O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não tem provas para sustentar suspeitas sobre a eleição presidencial, mas disse não ter certeza de que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito. Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nesta sexta-feira (6), ele também confirmou que avalia disputar novamente a Presidência em 2030.

Questionado se se considera o verdadeiro presidente eleito do Brasil, o senador declarou que tem “todas as ressalvas, motivos e indícios para desconfiar” do que ocorreu nas duas horas de extensão do período eleitoral após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, referendada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.

Flávio reconheceu que não possui evidências sobre uma eventual fraude. Segundo ele, “não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”. O senador afirmou que a estratégia jurídica ficará concentrada na alegação de que Lula teria usado a máquina pública de forma irregular.

Na eleição presidencial de outubro, Lula derrotou Flávio por mais de quatro milhões de votos de diferença, segundo o material da entrevista. Mesmo assim, o senador disse não ter “garantia” de que não foi eleito no primeiro turno e questionou o crescimento da votação do petista no intervalo de 21 dias. Atribuiu ainda a Lula uma suposta compra de votos, sem apresentar novas provas.

Disputa em 2030

Sobre a próxima eleição presidencial, Flávio afirmou que todos têm o direito de se apresentar como candidatos. Ele citou o governador de São Paulo e aliado Tarcísio de Freitas (Republicanos), que já manifestou interesse na disputa, e reiterou que pretende concorrer novamente caso o PL autorize.

O senador, porém, disse que Jair Bolsonaro será o candidato da família se recuperar os direitos políticos. Flávio também afirmou que ainda conversa com os familiares sobre permanecer nos Estados Unidos ou retornar ao Brasil. Segundo ele, tem se mantido no país com reservas financeiras acumuladas ao longo de 20 anos como parlamentar.

Críticas ao STF e ao TSE

Ao comentar os processos que envolvem seu nome no STF, Flávio afirmou já saber “qual vai ser o final muito antes de começar”. Ele repetiu críticas ao Supremo, ao TSE, à Polícia Federal e ao Ministério Público, acusando as instituições de comprometimento, domínio político ou aparelhamento.

O senador também declarou apoio ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o magistrado teria descumprido requisitos ao julgar ou participar de processos nos quais deveria ter se declarado impedido ou suspeito. Flávio afirmou ainda que existem mais de cem pedidos de impeachment contra Moraes e atribuiu a falta de avanço ao presidente do Senado, que, segundo ele, se recusa a pautar as solicitações.

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