A IMPORTÂNCIA DE SER PERFEITO

Temos uma corajosa montagem nessa comédia escrita pelo Irlandês Oscar Wilde, adaptada pelo talentoso Leandro Soares e dirigida pelo sensacional Daniel Herz, que tem como marca registrada seu meticuloso cuidado com os atores em cena. Ousada e um tanto quanto arriscada, a peça é repleta de inserções musicais e bons diálogos.

Um jogo de hipocrisia e aparências, que são claramente expostos nas falas de humor corrosivo ao mostrarem um retrato de uma sociedade cheia de falidos e oprimidos.

O texto é centrado nos personagens de José e Agenor, que fingem se chamar ”Perfeito” com o objetivo de conquistarem duas jovens que sonham casar com um marido que tenham esse nome.

Houve alguns cortes no texto original, que acabaram não prejudicando o desenrolar da encenação, deixando num tamanho justo e enxuto para 1 hora e 50 minutos apresentadas.

Interessante demais a proposta de utilizar-se de um elenco integralmente masculino, inclusive na representação dos papeis femininos, que realçam ainda mais o tom de farsa.

É difícil apontar destaques de atuação com um elenco formado por 8 atores tão coesos, tão ligados e determinados a cumprirem a proposta ali sugerida. Leandro Castilho, Leandro Soares, George Sauma, João Zappa, Anderson Mello, Marcio Fonseca, Pedro Tomé e Samuel Toeldo merecem todos os nossos aplausos.

Com música tocada ao vivo pelos próprios atores, que também são músicos, em sua maioria. Cenário do estupendo Nello Marrese que sempre sabe muito bem o que faz, com belíssimos figurinos de Thanara Schönardie.

Uma questão fica no ar: Manter uma vida de aparências ou assumir sua verdadeira origem? Reflexão válida para todos os tempos. Uma peça premiadíssima e divertida que vale muito ser vista e apreciada.

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