Surto de ébola na África ultrapassa o de 2018

O número de casos de ébola no noroeste da República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou o surto de 2018 na mesma região em número de casos, com 57, enquanto o país trabalha no rastreamento de contágios ocultos e suspeitos, disse esta sexta-feira à Efe o coordenador nacional da resposta contra o vírus, Steve Ahuka.

De acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), dos 57 casos, 53 foram confirmados em laboratório, e 4 são prováveis. Até agora, 22 dos doentes morreram e 16 pessoas foram curadas na 11ª epidemia de ébola a afetar a RDC, declarada em 1 de junho em Mbandaka, a capital da província de Equateur, com uma população de mais de 1 milhão de habitantes.

“As equipas estão a trabalhar sem parar para encontrar casos ocultos e também para acompanhar o movimento de casos suspeitos”, disse o coordenador, que observou que estes estão em fase ativa e que a vigilância tem sido boa.

O aumento dos casos é motivo de preocupação para a OMS, que ontem advertiu que a resposta contínua contra o ébola enfrenta uma lacuna de financiamento.

“Responder ao ébola no meio da atual pandemia da COVID-19 é complexo, mas não podemos deixar que o coronavírus nos distraia no confronto a outras ameaças urgentes à saúde”, disse o diretor regional da OMS para África, Matshidiso Moeti.

“No surto atual, os casos estão espalhados em áreas remotas em florestas tropicais densas. Isso cria uma resposta cara, pois garantir que os serviços de resposta e medicamentos cheguem às populações afetadas é extremamente difícil”, acrescentou Moeti.

A região já sofreu o nono surto do vírus na RDC, entre maio e julho de 2018, quando 54 casos foram relatados, com 33 mortes e 21 sobreviventes. A epidemia está a afetar atualmente seis zonas sanitárias em Mbandaka, e desde 5 de junho 12.070 pessoas foram vacinadas para conter a doença, enquanto o surto de dois anos atrás levou duas semanas para começar.

A pior epidemia de ébola da história da RDC e a segunda mais grave do mundo ocorreu em três províncias do nordeste do país a partir de 1 de agosto de 2018 -com 3.481 casos, 2.299 mortes e 1.162 sobreviventes- até 25 de junho deste ano, quando foi declarada terminada pelas autoridades congolesas.

A epidemia mais grave do vírus ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, matando 11,3 mil pessoas e causando mais de 28,5 mil casos, embora esses números, de acordo com a OMS, possam ser conservadores.

A doença, descoberta na RDC -então Zaire- em 1976, é transmitida por contato direto com o sangue e os fluidos corporais de pessoas ou animais infetados. Provoca hemorragias graves e pode atingir uma taxa de mortalidade de 90%. Os primeiros sintomas são febre alta repentina, fraqueza severa e dores musculares, na cabeça e garganta, e vómitos.

Fonte: EFE