“À Beira do Abismo me Cresceram Asas”

Katia Saules
Katia Saules  – Atriz, formada em Artes Cênicas, escritora, critica de artes e colaboradora do site Na Pauta Online – RJ,
Esta coluna vai ao ar todas as quartas-feiras.

Sensível define. Um texto poético, cheio de emoção que nos conduz metaforicamente ao tal abismo e faz sim com que cresçam asas…e é lindo de se ver! Que magnífico trabalho!

Com muito humor e amor, o público chora e ri, ri de chorar, chora de rir nos diálogos entre Terezinha (Maitê Proença) e Valdina (Clarisse Derziè Luz), que além de tudo ainda propõe uma reflexão sobre o tempo, o envelhecimento, as emoções da vida, a amizade, solidariedade e a importância de compartilhar.

Maitê, que divide o palco com Clarisse, é autora do texto e assina a codireção com Clarisse Niskier. Ambas estão divinas em seus respectivos papéis e nos tocam do início ao fim.

Elas falam de sexo, diferenças entre homens e mulheres, abandono, dores e amores…com diferentes personalidades, o que as duas senhoras em cena tem em comum é a praticidade do que aprenderam a simplificar a vida, já que entenderam que não há mais tempo para complicá-la. Elas são deliciosas, e fazem com que entendamos o verdadeiro valor do nosso tempo.

Falar de velhice sem ser piegas, sem ser chato, é algo sensacional. O texto é uma colagem de depoimentos de idosos e transformar este conteúdo em um espetáculo é de uma sensibilidade sem tamanho. Nas mãos da talentosa Clarisse Niskier tudo se torna ainda mais belo. Que delicadeza, que olhar, que dom tem esta mulher!

Maitê é deslumbrante e ainda gera impacto sua força cênica, embora já tenha provado há tempos seu talento e coragem. Clarisse é magnânima, uma atriz visceral, entregue, pronta, que troca lindamente com sua colega em cena nos proporcionando momentos inesquecíveis.

A peça já tem uma bonita trajetória, mais de 45 mil pessoas já viram e merece ser muito mais apreciada, é dessas montagens que não deveriam sair de cartaz…que deve voar pelo Brasil afora, voar muito alto, na certeza de que com ou sem abismo, lhes crescerão asas.