tem feito à lentidão na retoma dos serviços religiosos devido à pandemia do novo coronavírus, por oposição ao regresso mais rápido de outros setores e atividades. Para este domingo, num terreno desocupado próximo da igreja, foi mesmo confirmado uma espécie de cerimónia religiosa em “drive-in”, isto é, a que os fiéis poderão assistir no interior dos seus carros.

Fonte: Observer